ELÉTRICOS ASSUMEM VANTAGEM NAS FROTAS EMPRESARIAIS
2026-05-27 21:09:13

Observador Lab Texto Conteúdo patrocinado por Estudo da Ayvens conclui que os veículos elétricos são a opção mais competitiva em termos de custos para as empresas portuguesas - mas a infraestrutura continua longe de acompanhar o ritmo do mercado. 27 mai. 2026, 10:00 7 min 1X 0:00 -0:00 Partilhar artigo Copiar ligação Copiado Email Facebook X Linkedin WhatsApp Observador Lab Texto Conteúdo patrocinado por 27 mai. 2026, 10:00 7 min 1X 0:00 -0:00 Partilhar artigo Copiar ligação Copiado Email Facebook X Linkedin WhatsApp As empresas portuguesas estão a chegar a uma conclusão cada vez mais óbvia sobre os veículos elétricos: apesar das dúvidas sobre autonomia, carregamento e infraestrutura, os custos começam a tornar impossível justificar alternativas a combustão. Quem o diz é Ricardo Silva, diretor comercial da Ayvens, empresa que acaba de divulgar o Estudo Mobilidade 2026. “As empresas tomam as decisões com base em três vetores: custo, ambiente e satisfação dos colaboradores. Com exceção da infraestrutura de carregamento, para as empresas está criado o contexto certo” para apostar na eletrificação das suas frotas automóveis. O Estudo Mobilidade 2026 confirma essa tendência de eletrificação das frotas empresariais, mostrando que os veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV) já representam a maioria das opções mais competitivas para as frotas quando se analisa o custo total de utilização - indicador que inclui não apenas o preço do automóvel, mas também despesas com energia, manutenção, fiscalidade e operação diária. Com as motorizações eletrificadas a dominar 81% dos perfis considerados mais vantajosos em termos financeiros, é nos automóveis ligeiros de passageiros que a tendência é mais marcada: em praticamente todos os segmentos avaliados, os elétricos surgem hoje como a solução mais económica para empresas com utilização intensiva das viaturas. A conclusão ajuda a explicar a transformação acelerada do mercado automóvel português. Em 2025, os veículos 100% elétricos alcançaram uma quota de mercado de 23,2% em Portugal, acima da média europeia e em forte crescimento face ao ano anterior (+ 17%). Ao mesmo tempo, o diesel continua a perder espaço, tanto nas vendas como na própria oferta disponível dos fabricantes, representando atualmente apenas 18% do mercado. “A eletrificação veio para ficar. Está a crescer nas vendas, na quota de mercado e na oferta disponível”, sublinha Ricardo Silva. Dúvidas houvesse, as contas estão feitas: a vantagem financeira dos elétricos voltou a aumentar. E isso é bem notório no estudo agora apresentado pela Ayvens. Para frotas com cerca de 30 mil quilómetros anuais (um dos cenários mais comuns no universo empresarial), os modelos 100% elétricos apresentam atualmente uma poupança média de 19% face às restantes motorizações. No ano passado, essa diferença situava-se nos 16%. Os elétricos destacam-se ainda como a solução mais competitiva em todos os oito segmentos analisados de veículos de passageiros. Parte desta evolução resulta da maturidade crescente do mercado. A oferta de modelos eletrificados continua a expandir-se e já representa cerca de 40% dos veículos ligeiros disponíveis. Em alguns segmentos médios e executivos, os automóveis eletrificados aproximam-se mesmo de uma posição dominante. Números que tendem a aumentar nos próximos anos. No entanto, a aceleração da procura está também a expor uma fragilidade estrutural: a rede pública de carregamento continua a crescer muito mais lentamente do que o parque automóvel elétrico. E essa não é apenas uma perceção. Portugal tem atualmente cerca de 24 veículos por carregador público, o dobro da média europeia, um desequilíbrio que começa a gerar pressão sobre os utilizadores e sobre o próprio mercado de carregamento. É também aqui que começam a surgir os principais entraves ao crescimento do setor. O relatório identifica já um ligeiro abrandamento do crescimento dos elétricos no renting durante 2025, atribuído sobretudo à falta de modelos mais acessíveis em alguns segmentos e às dificuldades enfrentadas pelos utilizadores sem carregamento privado. “Nos segmentos de entrada ainda há pouca oferta e a autonomia é insuficiente. Quando falamos com os nossos clientes percebemos que a sua principal objeção à eletrificação está na operacionalização, mesmo sendo claros os benefícios ao nível dos custos”, explica Ricardo Silva. “Se a oferta crescer nestes segmentos de entrada, isso irá potenciar uma maior adoção da eletrificação”. Segundo o responsável, para que a transição continue a acelerar em Portugal é urgente reforçar rapidamente a capacidade da rede pública de carregamento e criar condições para maior concorrência e investimento entre operadores. Ainda assim, mesmo nos cenários menos favoráveis, como aqueles em que os condutores dependem exclusivamente da rede pública, os elétricos continuam a manter vantagem competitiva na maioria dos casos analisados. Para o setor, isso sugere que a principal barreira à transição já não está tanto nos automóveis, mas na capacidade de a infraestrutura acompanhar o ritmo da mudança. “Na transição para a mobilidade elétrica já entrámos numa nova normalidade. Quando olhamos para os planos futuros dos fabricantes, percebemos que a oferta vai ser dominada pela eletrificação. Este é um caminho sem retorno. E vai acelerar: 2030 está ao virar da esquina”, diz Ricardo Silva, acrescentando: “A eletrificação vai continuar a crescer. As metas europeias a isso obrigam. Mas esse crescimento não acontece em linha reta. Há muitas variáveis a afetar o setor, como a atual disputa comercial entre Europa e China, a sobrevivência dos construtores europeus , que levou a um aligeirar das metas, ou o atual contexto geopolítico entre EUA e Irão. Ou seja: a eletrificação vai continuar, mas o ritmo a que isso vai acontecer não será linear”. Observador Lab