ESTUDO PREVÊ QUE UM EM CADA TRÊS CARROS VENDIDOS ESTE ANO SERÁ ELÉTRICO
2026-05-27 21:09:13

A instabilidade no Médio Oriente está a transformar os elétricos num refúgio financeiro para milhões de condutores. A Agência Internacional da Energia (IEA) divulgou as suas previsões mais recentes, e se ainda restassem dúvidas sobre a tendência de crescimento das vendas de elétricos, estas ficam praticamente dissipadas: em 2026, as vendas globais deverão atingir 23 milhões de unidades, o equivalente a cerca de 30% de todos os automóveis vendidos no mundo. Estes dados fazem parte da nova edição do relatório anual Global EV Outlook, que examina as principais tendências de mercado e políticas relacionadas com a mobilidade elétrica: infraestruturas de carregamento, implicações da adoção crescente de elétricos, emissões, entre outras. O documento confirmou o forte crescimento do setor, após as vendas mundiais terem crescido 20% no ano passado, superando a barreira dos 20 milhões de unidades (o equivalente a 25% do mercado global). Crescimento da procura O estudo da IEA justificou o futuro aumento com o crescimento da procura de elétricos durante o primeiro trimestre de 2026. “Na Europa, as vendas aumentaram quase 30% em relação ao ano anterior; na região da Ásia-Pacífico, excluindo a China, as vendas saltaram 80%; e na América Latina, o aumento foi de 75%”. No total, 90 países em todo o mundo registaram um crescimento nas vendas em relação ao ano anterior, com cerca de 30 deles a registarem vendas mensais recorde. Apesar disto, as vendas de elétricos a nível global caíram 8% no primeiro trimestre. Tudo por causa da quebra de nas vendas na China e nos EUA, devido a alterações recentes nas suas políticas de incentivos estatais. © BYD Não obstante, a China continua responsável pela maior parte dos carros elétricos produzidos no mundo. Em 2025, a sua quota estava nos 75%. Devido à forte concorrência doméstica, as marcas chinesas duplicaram as suas exportações para um recorde de 2,5 milhões de unidades, passando a representar 55% de todos os elétricos vendidos fora da Europa e EUA (há cinco anos, essa quota era inferior a 5%). Até ao final do ano, a agência antecipa que a Europa lidere o crescimento , com um em cada três carros vendidos a ser elétrico. As razões As metas de emissões da União Europeia (UE) podem ser um dos fatores para o aumento da procura por automóveis elétricos no bloco, mas não são o único. Aliás, a IEA aponta dois fatores cruciais para o aumento da procura por esta motorização a nível global: a descida contínua nos custos de produção das baterias e o impacto direto da crise geopolítica no Médio Oriente. Com a instabilidade internacional a provocar uma grande volatilidade nos preços do petróleo, os consumidores estão a olhar para os veículos elétricos não apenas por motivos ambientais, mas como um refúgio financeiro devido aos seus custos de utilização consideravelmente mais baixos. “Olhando para o futuro, as quedas que vimos nos preços das baterias e as potenciais respostas políticas à atual crise energética global devem impulsionar ainda mais os mercados de veículos elétricos”, disse Fatih Birol, diretor-executivo da IEA. A longo prazo, a agência prevê que, mesmo sem o anúncio de novas políticas governamentais de apoio, a frota global de veículos elétricos a circular nas estradas passe dos atuais cerca de 80 milhões para uns impressionantes 510 milhões de veículos até 2035. Mariana Teles