CADERNO MARCAS E MERCADO AUTOMÓVEL - A NOVA ERA DO SECTOR AUTOMÓVEL
2026-05-27 21:07:22

Desde a ascensão dos veículos eléctricos (BEV) ao declínio da lealdade às marcas tradicionais, os consumidores estão a redefinir as suas escolhas De acordo com o estudo “What Car Buyers Want: A Global Guide for Automotive OEMs”, realizado pela Boston Consulting Group, que analisou as preferências de mais de 9000 consumidores em dez países, cinco tendências irão moldar o comportamento de compra nos próximos anos, revelando, desde logo, um mercado mais exigente, mais conectado e mais aberto a alternativas face às escolhas tradicionais. A primeira tendência é a crescente abertura dos consumidores à compra de veículos de origem chinesa, sobretudo na Europa e em mercados emergentes. Entre 10% e 20% dos consumidores europeus já considera essa opção, muito acima da actual quota de mercado (cerca de 4%), enquanto no Brasil esse valor sobe para 36%. Na China, a preferência por marcas nacionais é dominante (85% dos consumidores), reflectindo uma quota de mercado de 69%. Nos EUA, a resistência mantém-se elevada, com apenas 7% a admitir essa possibilidade. Outra tendência é a transição para veículos eléctricos, que avança de forma gradual. Entre os actuais utilizadores de BEV, 71% pretende manter a escolha na próxima compra, enquanto 50% dos condutores de veículos não eléctricos planeia manter o mesmo tipo de motorização. As motivações variam por re-gião: na Europa, o factor decisivo é o custo e a poupança; nos EUA e na China, destacam-se a tecnologia e as funcionalidades. Já as preocupações ambientais mantêm relevância global. A fidelidade às marcas automóveis está a diminuir em várias regiões, com os consumidores mais jovens a demonstrarem maior abertura a novas marcas, tecnologias e modelos de compra. Nos EUA e na Europa, cerca de 40% dos consumidores pretende voltar a comprar a mesma marca, percentagem que desce para 21% entre as gerações mais jovens. Na China, apenas 10% dos consumidores tencionam comprar a mesma marca. A aceitação das tecnologias de condução autónoma também está a crescer, embora com níveis de confiança diferentes consoante a região. Entre os utilizadores, 79% considera estas funcionalidades úteis, enquanto 45% dos que ainda não as experimentaram reconhecem o seu potencial. No entanto, a condução totalmente autónoma continua a ser polarizadora: mais de 60% dos consumidores na China aceitariam viajar num táxi autónomo, face a cerca de 30% na Europa e nos EUA. A digitalização tornou-se igualmente um factor decisivo na experiência de compra e utilização automóvel, com cerca de 31% dos consumidores a admitirem estar dispostos a comprar o próximo veículo totalmente online, percentagem que sobe para 44% entre os mais jovens. Os consumidores valorizam cada vez mais o acesso a ecossistemas digitais integrados, incluindo plataformas como Apple e Android, bem como sistemas próprios dos fabricantes. Em suma, irão ocorrer mudanças significativas nos próximos anos, com os consumidores a redefinirem as suas prioridades e a optarem por marcas que respondam melhor às suas necessidades. Por outro lado, as marcas terão de adaptar as suas estratégias, reforçar as capacidades digitais, desenvolver veículos eléctricos mais acessíveis e tecnologicamente avançados, modernizar os pontos de contacto com o consumidor e reposicionar-se num mercado cada vez menos marcado pela fidelidade dos clientes.