pressmedia logo

PORTALEGRE - HÁ UM ANO À ESPERA DE PROCESSO CLÍNICO

Alto Alentejo

2026-05-27 21:08:31

«Andam-me a “enrolar” há mais de um ano», explica Sandra Pinto que continua a aguardar o processo clínico do falecido pai para decidir se apresenta queixa por negligência do Serviço de Urgência do Hospital Doutor José Maria Grande, uma vez que o pai nunca foi internado apesar de padecer de uma doença grave que o vitimou. «Pedi o processo clínico dele e há várias contradições. Andam-me a “enrolar” há mais de um ano». «Quero ir a tribunal caso não seja admissão de culpa» por parte do Hospital. «Tenho três anos para o fazer» e «já passou um tempo considerável», vinca a filha de Américo Aurélio, residente no Crato. Afirma Sandra Pinto que «fez dia 7 de Maio um ano que o caso do meu pai ( ) está em fase de inquérito interno no hospital de Portalegre. Esse inquérito iniciou-se devido a que, no meu entender, houve uma recusa de internamento a fim de saber a razão das dores do meu pai e da progressiva perda de sensibilidade e mobilidade dos membros inferiores». Conta Sandra Pinto que «recebi no dia 22 de Novembro de 2025 um email intitulado "Resposta Final", em que referia que em nenhum dos atendimentos foi registada perda de mobilidade ou incontinência urinária, caso contrário sendo critérios clínicos relevantes teria sido admitido de imediato a internamento», mas «contactaram-me depois a dizer que este email tinha sido enviado por engano». Também o nosso jornal pediu há já várias semanas esclarecimentos sobre este assunto ao hospital, sem que no entanto tenhamos obtido qualquer resposta, o que é no mínimo insólito. Historial Sandra Pinto resume-nos o historial de idas do falecido pai ao banco de urgência, Américo Aurélio, que tinha na altura 75 anos, tendo verificado os registos «após análise do processo clínico» no hospital de Portalegre que apresenta as seguintes entradas no Serviço de Urgência: - 11/01/2025-Dor lombar e cervical; - 10/03/2025-Dor lombar e cervical, náuseas e tonturas; - 19/03/2025-Dor lombar e cervical irradiando para o flanco homolateral e dor abdominal; - 04/04/2025-Dor lombar e cervi-cal com polquiúria (controle da urina), vertigens e desconforto na apalpação; - 08/04/2025-Dor lombar e cervical, dormência nos membros inferiores, irradiação para os mesmos com agravamento progressivo; - 10/04/2025-Chegou ao hospital de cadeira de rodas com parestesias e perda de força muscular, não consegue fazer levante, foi algaliado devido à retenção urinária (foi detetada urina de cor escura). Conta Sandra Pinto que então «como o meu pai estava em cadeira de rodas, cheio de dores, decidimos levá-lo a um hospital particular. Dois dias depois, a 13/04/2025 na CUF Descobertas foram detectadas lesões de D1-D9 com invasão do canal e envolvimento em manga da medula em D6D7, comprovada paraplegia com anestesia até D10; plegia de ambos os membros inferiores (exame pago por nós e numa hora foi identificado o motivo das suas dores). Pagámos nós também a ambulância e foi transferido, ficando acamado e internado no Hospital de S. José em Lisboa. Foi depois para o Hospital dos Capuchos onde ficou mais de um mês internado. Foi feita uma biópsia e identificada a origem do seu tumor» e Américo Aurélio faleceu dia 6 de Junho de 2025. «Não digo que se o hospital de Portalegre tivesse feito o seu dever o meu pai o meu pai ainda estaria vivo», mas «o que me revolta foi vê-lo a ir sistematicamente pedir ajuda e encaminharem-no para o médico de família. Podiam tê-lo ajudado com as dores, pois ver o nosso pai no chão a chorar de dores é uma imagem que não se esquece», e confessa que em desespero o senhor até recorreu a uma tentativa de suicídio dia 10 de Abril, mas «mesmo assim deram-lhe alta no próprio dia e sem identificarem de onde vinha as suas dores», conta com enorme mágoa Sandra Pinto que justamente reclama toda a informação solicitada ao hospital e que continua a aguardar há mais de um ano.