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VIAGENS EM CARROS ELÉTRICOS DEIXAM MAIS PESSOAS ENJOADAS. A CIÊNCIA EXPLICA

Jogo Online (O)

2026-05-27 21:07:35

Viagens em carros elétricos deixam mais pessoas enjoadas Os carros elétricos podem provocar mais enjoo do que os veículos a combustão. A ciência aponta a ausência de ruído, a travagem regenerativa e o conflito sensorial como causas principais. Os carros elétricos podem provocar mais enjoo do que os automóveis tradicionais e a ciência já encontrou explicações para o fenómeno. Com este tipo de veículos a ganhar cada vez mais espaço no mercado global, aumentam também os relatos de passageiros que dizem sentir maior desconforto em viagens feitas em elétricos. Estudos recentes indicam que o problema está relacionado com a forma como o cérebro interpreta o movimento. Segundo William Emond, doutorando na Université de Technologie de Belfort-Montbéliard, em França, a falta de experiência prévia em veículos elétricos pode dificultar a capacidade do cérebro para antecipar acelerações, travagens e mudanças de velocidade. "A maioria das pessoas habituou-se, ao longo da vida, aos sinais típicos dos carros com motor de combustão, como o som do motor ou determinadas vibrações. Nos elétricos, esses indícios quase desaparecem", explica o investigador. Sem esses sinais familiares, o cérebro perde referências importantes para prever o movimento do veículo, aumentando a probabilidade de surgir cinetose, o chamado enjoo provocado pelo movimento. Outro dos fatores apontados pelos investigadores é a travagem regenerativa, sistema utilizado nos carros elétricos para recuperar energia e recarregar a bateria durante as desacelerações. Este tipo de travagem cria uma redução de velocidade mais suave e prolongada, associada, segundo vários estudos, a maiores níveis de desconforto nos passageiros. Um estudo publicado em 2024 concluiu mesmo que níveis mais elevados de travagem regenerativa podem aumentar os sintomas de enjoo. Também as vibrações dos bancos e a ausência quase total de ruído do motor foram identificadas como fatores relevantes. O fenómeno resulta de um conflito sensorial dentro do organismo. O cérebro recebe informações diferentes através da visão, do ouvido interno e da perceção corporal. Quando aquilo que o corpo sente não corresponde ao que o cérebro esperava, surgem sintomas como tonturas, náuseas ou suores frios. É também por isso que os condutores raramente sofrem deste problema. Quem conduz consegue antecipar curvas, travagens e acelerações, enquanto os passageiros dependem apenas dos sinais do movimento. Agora, investigadores e fabricantes já procuram soluções para minimizar o desconforto. Entre as hipóteses estudadas estão sistemas de luzes, sinais visuais e vibrações programadas capazes de ajudar os passageiros a antecipar os movimentos do automóvel.