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MONTENEGRO RESPONDE A PASSOS COM METÁFORA DA MARATONA

Jornal de Notícias Online

2026-05-27 21:08:31

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante o debate parlamentar Foto: Miguel A. Lopes / Lusa As declarações de Pedro Passos Coelho sobre a necessidade de "mais ritmo" na política portuguesa e as críticas aos políticos que se tornam "postiços", comparando-os a "prostitutos sem caráter", dominaram esta quarta-feira o debate político, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder do Chega, André Ventura, a disputarem a interpretação das palavras do antigo chefe do Governo social-democrata. No debate quinzenal na Assembleia da República, Montenegro procurou relativizar as críticas de Pedro Passos Coelho, recorrendo à metáfora de um "corredor de fundo" para defender a estratégia do executivo PSD/CDS. "Somos corredores com "endurance", somos corredores de fundo, somos corredores que sabem que para chegar ao fim numa maratona não se pode "sprintar" nos primeiros tempos", afirmou o primeiro-ministro, sustentando que o Governo segue "o seu ritmo", sem acelerar em excesso nem ficar para trás. A resposta surgiu depois de o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, ter ironizado com as críticas dirigidas ao executivo. O comunista afirmou ser "a única pessoa neste Parlamento solidária com o primeiro-ministro", argumentando que o Governo tem tido "ritmo" suficiente no "desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde", no ataque aos direitos laborais e na transformação de áreas como a habitação ou as creches em "negócio". Montenegro aproveitou então a deixa para responder indiretamente a Passos Coelho, que na terça-feira, num evento em Lisboa ao lado de Ventura, admitira que os portugueses estão "impacientes" e desejariam "um pouco mais de ritmo" na governação. Ventura diz que Passos se referia ao Governo Se o primeiro-ministro procurou suavizar o alcance político das declarações do antigo líder do PSD, André Ventura fez precisamente o contrário, tentando colar as críticas diretamente ao Executivo. À saída de uma audiência com o presidente da República, António José Seguro, o líder do Chega defendeu que Passos Coelho estava claramente a visar o Governo quando criticou políticos que governam a pensar "nas próximas eleições" e não "nas próximas gerações". "Só está a governar uma entidade, que é o Governo", afirmou Ventura, considerando que o antigo primeiro-ministro denunciou a falta de reformas estruturais do Executivo liderado por Montenegro. O presidente do Chega atacou ainda várias iniciativas do Governo, classificando a reforma do Estado como um "bar aberto de corrupção", a reforma laboral como "um desastre a céu aberto" e a reforma da Justiça como algo "que ainda não conseguimos ver". Apesar de evitar comentar diretamente a expressão usada por Passos Coelho, Ventura elogiou o ex-primeiro-ministro por não querer ser "politicamente correto" e por manter "um pensamento próprio". "Pedro Passos Coelho diz o que pensa, como pensa", afirmou, defendendo que o país precisa de "políticos inconformados, reformistas, que lutem contra a corrupção". Ventura foi mais longe e admitiu mesmo que gostaria de ver Passos Coelho apoiado pelo Chega numa eventual candidatura presidencial futura. "Seria uma enorme mais-valia para o país", afirmou. António José Gouveia