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“É URGENTE”: SEGURO INSISTE EM ENCONTRAR “DENOMINADORES COMUNS” NO SNS

Público Online

2026-05-27 21:08:52

Presidente criticou o estado do SNS, denunciando o “conservadorismo na organização e gestão” e a “relutância em inovar”. Pede uma “resposta conjunta” para haver “saúde a tempo e horas”. "É a prioridade das prioridades." O Presidente da República voltou a insistir nesta quarta-feira na necessidade de um pacto para a saúde que não fique refém do "calendário eleitoral" de forma a melhorar o acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). E diz ter "quase a certeza de que não será difícil encontrar convergências" entre os actores políticos e do sector. Numa conferência sobre a sustentabilidade na saúde, organizada pelo Expresso, a Nova-IMS e a AbbVie, o chefe de Estado começou por defender que é preciso "ter cautela com a generalização negativa" sobre o SNS. Lembrando que este sistema "é feito de pessoas", apontou que a "dimensão humana é frequentemente esquecida" e criticou a "visão mercantilista da saúde" que omite o trabalho dos profissionais do sector. Ainda assim, António José Seguro admitiu que "seria irresponsável ignorar as dificuldades e os desafios" do SNS, seja devido ao envelhecimento da população, "que acentua a pressão sobre o sistema", ou ao "conservadorismo persistente na organização e gestão" e à "relutância real em inovar". "Aqui, praticamente não há excepções. O interesse particular anula, com demasiada frequência, o mérito do conjunto e a eficácia na resposta ao utente", defendeu. Para o Presidente, "há quem prefira entreter-se no jogo do passa culpas". Mas, contra "as trincheiras e o oportunismo da agenda política e corporativa", Seguro insistiu na necessidade de "procurar denominadores comuns para melhorar o SNS e o acesso dos portugueses à saúde” - precisamente o objectivo do Pacto Estratégico para a Saúde que o chefe de Estado lançou e que está em marcha sob a coordenação do antigo ministro socialista Adalberto Campos Fernandes. "É a prioridade das prioridades. É urgente", vincou. Considerando que "seria indesculpável" que o Presidente não usasse a sua "magistratura de influência e o poder da sua palavra para mobilizar profissionais da saúde e decisores políticos", quis garantir que está a "cumprir a palavra dada". E reiterou que a sustentabilidade do SNS passa por uma "resposta conjunta que articule recursos humanos e financeiros, inovação, disponibilidade real para a mudança e, acima de tudo, vontade política" ao longo de "várias legislaturas", para que as soluções "não se percam nas alternâncias do calendário eleitoral". Seguro mostrou-se optimista, afirmando ter "quase a certeza de que não será difícil encontrar convergências", desde logo, "porque o SNS não é propriedade de ninguém". "São os portugueses que merecem aceder à saúde a tempo e horas, independentemente do dinheiro que têm e do local onde vivem", declarou, num novo apelo aos actores políticos e do sector. Ao longo do discurso, o Presidente teceu longas críticas ao estado do SNS, das "limitações de recursos humanos e materiais" às "dificuldades crescentes em atrair, fixar e motivar profissionais de saúde", ou à "enorme pressão com desgaste acumulado" dos profissionais de saúde. E ainda ao "acesso à saúde e tempo e horas" - um dos grandes desígnios da sua candidatura às eleições presidenciais. Além disso, sublinhou que há uma "insuficiência de médicos de família", "demoras no atendimento e nas cirurgias" e "fragilidades em áreas críticas como a oncologia e a cardiologia", criticando que estes problemas afectem sobretudo os idosos e as pessoas mais pobres. Mas mostrou-se particularmente preocupado por 12% dos portugueses não conseguirem comprar medicamentos devido ao preço, segundo um estudo da NOVA-IMS e da AbbVie. Na intervenção, Seguro sinalizou também que o país não deve "abandonar" o objectivo de aumentar a "inovação, as exportações e a nossa autonomia na área da saúde", no fundo, de criar um "sector competitivo e altamente qualificado" na saúde, através da "capacidade criativa dos portugueses" em conjunto com "capital de risco, empresas e instrumentos financeiros do Estado". tp.ocilbup@ahnogeb.ana Presidente participou numa conferência sobre a sustentabilidade da saúde ANT??NIO COTRIM / LUSA Ana Bacelar Begonha