COMO O GR COROLLA PODE COMPLICAR AS CONTAS DAS EXPORTAÇÕES BRITÂNICAS
2026-05-27 21:08:52

Há oito marcas automóveis que podem pagar caro pelo começo da produção do Toyota GR Corolla no Reino Unido, literalmente. A decisão da Toyota de começar a fabricar o GR Corolla no Reino Unido pode trazer complicações inesperadas para os construtores com fábricas no país que exportam para os EUA. O problema está na forma como o acordo comercial entre Londres e Washington foi desenhado e na quota que o limita. Depois de Donald Trump ter regressado à Casa Branca e imposto tarifas de importação a vários mercados, incluindo o britânico, os dois países chegaram a um entendimento em maio do ano passado, reduzindo as tarifas de 27,5% para 10%. Uma redução significativa, mas com uma condição que pode agora revelar-se problemática: o novo valor aplica-se apenas a uma quota anual de 100 mil veículos. Acima desse limite, todas as exportações voltam a estar sujeitas à tarifa de 27,5%, acrescida de 2,5% de tarifa base. Descubra o seu próximo automóvel: No ano passado, a Aston Martin, Bentley, JLR, Lotus, McLaren, MINI e Rolls-Royce exportaram em conjunto 97 mil unidades para os EUA, segundo dados da Automotive News Europe, ficando a apenas três mil unidades do limite estabelecido pelo acordo. Uma margem muito estreita para acomodar mais modelos que necessitem de ser exportados para os Estados Unidos. O Rolls-Royce Phantom é um dos modelos produzidos no Reino Unido exportado para os EUA. É aqui que entra a Toyota. O construtor japonês vai começar a produzir o GR Corolla no Reino Unido - onde já fabrica outras versões do Corolla - e exportá-lo para o mercado norte-americano. Não se prevê a sua comercialização no mercado europeu. O GR Corolla é produzido atualmente no Japão, com cerca de 8000 unidades destinadas aos EUA, mas esse volume é insuficiente face à procura. O objetivo é aumentar o valor para 10 mil unidades anuais. Se a fábrica britânica ficar responsável pela maioria desse volume, a quota de 100 mil veículos com tarifa reduzida será facilmente ultrapassada. E isso significa custos acrescidos para todos os construtores britânicos que exportam para os EUA, por terem absorver o custo adicional da tarifa, o que reduz o lucro por unidade exportada. Há um fator que pode atenuar o impacto que passa por manter na fábrica japonesa a responsabilidade de exportar a maioria das unidades destinadas ao mercado americano. A Toyota não avançou com nenhuma previsão de quantos GR Corolla pretende produzir por ano em solo britânico. Mariana Teles