"PROSTITUTOS SEM CARÁTER": PASSOS COELHO PERDEU A PACIÊNCIA?
2026-05-27 21:08:31

Entre "Peter Pans" e "Cebolinhas", o debate quinzenal foi uma banda desenhada. No entanto, Pedro Passos Coelho roubou a cena. Estará o ex-PM a tentar estragar a vida a Luís Montenegro? Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. O Vencedor é na Rádio Observador, com a Judite França, a Helena Garrido e o Alexandre Borges. Estamos na rádio e, claro, também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Páscoa Coelho teve mais uma aparição tonitruante, mas já lá vamos. Será o prato principal desta edição do Vencedor. Vamos começar pelos aperitivos, pelo debate quinzenal. O que achaste? Ui. Eu estava a olhar para a tua cara e a antecipar essa reação. Olha, lei laboral. Sim. INEM, saúde, médicos e listas de espera, impostos que aumentaram ou não aumentaram, não sabemos. Tempestades, o relatório do Presidente da República. E junto o relatório do Presidente da República sobre as tempestades e o SIRESP, como as novidades, porque acrescentaram aos temas que sistematicamente têm marcado estes debates quinzenais e que ilustram, diria eu bem, e o aeroporto também. E o calor, também se falou do calor. Isso não reparei. Também não. Foi logo no arranque. Falhou esse. Que estava muito calor ali dentro. Que estava calor e qual era o plano do governo para os trabalhadores por causa do calor. Ora bem, isto também reflete um bocadinho aquilo que, na prática, nós estamos a ver em matéria de governação. Nós saímos do mesmo sítio e vamos acrescentando temas que são mais ou menos da espuma dos dias. Neste momento temos o SIRESP como uma das espumas do dia, que foi a novidade deste debate. Além disso, foi também um debate em que se resolveu ir para a banda desenhada. Ventura, Peter Pan. Para os desenhos animados. Peter Pan para Montenegro, Cebolinha para o Hugo Soares. Foi o Hugo Soares que lançou o tom, ao chamar Lucky Luke ao André Ventura e Speedy Gonzales ao José Luís Carneiro. Mas no meio deste debate todo, eu ia olhar para um aspecto muito de detalhe, se quiseres, que é o facto de o primeiro-ministro ter responsabilizado as autarquias pelos atrasos, pelos problemas que continuam a existir no terreno em matéria de apoios às empresas e às pessoas que foram vítimas das tempestades. Diz o primeiro-ministro que delegou as tarefas nas autarquias, porque confia nelas, mas que elas estão exauridas de trabalho. Então por que delegou, se à partida se via que elas não tinham capacidade para executar? Nós sabemos que as autarquias, sobretudo as autarquias mais pequenas, é uma escolha nossa andar a dividir o país em bocadinhos tão pequeninos. Mas sendo uma escolha nossa, nós sabemos que as autarquias não têm massa crítica para resolver alguns problemas e, sobretudo, a catadupa de problemas que lhes caíram em cima nas tempestades. O governo não pode desresponsabilizar-se dizendo que delegou nas autarquias porque confia nelas, sabendo perfeitamente, ou devia saber, que elas não tinham capacidade e vir agora dizer-nos que está também o primeiro-ministro muito insatisfeito com os resultados. Com os atrasos. E com os atrasos que se verificaram. Penso que é mais um sinal de que não devia ter abordado o problema assim. Era um problema grave, as autarquias mais pequenas não têm capacidade e aquilo que nós temos ouvido é que há uma série de atrasos e há casos em que não houve sequer uma resposta. Portanto, eu daria mais atenção a este aspecto, que não percebo como é que o primeiro-ministro considera que pode deixar de ter responsabilidade naquilo que se está a passar. E por que ele escolheu delegar nas autarquias, por que não envolveu toda a administração pública? É verdade que criou uma bolsa de técnicos, eu confere isso, mas acho que foi criado logo na altura uma bolsa de técnicos. Hoje anunciou outra, então. Ok, então anunciou outra. Foi anunciada uma bolsa. Eles na altura envolveram todas as ordens, inclusivamente, lembras-te? Sim, lembro-me. Envolveram as ordens para apoiar as autarquias. Agora, obviamente que, conhecendo o país, é natural que as autarquias não tenham meios. Elas nem têm que ter, porque elas estão construídas para a escala dos problemas que têm. São pequenas autarquias, muitas delas. E, portanto, não têm que ter. Não me parece correto que o primeiro-ministro tenha descartado ou tenha retirado de cima de si a responsabilidade do que se está a passar, e penso que é bastante responsável, e o relatório do presidente, independentemente da opinião que se possa ter, se devia ou não fazer este tipo de relatórios, eu acho que devia, mas não é consensual, mostra bem que há aqui problemas na abordagem que o governo teve em relação a este problema, passe a repetição. Judite, tu também estiveste a ver e a ouvir o debate quinzenal e pegando no início da análise da Helena, achas que corremos o risco de mais dia, menos dia, vermos reproduzido no Parlamento aquele diálogo que estará a ter lugar agora em diversos automóveis, que éQuando os pais perguntam aos filhos: "Então como foi o teu dia de escola hoje? O que é que almoçaste?" A essa resposta, normalmente as crianças respondem: "Foi bom." Exato. Ponto final. Sem mais nada. Sobre este debate, foi assim, assim. Também podemos ficar por aqui, não há muito mais pra dizer, porque de facto foram aos pontos todos que a Helena estava a falar. Em relação ao relatório de António José Seguro, aquilo que diz o primeiro-ministro é que o PTRR já incorpora os contributos do Presidente da República e, portanto, justificou-se de alguma forma perante as críticas da Presidência da República, do que está no relatório. Admitiu que nem tudo correu bem em relação às tempestades, nós demos conta. Ainda assim, fez clara defesa da atuação do governo, que era aquilo que se estaria mais ou menos à espera. Eu não quero repetir-me em relação àquilo que disse a Helena, só queria fazer aqui uma nota em relação ao Partido Socialista, porque José Luís Carneiro conseguiu falar mais uma vez no IVA zero. Eu acho que é inacreditável a quantidade de vezes que José Luís Carneiro já pediu o IVA zero e todas as vezes Luís Montenegro diz que não, que ainda não é a altura, e José Luís Carneiro não resiste e pede de novo e outra vez pelo IVA zero, acabando por deixar na memória daqueles que ouvem o debate muito pouco em relação àquilo que o PS apresenta. É verdade que falou sobre os dados da saúde, foi importante essa parte, mas lá está, podia ter deixado o foco aí, escusava ter repescado o IVA zero mais uma vez, porque em relação àquilo que disse sobre a saúde, disse coisas importantes sobre os dados oficiais, que mostram que há menos consultas realizadas em centros de saúde, menos 2000 consultas por dia, isto é muito. E também criticou a reforma do INEM. Eu acho que José Luís Carneiro podia ter ficado por aqui e escusava ter ido falar do IVA zero mais uma vez. Em relação só à questão dos aeroportos, que também foi falada, Montenegro culpou mais uma vez o sistema europeu pelas filas, deu o exemplo de Frankfurt, disse que em Frankfurt houve um dia que teve uma fila de meio quilómetro, mas veio admitir suspender procedimentos nas horas de maior pressão em Lisboa, que é isso que toda a gente está à espera. Alexandre. Boa tarde. Sim, foi um debate, como diz a Judite. Isso, foi bom, foi como os outros. Mas com esta questão de ter tido muitos temas e este colorido das personagens de BD. Espaço da banda desenhada. Relativamente. De facto marcou o tom e houve muitos risos. A parte quase mais engraçada é ver André Ventura sucessivamente a disparar a Hugo Soares tiros destros e Hugo Soares a rir-se. A rir-se desalmadamente, aliás. A rir-se imenso. Houve outros momentos divertidos, como Paulo Raimundo e Luís Montenegro também se estarem a rir um com o outro, que foi o que eu esperava. Da família Raimundo. Da família Raimundo. E Paulo Raimundo até a dizer que o primeiro-ministro tinha sido muito inteligente na resposta e o primeiro-ministro a agradecer e a dizer que lhe está a dar toda a razão. E Paulo Raimundo a dizer que é a única pessoa naquele Parlamento solidária com ele. Porque de facto é inacreditável. Já dá para tudo. Dá para tudo. Tivemos o LIVRE a falar pelo menos três vezes no Papa. É verdade, é isso mesmo. A pedir ao governo pra ouvir o Papa. Está tudo louco. Outra coisa também involuntariamente cômica é perceber como de facto o Parlamento está cada vez mais ruidoso e as pessoas atropelam-se a falar. Não sei se repararam naquele momento em que Mariana Leitão estava a começar a intervir e teve de mandar calar o seu próprio líder parlamentar, porque ele estava a concordar demasiado nos apartes, exatamente, e em voz demasiado alta. Agora o conteúdo. O que resulta daqui? Queres também ir? Tu também? Agora queres ir ao conteúdo. Para te satisfazer, eu acho que se estivesse no lugar do governo e do PSD em particular, ficava mais preocupado e não me ria tanto, porque o governo tem que ter apoio em algum lado. Este, em particular, que é minoritário, qualquer um, mesmo que fosse majoritário, mas este vai sendo difícil de perceber, tirando as vitórias que consegue fáceis. Quer dizer, não são fáceis, mas tirando que ganha muitas vezes nestes debates ao PS, porque de facto falta a José Luís Carneiro, falta o tipo de atributos, parece-me, que funcionam em debate. É preciso de facto ser um bocado mais matador. Se fosse futebol diria que José Luís Carneiro até pode ser um bom médio, mas não é um finalizador e isso nota-se muito perante a oposição de André Ventura, por exemplo. E mesmo Montenegro, que sempre foi um bom parlamentar. Mas pode conseguir essas vitórias. Mas isso, de facto, é pouco, particularmente quando a oposição é liderada pelo Chega, quando André Ventura chega lá, e falaremos disto mais adiante, de novo com o suplemento de alma que Pedro Passos Coelho lhe faz o favor de dar semanalmente. Quando agora também tem veladamente as críticas do presidente, quando vamos ver como é que gera essa relação com o presidente, a partir do que for o destino da proposta do pacote laboral, e quando aparentemente também não tem propriamente o apoio do eleitorado, dizem as últimas sondagens. Portanto, este discurso, eu entendo a importância do bluff no pôquer, entendo que às vezes é preciso a gente fingir que tem imenso jogo pra conseguir ganhar, mas não sei até onde é que isto chega.Chega, involuntariamente disse isto. Acho que funciona nos momentos em que Luís Montenegro consegue o posicionamento, e hoje teve algumas oportunidades de fazer isso, de dizer: "Nós não somos nem o Chega nem o PS, nós nem temos ritmo a mais, nem ritmo a menos, temos o nosso ritmo e vamos lá chegar." E temos endurance. Exatamente, nessa ele esteve bem. Isto não é o sprint que rebentávamos logo, nós somos corredores de maratona e vamos lá chegar. E tem razão numa coisa que me parece que depois ficou perfeitamente escondida no debate, mas que é justo dizer, parece-me, que é: apesar de tudo, nos últimos tempos, o governo já tem tentado fazer algumas coisas e precisam, de fato, de tempo para ver. A nova lei orgânica do INEM precisa de tempo para ver o que é que lá está. As propostas da educação de que falámos aqui e que vão agora para o terreno, nomeadamente as novas universidades e que precisa de tempo para ver, a lei que revê a situação dos tarefeiros no SNS, e são assuntos muito delicados, como todos sabemos, não têm uma solução fácil e têm o mérito de estar a tentar mexer-lhes e precisamos de ver se chegam a algum lado ou não. Mas fica ou não cada vez mais evidente, agora olhando aqui mais para o modelo dos debates quinzenais, e já temos anos de debates quinzenais com vários primeiros-ministros, que o primeiro-ministro consegue sempre sair bem dos debates ou por cima. Quem está no poder ganha sempre, em geral. A regra geral tem sido essa. Eu não me lembro de algum debate que o primeiro-ministro não tenha vencido. Mesmo quando há temas quentes, complicados, difíceis para o governo. Usando aqui a expressão mais dos economistas, há aqui uma assimetria de informação. O primeiro-ministro tem sempre mais informação do que todos os outros e tem sempre a possibilidade de introduzir novos temas e até de anunciar novas medidas. Não foi o caso. Acho que anunciou a bolsa de técnicos e por esse via ele tem. E a moratória das empresas, mais ou menos. E a moratória dos 12 meses para as empresas. Mas isso já tinha sido no passado. Eu acho que já tinha sido. Já. A moratória, já. Eu acho que a moratória de hoje foi novidade. Eu presumo que sim, também. Ah, vem? Mas no outro também tivemos moratória, no final de abril. Pois. Eu achei que a moratória- Não sei. Agora estou na dúvida Eu penso que sim. Pronto, cá está. Depois, como a memória é curta, também até pode estar a anunciar as mesmas medidas que a própria oposição depois também não está muito atenta, porque está focada na sua agenda. Porque se nós repararmos, nós temos os mesmos temas, não só porque o governo aparentemente está bloqueado em alguns destes temas, mas também porque a própria oposição não encontra outros temas. Como tu disseste, é o IVA zero. O imposto nos combustíveis também. Sim, exato. É o subiu ou não subiu os impostos, com o PS sempre a dizer que aquela reposição é uma subida de impostos e o governo a dizer que não é. A própria oposição comete esse erro. O PS, pelo menos. Não traz nada de fresco. Sim, e revela-se pouco eficaz. Sim, eu acho que sim. E acho que este modelo, de fato, tens razão, se pensarmos nisso, beneficia sempre o governo. O modelo é justo. Não, o modelo é justo. Sim, o modelo digamos que é um pega de caras, portanto é justa. Mas quem está no poder tem sempre uma vantagem competitiva, digamos assim. Se calhar a minha análise está afetada pela forma como o debate é feito, por exemplo, no Parlamento inglês, que é muito mais duro, muito mais cara a cara. Mais próximos. As coisas fazem mais mossa. Claro que há um lado aqui de performance associado a tudo isto, mas que também é importante. Vamos a notas ao debate quinzenal. Alexandre, queres dar uma nota? Sim, pode ser. Se me permites só que comece o que estavas a dizer, eu penso que também isso favorece essa questão, favorece, neste caso, o primeiro-ministro em Portugal, o número de partidos que está na Assembleia, porque vais rodando, há partidos que não têm nem a mesma informação, nem o mesmo músculo, enfim, uma quantidade de coisas e, portanto, permitem como fala o partido, venha a resposta ao primeiro-ministro. Frequentemente, tens sete respostas ótimas do primeiro-ministro a uma quantidade de coisas. Mesmo o acompanhamento dos média que vais ter, vai permitir ver não sei quantas intervenções do primeiro-ministro. Mas confesso que nesta em particular, por exemplo, discordo. Acho que o vencedor aqui é André Ventura. Ou seja, acho que o Montenegro ganha muitas vezes o José Luís Carneiro. Às vezes ganha André Ventura, por exemplo, neste aqui não me parece. Acho que, de fato, é fora. Vamos à tua nota. A minha nota fica só para o primeiro-ministro, neste caso, é um nove. Helena? Eu ao primeiro-ministro, um 10 pra ele ir melhorando a nota e sobretudo nestas questões mais emergentes e urgentes, como são o apoio às pessoas vítimas da tempestade. Justito. E eu acho que no cômputo geral saiu-se para lhe dar um 12. Já voltamos para a segunda parte de "E o Vencedor É?". Ainda vamos falar sobre Pedro Passos Coelho e André Ventura. Segunda parte de "E o Vencedor É?", com Judite França, Helena Garrido e Alexandre Borges. Vamos à procura de significados agora nesta parte de "E o Vencedor É?". Alexandre Borges, tu consegues vislumbrar significados do ponto de vista do destinatário sobre a mais recente intervenção de Pedro Passos Coelho? Enfim, há poucos candidatos, a lista vai-se fechando. Mas deixa-me começar por assinalar que descobri, tenho aqui pra partilhar com os nossos ouvintes, eu descobri a fórmulaSecreta do best-seller, infalível do best-seller. Não precisas saber escrever. Repara, queres um livro bem-sucedido, não tens que o saber escrever. Porque tu achas que eu vim pra rádio. Não é o teu sonho. Mas agora já podes resolver isso. Não te querendo perder na rádio, podes fazer as duas coisas ao mesmo tempo, que repara, isto é tudo muito rápido. Tu pedes ao ChatGPT que te escreva um livro, a Páscoa escolhe, que eu apresento, e a Carla Santos Silva que o compra. São dezenas de milhares de livros vendidos num instantinho. E nota-me isto, neste processo, não é preciso que alguém tenha chegado a ler o livro. Eu admito que Páscoe lhe leia os livros que apresenta. De certeza que os lê. Mas já repararam como ele faz mais ou menos o mesmo discurso em todas as apresentações? Ou os livros são todos iguais, ou ele fala muito das mesmas coisas. Ele fala sobre o que quer, independentemente do livro. Aqui está. É isso. O livro é o pretexto. É uma ideia extravagante, mas de facto vende imensos livros sem que ninguém realmente precise de os ler. E neste caso, fica a nota de que era um livro chamado, eu vou dar esta notícia em primeira mão, o livro chamava-se "A Constituição Fluida", era este o nome do livro de Barros Morales. E sobre esta intervenção, e temos tido o gosto de estar aqui, a gente está sempre, eu e a Helena temos apanhado aqui, isto já é uma rubrica, a aparição semanal de Pedro Passos Coelho. Sempre que estamos aqui os dois. Exatamente, há aqui qualquer coisa. Há uma química. E desta vez, embora de facto permaneça muito do que vem sendo repetido, e muita crítica aos políticos em geral, Pedro Passos Coelho vai mexendo no headline, vai mexendo nas palavras que vão jogar pra manchete. Mas foi duro. Sim, tem subido o tom. Houve uma altura em que eram umas críticas assim, assado, os politiquices. Depois, na semana passada era a Carochinha, estou farto de histórias da Carochinha, de uma semana pra outra, passou para prostitutos sem caráter. E escalou rapidamente a história infantil. O que é que virá pra semana? É o meu receio, é que isto está complicado. E é um pouco impaciente, vejamos, porque apesar de tudo, um governo fazer reformas de uma semana pra outra torna-se difícil. Acho, e agora um pouquinho mais a sério, se já tenho sido crítico de umas intervenções de Pedro Passos Coelho, porque ao contrário do que lhe era reconhecido enquanto primeiro-ministro, foram sabotando e criando instabilidade dentro do seu próprio partido. E eu ainda sou do tempo em que Pedro Passos Coelho dizia que não se pronunciava, não estava na política ativa, nas presidenciais, que foram há imenso tempo, eu sei. Em que se recusou sempre a prestar qualquer espécie de apoio ou comentário ao candidato do seu próprio partido, entre outras coisas, e agora comenta até nomeações de ministros, como fez com Luís Neves. Mas nas últimas intervenções, Pedro Passos Coelho parecia estar a distribuir um pouquinho mais a crítica e a ser mais moderado nas palavras, mas agora esta volta. Tenho que ser honesto, isto é sonso. A mim cheira-me a sonsice, e há três pontos em que é sonsice, que são: um é fazer o discurso permanente à frente das câmeras, quer dizer, neste caso, com André Ventura ao lado, eram várias câmeras à volta, os microfones não estão lá a fazer esta conversa. Naquela conversa. Exatamente, esta conversa tranquilamente. Ele perguntou se ia ser pai. Exatamente. Pela segunda vez, disse ele. Com André Ventura meio encavacado, quer dizer, quem estava a fazer aquela conversa, André Ventura, que normalmente domina os salões e é alguém a quem reconhecemos muito mais essa coisa de querer estar a falar e supostamente apostar lá de Pedro Passos Coelho. Desta vez parecia que era Pedro Passos Coelho que queria estar a alimentar aquela conversa. Dois, a reincidência na nota, e desta vez, francamente forçado: "Ah, isso eu não sei, o doutor André Ventura é que está na política ativa, eu não estou." Convencerá muita gente, não me convence. É inútil. Então a insistência nisso. Terceiro ponto, aliás, há quatro. Um que tem a ver muito com a tua pergunta, que é: agora começamos a precisar de nomes. Então faça o favor, Pedro Passos Coelho, tem que passar a dizer os nomes, quer dizer, a distribuir insultos assim, e isto é, prostitutos sem caráter, tem que começar a dar nomes. Isso quer pela Europa toda. Pode dizer assim tornará mais fácil aos visados responderem? Não, acho que fica feio. E depois o quarto é, e aqui o Miguel Pinheiro lembrava isto hoje de manhã, é que a última vez que vimos Pedro Passos Coelho, ele supostamente tinha chegado à conclusão que com o Chega não dava pra contar. Não dava pra contar, porque afinal o Chega era populista. E não lhe ocorreu dizer afinal nesta conversa em todo esse tempo com André Ventura, não lhe ocorreu, isto era o que o Miguel dizia de manhã, e não dá pra não dizer outra vez. Dizer assim: "Então, isso agora, quer baixar a idade da reforma em Portugal como? Mas que ideia é essa?" Com a breca. Mas isto desta vez não aparece neste diálogo. Bom. Cada vez que você chama isto, tu suspiras, Helena. Suspiro, é tudo muito complicado e muito complexo. A quem é que se dirigia? Eu ia abordar a questão mais pela tua pergunta inicial. Para quem está Pedro Passos Coelho a falar? Nós aqui de manhã no Observador tivemos a Paula Teixeira da Cruz, que defendeu que estávamos todos a fazer interpretações abusivas da intervenção de Pedro Passos Coelho ontem na apresentação do livro. A Paula Teixeira da Cruz não diz bem que Pedro Passos Coelho estava a falar para André Ventura e não para Luís Montenegro, mas quase que dá a entender que seria isso. Bom, eu diria que o melhor que se consegue é dizer que Pedro Passos Coelho estava a falar em abstrato e deixando a mensagem geral que não se combate o populismo é fingir que se é populista, mas é muito difícil nós ficarmos com esta interpretação. Não apenas porque Pedro Passos Coelho tem criticadoAliás, logo o André Ventura falou da falta de ritmo e da impaciência que as pessoas começavam a sentir em relação ao governo. Mas nós temos de enquadrar isto também num outro contexto. Começa a estar generalizada a informação de que existe um crescente mal-estar dentro do PSD, com queixas diversas, quer um crescente mal-estar por considerar que o governo não tem sido capaz de executar, como diz Pedro Passos Coelho, ao ritmo que seria necessário, como também há muitos críticos em relação a tudo o que se tem passado com a reforma na legislação laboral e também nalguma centralização que tem havido dentro do grupo parlamentar, com pouca participação dos deputados. Isto é um primeiro ponto. Sabendo nós isto, esta elevação de tom de Pedro Passos Coelho quase que parece também responder a esse anseio dessas pessoas. E este elevar de tom, sobretudo o tom mais agressivo e até alguma deselegância na linguagem, que obviamente houve logo analistas que recolaram que quem usou uma expressão semelhante foi André Ventura em 2024, em que acusou o PSD de ser uma espécie de prostituta política, dificilmente nos leva a dizer que há outra pessoa que não seja Montenegro o alvo. É difícil, mesmo que uma pessoa se esforce e diga: "Não, está a falar em termos abstratos." Todo este contexto, a história das intervenções, o contexto em que o PSD está neste momento também a viver e o próprio tom de Pedro Passos Coelho, cada vez mais assertivo, é muito difícil dizer. Eu diria que se alguma coisa nos diz o que se passou é que o nível de impaciência também está a contaminar Pedro Passos Coelho. Pedro Passos Coelho disse que as pessoas estavam a ficar um bocado impacientes. Penso que Pedro Passos Coelho também está a ficar muito impaciente e eventualmente os próprios passistas em relação ao seu regresso. Judite. E a pergunta é: qual é o objetivo de Pedro Passos Coelho? Essa é a pergunta que eu gostava de conseguir responder, porque a única coisa que me parece que Pedro Passos Coelho quer fazer é estragar a vida a Luís Montenegro, porque de outra forma não se percebe este tipo de tom. Recordavas há pouco que André Ventura utilizou esse tom. Na altura, Montenegro ficou tão indignado que disse que essa expressão justificava, era um argumento central para justificar o não é não ao Chega, que a linguagem de Ventura representava o grau zero da política. Portanto, imagino que pense o mesmo de Pedro Passos Coelho, ainda pior, porque na altura chamou ao PSD uma espécie de prostituta política. Aqui a acusação é mais direcionada, não é? Mas é para os que querem parecer ser populistas. Para os que querem parecer ser populistas, porque o genuíno é sempre melhor do que a cópia. Eu acho que Passos Coelho quer sempre ser uma voz incômoda e mostrar que é o político que não tem medo de perder e que defende aquilo que acredita. E eu acho que essa mensagem está sempre no discurso. Que se lixem as eleições. Eu sou o político que acabo sempre por ter um argumento permanente da minha forma de ser e de estar, e de como sou franco. E acho que esse tipo de percurso tem vindo num crescente tal nos últimos tempos, que não sei o que será a próxima declaração de Pedro Passos Coelho depois desta. Se é para continuar neste crescendo. Não, é que agora vem a Feira do Livro, começa hoje, portanto eu temo a quantidade de livros a serem apresentados. Vamos às notas para dar aqui um minuto e meio à Helena para falar do Banco de Portugal. Só eu sozinha? Eu a Pedro Passos Coelho dou um cinco, porque acho que isto não é conversa. Alexandre. Eu também acho que desta vez foi um bocado deselegante. É um sete. Helena. Meu Deus, eu vou ficar aqui generosa. Eu dou um 12 para melhoria de nota. E fundamentalmente por causa da linguagem. Exato. E ainda queres falar sobre uma medida do Banco de Portugal que está para avançar, que no fundo reduz a taxa de esforço de 50% para 45%, aperta a malha à possibilidade de conseguir um empréstimo. Isto merece nota positiva ou negativa? Positiva, bastante positiva. A medida parece um bocadinho mais exigente do que realmente é, porque simultaneamente também aumenta a maturidade do empréstimo. Ou seja, de 37 para 40 anos, o que significa que dilui a prestação e, portanto, os 45% podem não ser assim tão difíceis de atingir se fosse só os 50 para 45. São poucos anos. São muito poucos anos. Sim, são três anos, mas seja como for. E acho que fazem empréstimos a 40 ou não? Não. A recomendação do Banco de Portugal é média de 37 anos para quem tem 35 anos, mas agora pode ir até aos 40. O governador justifica isso com o aumento da esperança média de vida. Mas detalhes técnicos à parte, vamos à questão: o que se está a passar? O endividamento das famílias e das empresas, mas sobretudo das famíliasAumentou e está a aumentar significativamente por causa do crédito à habitação. E o que o governador diz é: todos sabemos que o preço da habitação em Portugal disparou, é o país com maior subida. Temos aqui um risco de colapso dos preços. Se houver colapso dos preços e se tudo isto se conjugar com o aumento de taxas de juro, ainda ontem o Banco Central Europeu disse que ia aumentar as taxas de juro, estamos a viver momentos de enorme instabilidade, a qualquer momento pode haver uma tempestade financeira, uma recessão. Não estamos a viver num ambiente muito estável e tudo isso pode gerar problemas graves para as pessoas que se endividaram e indiretamente para os bancos. Achas prudente. Acho prudente que faça isso e sempre achei imprudente o governo ter avançado com aquela medida, a medida da garantia. Percebo que é preciso garantir habitação, mas devia simultaneamente ter acelerado a construção de habitação, porque aquilo que está a acontecer é estarmos a expor as pessoas e o sistema financeiro a um risco que podemos pagar caro. A minha nota é 18 para Álvaro Santos Pereira. O Sandro e a Judite não concordam, mas é a vida. Mandei mensagem. Não tivemos tempo. Eu escrevo um e-mail. Desculpe. Podes mandar um e-mail? Manda um e-mail. Podem deixar só a nota. Não, é justo, estás a esquecer-te de uma coisa. Não, isso tem sido sempre. Isto precisa de desenvolvimento. Um especialista não resume as coisas assim. As palavras não precisariam de muito tempo. Vamos voltar. Vamos voltar a este tema. Sim, voltamos. Voltamos a este tema para a semana. Fica prometido. O "Isto É Estoril" regressa amanhã de manhã, nas manhãs 360. Esta quinta-feira com a Sara Antunes Oliveira, que se junta ao José Manuel Fernandes, ao Bruno Vieira Amaral e ao Paulo Ferreira. Ricardo Conceição, Judite França