CHINA JÁ PRODUZ MAIS CARROS ELÉTRICOS DO QUE A EUROPA E OS EUA JUNTOS. CONHEÇA OS NÚMEROS!
2026-05-27 21:09:13

A Agência Internacional de Energia (em inglês, IEA) divulgou o seu relatório anual sobre veículos elétricos e os números mostram que a eletrificação da mobilidade não para, com a crise energética global a acelerar ainda mais esta transição. De acordo com o relatório, publicado no dia 20 de maio, as vendas globais de veículos elétricos cresceram 20%, em 2025, ultrapassando os 20 milhões de unidades. Isto significa que um em cada quatro carros novos vendidos no mundo foi elétrico. Para 2026, as previsões da IEA apontam para 23 milhões de unidades, o equivalente a quase 30% de todos os automóveis comercializados a nível mundial. Os recordes de vendas foram atingidos em quase 100 países, e em cerca de 40 deles os elétricos já representam mais de 10% dos novos carros vendidos. São números que, há poucos anos, pareceriam ficção científica. Vendas globais de automóveis elétricos, entre 2020 e 2026. As vendas de 2026 são estimadas com base nas tendências de mercado até ao primeiro trimestre deste ano. Os automóveis elétricos incluem veículos elétricos a bateria e veículos elétricos híbridos plug-in. Fonte: IEA (2026), Global electric car sales, 2020-2026, IEA, Paris, Licence: CC BY 4.0 A China lidera No que toca à produção, a China continua a dominar de forma esmagadora. As fabricantes chinesas foram responsáveis por 60% dos elétricos vendidos em todo o mundo, em 2025, com as exportações a duplicarem para mais de 2,5 milhões de unidades. No resto do mundo, fora dos três grandes mercados - China, Europa e Estados Unidos da América (EUA) -, 55% dos elétricos vendidos eram de origem chinesa, contra menos de 5% há apenas cinco anos. A Europa e a América do Norte contribuíram cada uma com cerca de 15% das vendas globais. Ainda assim, no primeiro trimestre de 2026, as vendas europeias subiram quase 30% em relação ao mesmo período do ano anterior, mostrando que o Velho Continente regista um apetite crescente pelos modelos eletrificados. A crise energética como motor de crescimento dos elétricos Conforme explorámos anteriormente, o conflito no Médio Oriente gerou o maior choque de oferta de petróleo da história recente, e isso está a empurrar ainda mais consumidores e governos para os veículos eletrificados. Caminho para cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o Estreito de Ormuz tornou-se o epicentro de uma crise energética global que está a redesenhar mercados, acelerar a transição elétrica e pressionar economias de todos os continentes. A volatilidade nos preços dos combustíveis torna os elétricos numa alternativa cada vez mais atrativa, tendo em conta os custos de utilização mais previsíveis. Exemplo disto são regiões como o Sudeste Asiático, onde as vendas de elétricos mais do que duplicaram, em 2025, chegando a uma quota de mercado de 20%. Especificamente, países como o Vietname já anunciaram extensões aos incentivos fiscais para modelos eletrificados em resposta à crise energética. Assim, as projeções indicam que esta região poderá atingir 60% de quota de mercado em elétricos até 2035. O futuro prevê-se elétrico Mesmo sem novas políticas públicas, a IEA estime que a frota global de elétricos (excluindo veículos de duas e três rodas) atinja os 510 milhões de veículos em 2035, face aos cerca de 80 milhões atuais. A descida contínua dos preços das baterias, com a China a controlar mais de 80% da produção global, é um dos principais motores desta expansão. Neste contexto, os veículos elétricos estão a deixar de ser um nicho para se tornarem a norma, com a transição a ser mais rápida do que muitos esperavam. [Additional Text]: Carro elétrico a carregar Vendas globais de automóveis elétricos, entre 2020 e 2026 Ana Sofia Neto