SUSTENTABILIDADE DO SNS TRAVA NOS 59,3 PONTOS COM PRESSÃO FINANCEIRA E FRAGILIDADES NO ACESSO
2026-05-27 21:08:50

Índice que mede sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde cai para 59,3 valores, pressionado por aumento da despesa, dívida vencida e pior acesso técnico, apesar do reconhecimento do impacto na produtividade e na prevenção O envelhecimento da população, a escalada das doenças crónicas, a escassez de recursos humanos e financeiros e uma evolução tecnológica que não para de correr, tudo isto ao mesmo tempo que os cidadãos exigem mais. É neste caldo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tenta manter-se de pé. E o Índice de Saúde Sustentável (IS²) , uma iniciativa da NOVA IMS em parceria com a biofarmacêutica AbbVie , agora com uma novidade metodológica que passa a incluir a prevenção, devolveu um resultado de 59,3 pontos numa escala de 0 a 100. Longe do ideal, diga-se. Olhando para as contas de 2025, a fotografia é contraditória. Por um lado, a despesa disparou 9,1% e o stock da dívida vencida saltou 31%. Uma pressão financeira que não apareceu sozinha: juntou-se uma redução “marginal” da atividade, uma ligeira queda da qualidade técnica (65,4 em 2025, contra 66,7 no ano anterior) e, mais grave, uma quebra na acessibilidade técnica do sistema , caiu de 51 para 47,6 pontos. A acessibilidade percecionada pelos utentes, essa, quase não se mexeu: 65,3 em 2025, depois de 65,5 em 2024. Os serviços estão lá, mas chegar até eles, tecnicamente falando, tornou-se mais difícil. A capacidade assistencial também encolheu 1,1%, contrariando a tendência de crescimento que se via desde 2021. E a qualidade percecionada? Estabilizou, até subiu ligeiramente: 74,5 pontos, face a 73,7 no período anterior. Os portugueses continuam a gostar dos profissionais que os atendem e da informação que recebem. Mas os tempos de espera , esses são apontados como o calcanhar de Aquiles, ano após ano. A grande novidade deste índice é a inclusão da componente preventiva. E os números trazem algum alento: 73% dos portugueses afirmam ter feito ações de prevenção no último ano. Na prática, foram maioritariamente análises (67,8%), consultas de rotina (61,7%) e exames de diagnóstico (50,6%). O índice de capacidade preventiva fixou-se nos 64,7 pontos. Longe da perfeição, mas a revelar que a cultura de prevenção já não é uma miragem. A eficácia global do SNS mantém-se estável nos 69,9 pontos. E há um dado curioso: a confiança nos cuidados evoluiu positivamente, tal como a satisfação com as urgências. É estranho, dirão alguns, mas os números são estes. Talvez porque, mesmo com demoras, quando se é atendido, o serviço vale a pena. Onde o SNS mostra mesmo cartão é no impacto económico. A análise demonstra que, sem o contributo do sistema de saúde, o índice de estado de saúde dos portugueses cairia de 74,3 para 62,2 pontos. Um ganho de 12,1 pontos que se reflete em menos dias perdidos no trabalho. Em 2025, quase metade da população ativa (47%) faltou pelo menos um dia por motivos de saúde próprios ou de familiares. Mas os cuidados do SNS evitaram a perda de 1,4 dias por pessoa, o que poupou 0,8 mil milhões de euros. E na produtividade, o impacto é ainda maior: 11,1 dias evitados por pessoa, uma poupança de 6 mil milhões. Somando as duas coisas, o retorno económico direto chega aos 6,8 mil milhões em salários, o que, ajustado à relação entre produtividade e remuneração, se traduz num retorno de 10,2 mil milhões de euros. Nem tudo são rosas na modernização. Metade dos utentes (51%) vê com bons olhos a modernização tecnológica dos equipamentos, e 56% acreditam que o SNS acompanha a evolução tecnológica na saúde. Mais: 61% dizem que o SNS usa bem as tecnologias digitais, e 57% que se adapta rápido a novos desafios. Mas a inovação terapêutica é um ponto negro. Apenas 34% dos inquiridos acreditam que os doentes em Portugal têm acesso atempado a medicamentos inovadores pelo SNS, e só 30% consideram que o sistema é rápido a incorporar novos tratamentos comparativamente a outros países da União Europeia. Ainda assim, 57% confiam que o SNS se manterá atualizado nos próximos cinco anos, e 89% concordam que investir em inovação é essencial para a sustentabilidade futura. “Os resultados deste ano mostram que a sustentabilidade do SNS não pode ser avaliada apenas pela despesa ou pela capacidade de resposta. O índice situa-se nos 59,3 pontos, num contexto em que persistem fragilidades relevantes no acesso e uma pressão financeira acrescida, mas também em que os portugueses reconhecem o impacto positivo do SNS na sua saúde, qualidade de vida e produtividade. A grande mensagem é que o futuro do SNS exige uma abordagem integrada: reforçar a prevenção, melhorar o acesso, investir na inovação e garantir que os recursos disponíveis se traduzem em ganhos efetivos para os cidadãos e para o país”, sublinha Pedro Simões Coelho, Professor da NOVA IMS e autor do estudo. PR/HN/MM Índice que mede sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde cai para 59,3 valores, pressionado por aumento da despesa, dívida vencida e pior acesso técnico, apesar do reconhecimento do impacto na produtividade e na prevenção [Additional Text]: Concept of family health, medicine for family