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PREÇO DE DRONES KAMIKAZE NO IRÃO GERA TENSÃO ENTRE A SPACEX, DE ELON MUSK, E O GOVERNO TRUMP

Observador Online

2026-05-27 21:09:15

Empresa de Musk pediu mais vinte mil dólares pelo uso de terminais para operar cada drone suicida. Pentágono aceitou mas diz estar à procura de novos concorrentes. Um desentendimento sobre o preço para pôr drones kamikaze a funcionar está a expor as tensões entre o governo norte-americano e Elon Musk. Tudo porque a SpaceX, empresa do magnata que chegou a fazer parte da administração Trump, chegou à conclusão de que o executivo deve pagar mais pelo serviço que lhe está a ser prestado, numa altura em que o negócio de Musk ganha crescente influência sobre o governo norte-americano. Segundo a Reuters, semanas depois de o ataque norte-americano contra o Irão ter começado, e de estes drones - os drones suicidas e não tripulados LUCAS - terem mostrado ser eficazes, os responsáveis da SpaceX encontraram-se com elementos do Pentágono e argumentaram que o exército estava a pagar cerca de cinco mil dólares (4300 euros) pela ligação de cada drone a um terminal da rede por satélite Starlink, mas que na verdade estaria a utilizar um serviço mais avançado e que custaria perto de 25 mil dólares (21500 euros). Este não é o único caso de discordância, e que expõe a dependência do executivo norte-americano relativamente à empresa de Musk e ao serviço que esta presta: segundo a Reuters, também têm surgido tensões relativamente ao preço para fornecer ligações de internet aos iranianos, uma vez que a administração norte-americana quer contrariar o apagão nas comunicações imposto pelo Irão. Já no início do ano o Wall Street Journal revelava que os Estados Unidos tinham conseguido levar seis mil terminais Starlink para o Irão, em janeiro, depois de o governo do país ter matado centenas de pessoas para esmagar a onda de protestos no país. O que se passa, conta a mesma agência, é que a SpaceX vende uma versão específica do seu serviço, chamada Starshield, ao Pentágono, graças a um acordo assinado em 2023. E esses terminais podem fazer a ligação a satélites comerciais ou a uma constelação diferente e mais segura. Ora segundo a SpaceX, os drones LUCAS estão a ser usados em condições mais parecidas com as que são fornecidas pelo modelo mais caro; já o Pentágono diz que o pagamento mensal de 25 mil dólares faz sentido para aviões e não para estes drones kamikazes, que usam a ligação Starlink durante uma questão de meros minutos ou horas. Segundo a Reuters, o Pentágono acabou por concordar em aumentar o pagamento à SpaceX, o que na prática faz aumentar quase para o dobro o custo de cada drone. Apesar de Elon Musk e o porta-voz do Pentágono Sean Parnell terem desmentido a notícia da agência, um responsável do Pentágono confirmou entretanto que o Departamento de Guerra dos Estados Unidos está empenhado em encontrar outros concorrentes para o fornecimento destes serviços: “O Departamento de Guerra está comprometido com a criação de um ambiente competitivo para comunicações comerciais por satélite”. Atualmente, cerca de 20% dos lucros totais da empresa de Musk vêm de contratos com a administração dos EUA. [Additional Text]: epa11957120 US President Donald Trump (R) speaks in front of a group of Tesla vehicles with Tesla CEO and Senior Advisor to the President of the United States Elon Musk (L) and his son, X, on the South Lawn of the White House in Washington, D.C., USA, 11 March 2025. President Trump has said he will buy a Tesla to support Tesla and Elon Musk after recent attacks on Tesla charging stations and calls for boycotts of Tesla products. EPA/SAMUEL CORUM / POOL Mariana Lima Cunha