DGS ALERTA QUE DESCONFIANÇA NAS VACINAS ESTÁ A FAZER REGRESSAR DOENÇAS COMO O SARAMPO
2026-05-27 21:09:13

A diretora-geral da Saúde alertou esta terça-feira que a crescente desconfiança nas vacinas em várias partes do mundo está a contribuir para o reaparecimento de doenças consideradas controladas ou praticamente erradicadas, como o sarampo, assegurando que os portugueses podem confiar na segurança da vacinação. Na comissão parlamentar de Saúde, Rita Sá Machado apontou o exemplo dos Estados Unidos, onde têm sido registados novos surtos de sarampo, defendendo que a hesitação vacinal deixou de ser um fenómeno residual para se tornar um problema relevante de saúde pública. “Todos nós estamos a ver claramente o que é que a desconfiança nas vacinas provoca noutros locais do mundo. Neste momento, já temos ressurgimento de sarampo em muitos dos estados dos EUA”, afirmou a responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS). A audição parlamentar foi requerida pelo Chega e incidiu sobre temas relacionados com a vacinação contra a covid-19, incluindo transparência contratual, comunicação pública do risco, farmacovigilância e eventual responsabilidade do Estado. Rita Sá Machado, que lidera a DGS desde novembro de 2023, reiterou que as vacinas administradas em Portugal cumprem todos os critérios legais e regulamentares exigidos, defendendo que a sua utilização só é recomendada após demonstração de elevados níveis de qualidade, segurança e eficácia. “Os portugueses e os residentes no país podem confiar que é seguro vacinarem-se”, afirmou. A responsável sublinhou ainda que o impacto positivo da vacinação deve ser analisado em conjunto com a monitorização de potenciais efeitos adversos, recordando um estudo da Organização Mundial da Saúde que estima que a vacinação contra a covid-19 tenha evitado cerca de 1,6 milhões de mortes na Europa. “É importante olharmos para quaisquer que sejam os potenciais efeitos adversos de vacina ou medicamentos, mas é igualmente importante olhar para todas as vidas que foram salvas”, salientou. Durante a audição, Rita Sá Machado considerou também que uma das principais lições da pandemia foi o reforço da confiança nas instituições de saúde e nos profissionais do setor. “Se há uma lição aprendida da pandemia, é que realmente os portugueses e as pessoas que vivem em Portugal podem confiar na DGS e noutras instituições do Ministério da Saúde e também nos seus profissionais de saúde”, declarou. Também ouvida pelos deputados, a ex-ministra da Saúde Marta Temido defendeu o processo de desenvolvimento e aprovação das vacinas contra a covid-19, afirmando que a rapidez com que foram disponibilizadas não comprometeu os níveis de segurança. Segundo Marta Temido, a urgência sanitária levou a uma mobilização internacional sem precedentes para encontrar uma solução eficaz para a pandemia, num processo acompanhado pelas instituições europeias e entidades reguladoras. “Face à premência do que estava em causa, era urgente dispor de uma vacina contra a covid-19”, afirmou. A ex-governante acrescentou que o processo foi conduzido “com essa enorme preocupação de garantir a disponibilização de vacinas seguras” e considerou que as decisões tomadas foram sustentadas pela ciência e pelos critérios de boa gestão dos recursos públicos. “Toda a gente de boa-fé compreende o que foi este processo, que foi guiado pela ciência e pelos critérios de bom uso dos dinheiros públicos e pelas mais variadas instâncias comunitárias e por agências reputadas”, disse. Dados divulgados anteriormente pelo Infarmed indicam que, até ao final de 2022, foram registadas mais de 39 mil suspeitas de reações adversas associadas às vacinas contra a covid-19 em Portugal, correspondendo a 1,4 casos por cada mil doses administradas. Desse total, 8.518 notificações foram classificadas como suspeitas de casos graves, o equivalente a 0,3 casos por cada mil vacinas administradas. Segundo o relatório da autoridade nacional do medicamento, entre o final de 2020 e 31 de dezembro de 2022 foram administradas em Portugal quase 28 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. lusa/HN A diretora-geral da Saúde alertou esta terça-feira que a crescente desconfiança nas vacinas em várias partes do mundo está a contribuir para o reaparecimento de doenças consideradas controladas ou praticamente erradicadas, como o sarampo, assegurando que os portugueses podem confiar na segurança da vacinação. [Additional Text]: Rita Sá Machado_DGS