LUCE: O JÁ CONTROVERSO FERRARI ELÉTRICO QUE QUER REDEFINIR A PRÓPRIA IDEIA DE SUPERDESPORTIVO
2026-05-27 21:08:49

Com 1050 cv, quatro motores elétricos, arquitetura de 800 volts e uma abordagem inédita ao luxo tecnológico, o novo Ferrari Luce marca a entrada histórica da marca de Maranello na era 100% elétrica. Mas mais do que um “Ferrari elétrico”, o Luce surge como um manifesto técnico e conceptual sobre o futuro da performance italiana. Posicione a Sua Marca Aqui A Ferrari abriu oficialmente um novo capítulo da sua história com a apresentação do Luce, o primeiro modelo totalmente elétrico produzido pela marca de Maranello. Revelado em Roma, num gesto carregado de simbolismo histórico para a construtora italiana, o novo modelo assume-se como um dos projetos mais ambiciosos (e já controversos) alguma vez desenvolvidos pela Ferrari, não apenas pelo facto de abandonar o motor de combustão, mas sobretudo pela forma como procura reinterpretar os pilares da marca numa arquitetura totalmente inédita. Longe de ser apenas uma adaptação elétrica de um Ferrari tradicional, o Luce nasce sobre uma plataforma específica desenvolvida de raiz para esta motorização, permitindo explorar soluções impossíveis num automóvel de combustão convencional. O resultado é um GT de cinco lugares e quatro portas, com um nível de habitabilidade sem precedentes na Ferrari, combinado com números dignos de um hipercarro: 1050 cv de potência máxima, aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,5 segundos e velocidade máxima superior a 310 km/h. O projeto contou ainda com uma colaboração inédita entre a Ferrari e a LoveFrom, coletivo criativo liderado por Sir Jony Ive e Marc Newson, responsável por introduzir uma nova linguagem estética e tecnológica ao modelo. O objetivo não era apenas desenhar um Ferrari elétrico, mas criar um novo tipo de Ferrari, mais tecnológico, mais confortável e simultaneamente fiel à obsessão da marca pela experiência de condução. Uma arquitetura elétrica sem precedentes em Maranello O Ferrari Luce utiliza uma arquitetura elétrica de 800 volts e quatro motores elétricos independentes - um por roda - permitindo um nível de controlo dinâmico praticamente impossível de replicar num modelo convencional. A gestão individual de binário em cada roda, associada à direção traseira independente e à suspensão ativa eletronicamente controlada, cria um dos sistemas de dinâmica veicular mais complexos alguma vez desenvolvidos pela marca italiana. A Ferrari procurou manter uma identidade própria também na forma como entrega a potência. Em vez da aceleração instantânea e linear típica dos elétricos, o Luce incorpora um sistema patenteado chamado Torque Shift Engagement, que utiliza patilhas atrás do volante para modular progressivamente a entrega de binário e a regeneração. O objetivo é devolver ao condutor uma sensação mais mecânica, emocional e interativa. O sistema elétrico integra uma bateria estrutural de 122 kWh desenvolvida internamente em Maranello, composta por 210 células distribuídas em 15 módulos. A Ferrari anuncia carregamentos rápidos até 350 kW, permitindo recuperar cerca de 70 kWh em apenas 20 minutos. A autonomia declarada supera os 530 quilómetros. Design: menos agressividade visual, mais pureza aerodinâmica Visualmente, o Luce rompe radicalmente com a agressividade típica dos Ferrari recentes. A carroçaria aposta em superfícies contínuas e fluidas, sem entradas de ar exageradas ou vincos excessivos, numa abordagem fortemente influenciada pela aerodinâmica e pela eficiência energética. A enorme área vidrada torna-se um dos elementos centrais do design, criando uma silhueta quase monolítica. As jantes também impressionam pelas dimensões inéditas num Ferrari de produção: 23 polegadas à frente e 24 atrás. Já os grupos óticos traseiros procuram reinterpretar referências históricas como o Ferrari 360 Modena e o 458 Italia através de um desenho circular minimalista. No interior, o Luce apresenta uma abordagem radicalmente diferente da atual tendência digital excessiva. A Ferrari mistura botões físicos maquinados em alumínio com superfícies OLED desenvolvidas especificamente pela Samsung Display. O volante incorpora múltiplos comandos táteis e físicos, enquanto o painel de instrumentos aposta numa leitura mais técnica e funcional, inspirada no universo aeronáutico. Som artificial? Ferrari responde de forma diferente Uma das maiores polémicas em torno dos desportivos elétricos continua a ser a ausência de emoção sonora. A Ferrari decidiu não recorrer a sons artificiais pré-gravados. Em vez disso, desenvolveu um sistema que capta as vibrações reais dos motores elétricos e dos componentes mecânicos através de acelerómetros instalados nos eixos. O sinal é depois processado e amplificado em tempo real, criando uma assinatura sonora genuinamente ligada ao funcionamento do automóvel. Segundo a Ferrari, o objetivo não era imitar um motor V8 ou V12, mas criar uma nova identidade sonora coerente com a filosofia da marca. O resultado pode variar consoante o modo de condução escolhido no e-Manettino, passando de uma experiência silenciosa em “Range” para uma sonoridade mais intensa e emocional em “Performance”. Tecnologia, conforto e um novo posicionamento Apesar da performance extrema, o Luce procura também assumir-se como o Ferrari mais confortável de sempre. O modelo utiliza subchassis montados elasticamente, soluções avançadas de isolamento acústico e uma suspensão ativa derivada do Ferrari F80, permitindo reduzir drasticamente ruídos e vibrações. O sistema multimédia inclui um complexo sistema áudio com 21 altifalantes e 3000 W de potência, além de conectividade avançada integrada com Google Maps, Apple Maps EV Navigation e uma nova aplicação MyFerrari Luce dedicada ao controlo remoto do veículo. Mais do que lançar apenas um novo modelo, a Ferrari parece utilizar o Luce como uma espécie de laboratório para o futuro da marca. O desafio agora será perceber se os puristas aceitarão esta nova visão elétrica da Ferrari ou se o verdadeiro ADN emocional da marca continuará inevitavelmente associado aos seus motores de combustão. Ficha Técnica - Ferrari Luce Característica Ferrari Luce Motorização 4 motores elétricos (1 por roda) Potência máxima 772 kW / 1050 cv Binário máximo nos motores 990 Nm Binário máximo nas rodas 11.500 Nm Arquitetura elétrica 800 V Bateria 122 kWh Número de células 210 Carregamento rápido DC Até 350 kW Carregamento AC Até 22 kW Autonomia estimada Superior a 530 km 0-100 km/h 2,5 segundos 0-200 km/h 6,8 segundos Velocidade máxima Superior a 310 km/h Tração Integral elétrica Direção traseira Sim Suspensão Ativa eletronicamente Travões dianteiros CCM 390 x 34 mm Travões traseiros CCM 372 x 34 mm Jantes dianteiras 23” Jantes traseiras 24” Pneus dianteiros 265/35 R23 Pneus traseiros 315/30 R24 Comprimento 5026 mm Largura 1999 mm Altura 1544 mm Distância entre eixos 2961 mm Peso 2260 kg Distribuição de peso 47% frente / 53% traseira Bagageira 597 litros Quer estar sempre atualizado? 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