O PRIMEIRO FERRARI ELÉTRICO IRRITA ITÁLIA: AO MENOS, É UM CARRO QUE OS CHINESES NÃO VÃO IMITAR
2026-05-27 21:09:12

Políticos, antigos responsáveis da marca, investidores e puristas do Cavallino Rampante estão a criticar abertamente o novo Luce Ouça este artigo Clique para reproduzir O primeiro carro 100% elétrico da Ferrari ainda agora foi apresentado e já provocou uma reação pouco habitual em Itália: políticos, antigos responsáveis da marca, investidores e puristas do Cavallino Rampante estão a criticar abertamente o novo Luce, um automóvel de quatro portas, cinco lugares e preço anunciado de 550 mil euros. O POLITICO relata que a contestação começou logo após a revelação do modelo, apresentado como o Ferrari “mais confortável de sempre”. A descrição, por si só, já pareceu contrariar parte do imaginário associado à marca italiana, historicamente ligada à velocidade, ao som dos motores, ao desenho agressivo e à ideia de exclusividade desportiva. O Luce marca uma rutura histórica para Maranello: é o primeiro Ferrari totalmente elétrico e também o primeiro com cinco lugares. Mas aquilo que a empresa apresenta como inovação está a ser visto por muitos como uma ameaça à identidade da marca. A reação dos mercados também não ajudou: as ações da Ferrari caíram mais de 8% estaa terça-feira, depois da apresentação do novo modelo. Matteo Salvini, ministro italiano dos Transportes e vice-primeiro-ministro, foi um dos críticos mais duros. Numa publicação nas redes sociais, atacou o preço, o desenho e a própria ideia de inovação associada ao Luce. “Elétrico, extremamente caro, 550 mil euros, e, esteticamente, fala por si Parece tudo menos um Ferrari. E isto é suposto ser inovação? Pergunto-me o que diria Enzo Ferrari”, escreveu Salvini. A contestação ganhou ainda mais peso com Luca Cordero di Montezemolo, antigo presidente da Ferrari e uma das figuras mais importantes da história recente da marca. Montezemolo, que liderou a empresa durante mais de duas décadas, afirmou que a Ferrari corre o risco de “destruir uma lenda” e defendeu que o carro não merece ostentar o emblema do Cavallino Rampante. O antigo dirigente deixou ainda uma frase que rapidamente se destacou entre as críticas ao novo modelo: “Ao menos, este é definitivamente um carro que os chineses não vão imitar”, ironizou Montezemolo, que trabalhou com Enzo Ferrari desde jovem e conhece como poucos a construção simbólica da marca. Continue a ler após a publicidade O deputado centrista Carlo Calenda também entrou na polémica, aproveitando o lançamento do Luce para voltar a criticar a família Elkann-Agnelli, maior acionista individual da Ferrari e também ligada à Stellantis. Para Calenda, o caso é mais um exemplo da forma como a família tem gerido alguns dos grandes símbolos industriais italianos. A apresentação do novo Ferrari Luce surge, por isso, num contexto mais amplo de tensão entre tradição, transição elétrica e identidade nacional. O presidente italiano, Sergio Mattarella, esteve entre os primeiros a ver o carro esta segunda-feira, numa visita guiada por John Elkann, presidente da Ferrari e herdeiro da família Agnelli. O desenho do Luce também está no centro da controvérsia. O modelo foi codesenhado por Jony Ive, antigo responsável máximo de design da Apple, e algumas reações nas redes sociais notaram semelhanças entre a estética minimalista do carro, disponível num tom azul-claro pouco habitual, e a linguagem visual dos produtos mais conhecidos da tecnológica americana. Para a Ferrari, o Luce pretende mostrar que a marca pode entrar na era elétrica sem abdicar da sua ambição tecnológica. Para muitos críticos, porém, o problema é precisamente esse: perceber até onde pode mudar uma marca lendária sem deixar de parecer ela própria. Automonitor