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MORA COM TEMPERATURAS 10 GRAUS ACIMA DO NORMAL: AQUI, AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS SÃO REALIDADE

Expresso Online

2026-05-27 21:09:13

Devido à onda de calor que está a afetar a Europa, Mora registou uma nova temperatura máxima para o mês de maio, com os termómetros a ultrapassarem os 39ºC. O último recorde foi alcançado em 1957. O aviso amarelo devido à previsão de tempo quente está em vigor até quinta-feira Mora registou, esta terça-feira e até ao momento, a temperatura mais elevada desde que a onda de calor se instalou em Portugal. Os termómetros chegaram aos 39,4ºC. O concelho atingiu ainda um novo recorde de temperatura máxima em maio. A última vez que tal aconteceu foi há 69 anos, quando Mora alcançou 39ºC , temperatura que voltou a ser sentida em maio, pela última vez, no ano passado. Naa quarta-feira, o valor mais alto de temperatura registou-se em Alvega (39,3ºC), seguindo-se de Mora (39,2ºC). Os valores não assustaram um concelho que já está “habituado a viver temperaturas altas”, mas causaram admiração: “A temperatura normal para esta época é, essencialmente, menos cerca de dez graus do que se assiste neste momento”, descreve o presidente da Câmara Municipal de Mora, Luís Simão Matos. Quando o calor bate à porta, a população da terra já sabe o que fazer. Além da hidratação frequente, os habitantes optam por se “resguardar” nas horas de maior calor. No município, os trabalhadores que operam ao ar livre veem inclusive os seus horários serem ajustados para evitarem a exposição solar direta. Já as pessoas mais vulneráveis são recomendadas a seguir as respetivas orientações médicas. Ainda que Mora tenha registado um novo valor de temperatura máxima para o mês de maio, o município não sugeriu a adoção de “medidas especiais”, nota Luís Simão Matos. “Estas temperaturas são obviamente intensas, mas, para quem já viveu com temperaturas a rondar os 47ºC [como no último verão], não sentimentos que estas sejam muito elevadas”, reconhece. De ano para ano, o concelho vê os termómetros a ultrapassar novos limites e os munícipes repetem aquilo que têm vindo a fazer , ajustam-se. “Quando falamos de alterações climáticas, parece que se trata de algo muito distante. Mas aqui é, de facto, uma realidade”, afirma o autarca. E conclui: “Nós, ao vivermos no interior do país, sentimos estas alterações de forma cada vez mais intensa [ ] e o que fazemos é ajustar a nossa vida e os nossos hábitos”. À semelhança de Mora, também Alcobaça alcançou, esta terça-feira, novas temperaturas máximas no mês de maio. No dia 26, o calor chegou aos 36,1ºC, valor que ultrapassou o extremo registado em maio de 1978 (35,3ºC). Esta temperatura voltou a repetir-se no mês de maio, em 2006. Onda de calor aumenta procura do SNS A subida das temperaturas fez aumentar a procura do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o nível de prontidão dos planos de contingência, disse, esta quarta-feira, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins. “Nós já lançámos um alerta, naturalmente um alerta de nível um em termos do plano de contingência devido a este calor extremo e, neste momento, temos uma procura substancialmente maior”, revelou a governante, citada pela agência Lusa. Também o INEM tem registado um “número muito considerável de chamadas e de pedidos de apoio” devido ao calor. “Mas estamos preparados, naturalmente, muito vigilantes e, hora a hora, a acompanhar a situação”, afirmou Ana Paula Martins. Perante as previsões de temperaturas elevadas, a Direção-Geral da Saúde recomenda a ingestão frequente de água, a permanência em ambientes frescos ou climatizados durante duas a três horas por dia, e o fecho de janelas, persianas e estores nos períodos de maior calor. Sugere ainda que se evite a exposição solar direta entre as 11h e as 17h e a utilização de protetor solar com fator igual ou superior a 30, além de roupa clara, larga e leve, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta. No início da semana, o meteorologista Nuno Lopes garantiu que vários locais do interior poderiam aproximar-se dos 39ºC, com os vales do Tejo, do Guadiana e do Douro a poder chegar aos 40ºC. “São temperaturas que seriam muito elevadas mesmo para julho e agosto, quanto mais para esta altura do ano””, reforçou. Segundo o IPMA, a onda de calor, que teve início a 20 de maio, pode durar até 15 dias no interior. No entanto, as temperaturas máximas podem descer já a partir desta quinta-feira, dia 28, no litoral oeste. Todos os distritos de Portugal continental, com exceção de Faro, estão esta quarta e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente. Ana Margarida Alves Jornalista Ana Margarida Alves