pressmedia logo

HOSPITAL AMEAÇA DISPARAR PARA MIL MILHÕES

Diário de Notícias da Madeira

2026-05-27 21:07:22

CONTRATOS PÚBLICOS CONSTRUTO 2 S QUEREM 370 MILHOES PELA TERCEIRA FASE DO HOSPITAL epassos @dnoticias.pt O valor que o sector da construção considera necessário para executar a terceira fase do novo Hospital Central e Universitário da Madeira poderá rondar os 370 milhões de euros, apurou o DIâRIO junto de fonte ligada a um dos agrupamentos concorrentes ao concurso público, que ficou deserto na passada sema-na. Aliás, esse valor está mais em linha com o que uma equipa técnica, ligada ao procedimento, definiu há mais de um ano, que rondava 320 milhões de euros. O Governo Regional lançou, em 2025, o concurso para a empreitada com um preço-base de 265 milhões de euiros, mas nenhuma das cinco candidaturas qualificadas apresentou proposta final. A diferença entre o valor definido pelo Executivo e o montante apontado pelo mercado ultrapassa os 100 milhões de euros, aproximando-se dos 40%. Os cinco agrupamentos qualificados para a fase final do concurso integravam algumas das maiores empresas de construção do País e da Região: o consórcio com a Tecnovia Madeira, Sociedade de Empreitadas S.A., em conjunto com a IAFAVIAS Engenharia e Construções, S.A. e a HCI , Construções, S.A.; a ETER-MAR Engenharia, S.A. associadaà CASAIS , Engenharia e ConstruçâO, S.A.; o agrupamento formado pela Teixeira Duarte Engenhariae Construções, S.A., TDGI Tecnologia de Gestão de Imóveis, S.A. e EPOS. Empresa Portuguesa de Obras Subterrãneas, S.A.; o consórcio da Mota-Engil, Engenharia e Construção, S.A.com a CAPSFIL , Carlos Augusto Pinto dos Santos & Filhos, S.A.; e ainda o agrupamento consti-tuído pela ACA , Alberto Couto Alves, S.A., RIM = Engenharia e Construções, S.A. e OMATAPALO = Engenharia e Construção, S.A. A situação representa um dos sinais mais fortes até agora sobre a pressão financeira que envolve a maior obra pública realizada na Região e uma das maiores de Portugal. A terceira fase do novo hospital é também a mais complexa de todo o projecto, abrangendo infra-estrutu-ras técnicas, instalações especiais, acabamentos, redes hospitalares, sistemas electromecânicos e equipamentos altamente especializados. Nos últimos meses, os concorrentes pediram sucessivos esclarecimentos ao dono da obra e o prazo do concurso chegou mesmo a ser prorrogado por mais de um mês. Ainda assim, nenhuma empresa decidiu avançar com proposta, numa situação interpretada no sector como sinal claro de que o valor-base definido pelo Governo Regional ficou abaixo do custo considerado exequível pelas construtoras. Ao que conseguimos saber, o problema não estará na falta de interesse das empresas. Pelo contrário. Inicialmente foram apresentadas seis candidaturas, envolvendo alguns dos maiores grupos de construção ligados a obras públicas em Portugal. Porém, à medida que o procedimento avançou e os concorrentes aprofundaram a análise técnica e financeira da empreitada, aumentaram também as dúvidas sobre os custos reais da execução. A construção hospitalar é actualmente uma das áreas mais caras e exigentes do mercado. Ao custo dos materiais junta-se a necessidade de mão-de-obra especializada, sistemas técnicos complexos, exigências energéticas e equipamentos clínicos sofisticados. No caso da Madeira, acrescem ainda os custos de transporte marítimo, logística e limitações de mão-de-obra local. O diferencial agora apontado por um concorrente, cerca de 370 milhões de euros, suirge em linha com o agravamento verificado noutras grandes obras públicas nacionais, particularmente na área da saúde. O Hospital Central do Alentejo registou uma derrapagem superior a 50% relativamente aos valores inicialmente previstos, enquanto o futuro Hospital Lisboa Oriental também sofreu aumentos de dezenas de milhões de euros associados a novas exigências técnicas e sísmicas. Ainda assim, o caso madeirense distingue-se por um aspecto essencial. A diferença surgiu antes da adjudicação. Noutros projectos, os aumentos tornaram-se visíveis já durante a execução das obras. Na Madeira, o mercado recusou apresentar propostas logo na fase inicial do procedimento. Politicamente, o desfecho deixa agora o Governo Regional perante várias hipóteses difíceis: aumentar substancialmente o preço-base do concurso, reformular as condições da empreitada, dividir a obra em vários contratos ou aceitar um atraso significativo na conclusão do novo hospital. O Governo já disse estar a ver os argumentos apresentados pelas construtores e que depois tomará uma decisão. O executivo admitiu anteriormente que o custo global do projecto poderá aproximar-se dos 550 milhões de euros, muito acima das primeiras estimativas anunciadas há pouicos anos. Se o valor de 370 milhões vier efectivamente a servir de referência para a terceira fase, a factura final do novo Hospital Central e Universitário da Madeira poderá tornar-se ainda mais pesada do que o inicialmente previsto e do que o já admitido. Ao DIARIO, pessoas envolvidas em todo o processo admitem mesmo que o custo final poderá aproximar-se dos mil milhões de euros. Certo é que a conclusão da construção da infra-estrutura volta a conhecer um atraso significativo, não estando ele relacionado com qualquer crise política, como foi alegado para justificar as anteriores. A alteração do preço-base do procedimento, a acontecer, tem de ser fundamentada e resultar de estudos. Não é de crer que, Onos sete meses que faltam para o fim do ano, seja possível, redefinir as peças do concurso, lançar o procedimento, desenvolvê-lo, adjudicá-lo, submetê-lo ao Tribunal de Contas e ter a obra no terreno. Construtoras apontam custo real muito acima do previsto para a fase decisiva da obra e concurso poderá ter de ser reformulado P.10 11 ALGUNS TêCNICOS ESTIMAM QUE O CUSTO FINAL PODE RONDAR OS MIL MILHOES DE EUROS ALBUQUERQUE ADMITE REVISAO DO CONCURSO O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, admitiu ontem que a obra do novo Hospital Central e Universitário da Madeira poderá sofrer um aumento significativo de custos, devido à subida dos preços dos materiais e da mão-de-obra nos últimos anos. A margem da conferência sobre gases renováveis, no Funchal, o governante explicou que o projecto será reavaliado e que o concurso público terá de ser ajustado à nova realidade do mercado, sublinhando que não há ainda um valor final definido para a actualização do investimento. Segundo referiu, o Governo Regional está a trabalhar numa nova estimativa de custos, tendo em conta a evolução recente do sector da construção, marcada por aumentos “exponenciais” nos preços. Albuquerque recordou que o financiamento do Governo da República está assegurado em 50%, mas reconheceu que o encarecimento global da obra obriga a uma revisão técnica do projecto. Como exemplo, apontou o caso da unidade de saúde do Porto Santo, cujo custo inicial foi estimado em cerca de 12 milhões de euros e deverá terminar próximo dos 33 milhões, ilustrando a pressão inflacionista no sector. O chefe do Executivo madeirense sublinhou que não existe qualquer paralisação na obra do novo hospital, referindo que os trabalhos decorrem numa fase de transição para uma etapa mais centrada em acabamentos interiores e revestimentos. “Ainda estamos a ultimar esta fase para iniciar a terceira fase”, afirmou, garantindo que o processo segue dentro da normalidade, apesar da necessidade de reajustes financeiros e procedimentais. O.D. Governo vai preparar novo concurso público, mas terá de abrir os cordões à bolsa para viabilizar a conclusão do Hospital Central da Madeira Ao contrário do prometido, a terceira fase do novo Hospital Central da Madeira não vai arrancar tão cedo. FOTO HELDER SANTOS/ASPRÆESS ÉLVIO PASSOS