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SEM "LIBERDADE DE ESCOLHA": CONCENTRAÇÃO DE ANÁLISES NOS HOSPITAIS FECHAM LABORATÓRIOS PRIVADOS

TSF Online

2026-05-27 21:09:13

Duas das associações que representam laboratórios privados de patologia clínica e outros centros de exames complementares de diagnóstico estão a alertar para a desertificação destes serviços em várias zonas do país. As regiões do Algarve e do Alentejo são as mais atingidas, onde as distâncias entre a casa do utente e o laboratório podem ser superiores a uma hora. A culpa é da concentração de serviços dentro dos hospitais e do fecho dos centros privados, que deixaram de ser rentáveis. A notícia é avançada, esta quarta-feira, pelo Jornal de Notícias. Em declarações à TSF, Nuno Castro Marques, da Associação Nacional de Laboratórios Clínicos, lembra que há 40 anos que existe este sistema e que a mudança para o SNS vem dificultar a vida dos utentes. "A partir do momento em que se recusa a entrega das credenciais, os utentes são obrigados a ter de se deslocar à unidade de colheitas pública, muitas vezes no próprio hospital, o que é um erro. Estamos a obrigar as pessoas a deslocarem-se a hospitais ou a centros de saúde, em horários pré-fixos, em algumas situações com marcações prévias e muitas vezes a não terem de ir nos dias que são convenientes aos doentes, mas, sim, nos dias em que lhes indicam que têm de lá estar", explica à TSF Nuno Castro Marques, sublinhando que, dessa forma, há "uma perda de comodidade e a eliminação de um direito fundamental das pessoas, que é a liberdade de escolha e a liberdade de decisão". "Estamos a reduzir o acesso e isso é altamente preocupante, sobretudo em zonas de baixa densidade e em zonas do interior", refere. Nuno Castro Marques afirma que não há estudos que apoiem a decisão de centralizar a realização de análises e exames nos hospitais. "Todos os estudos indicam sempre a mesma conclusão: que efetivamente é custo-eficiente realizar esses MCDT [Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica] no setor convencionado. Sai mais barato ao SNS realizar estes MCDT no setor convencionado do que realizar nas próprias unidades." "Consequentemente, estamos a gastar mais dinheiro, a prejudicar a liberdade de escolha dos doentes, a prejudicar o acesso", acrescenta. SNS prioritário, mas é preciso "capacitar hospitais" Também ouvida pela TSF, a porta-voz da FNAM, Joana Bordalo e Sá, considera que, à semelhança do que está a acontecer com as urgências de ginecologia/obstetrícia, o Governo está a tentar centralizar análises e exames nos hospitais, mas sem reforçar as unidades de saúde com mais profissionais. "Os exames e as análises devem ser assegurados prioritariamente pelo Serviço Nacional de Saúde. Agora, o que nós não podemos aceitar é que se anunciem medidas sem reforçar os hospitais e os centros de saúde com médicos e técnicos. É nisso que a ministra Ana Paula Martins tem falhado claramente", atira, sublinhando que "também é preciso desmontar a ideia de que os privados garantem sempre o acesso". "Há 73 concelhos sem oferta convencionada e isto mostra precisamente que, quando o mercado não é lucrativo, os privados não têm lugar", conclui. [Additional Text]: A Associação Nacional de Laboratórios Clínicos diz que a mudança para o SNS vem dificultar a vida dos utentes Imagem do autor Inês Duarte Coelho Imagem do autor Cláudia Patrício Silva Inês Duarte Coelho