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MILHARES DE LATAS VOLTARAM A TILINTAR NA BAIXA DO PORTO

Jornal de Notícias Online

2023-10-29 19:51:04

Para encerrar a semana de Receção ao Caloiro da Academia portuense, o tilintar de milhares de latas pintadas regressou às ruas da Baixa neste domingo. Apesar da chuva, a emoção e a alegria marcaram o regresso da tradicional Latada. Catarina Letras, estudante de Criminologia da Universidade Fernando Pessoa, desfilou no cortejo com latas com mais de dez anos, também usadas em momentos académicos de outras pessoas da família. Igor Martins / Global Imagens Quando o cortejo acaba, são poucos os caloiros que mantêm o mesmo número de latas do início. Mas a missão de Catarina Letras, caloira de Criminologia, era diferente. Com mais de 80 latas presas ao corpo, a estudante explicou que o objetivo era "não perder nenhuma ou o menos possível". Na família dela, cumpre a tradição das latas passarem pelas várias gerações. "Algumas destas desfilaram pela primeira vez há dez anos com uma prima minha". Catarina é a quarta pessoa da família a reutilizá-las: "É um orgulho muito grande, como é natural". É após o cortejo da Latada que os caloiros são batizados e passam, simbolicamente, a estudantes da Academia do Porto. Para Nádia Gonçalves, amiga de Catarina e também caloira de Criminologia, "é um momento de integração e especialmente de grande amizade". "Conhecemos pessoas que se cruzam connosco na mesma etapa, com quem vamos criar e partilhar memórias", sustentou. Apesar de ter fugido às tradições académicas na altura da sua licenciatura, Lígia Pacheco esteve presente para acompanhar a filha Beatriz no desfile. "Pessoalmente não gosto disto. Mas ela adora e eu apoio. É importante estarmos aqui na mesma" disse, enquanto ajudava a filha a vestir as latas, momentos antes do cortejo arrancar. Caloiros com adereços únicos Caloira de Nutrição Filipa Matos entre os amigos enquanto descia a Rua de Camões, no Porto Igor Martins / Global Imagens Pouco depois do início do desfile, a chuva surgiu em força. "Ainda mal começou e já fomos abençoados pelo S. Pedro", brincou Filipa Matos. Ainda que tenha entrado há pouco tempo na vida académica, a estudante de Nutrição da Faculdade de Ciências não tem dúvidas: "Caloiro que é caloiro vem, mesmo com a chuva". Ao lado dos amigos da faculdade, não escondeu a alegria. "É sobre a emoção e a tradição", disse Filipa, enquanto cantava ao lado dos amigos, de perucas com as cores do curso (amarelas). No que toca a adereços, não faltou diversidade. Desde uma banheira cheia que fazia alusão ao mau tempo e às cheias da cidade, transportada pelos caloiros de Informática da Universidade Portucalense, até aos penicos únicos e personalizados da Universidade Católica. Da esquerda para a direita, Maria Velosa, caloira de Direito; Ana Lima, caloira de Artes e Alexandre Pimenta, caloiro de Psicologia, todos da Universidade Católica. Igor Martins / Global Imagens Os caloiros da Católica personalizaram os penicos com os respetivos nomes de praxe. A caloira Maria Velosa, de Psicologia, é conhecida como "A perra". "Por isso, decidi enfeitar com várias dobradiças das portas", explicou. Já no curso de Biotecnologia, os caloiros usavam toucas e óculos de natação. Entre os novatos, Matilde Correia expressou a emoção da Latada, que chegou a ser adiada devido ao mau tempo: "Nunca sabemos o que vai acontecer nestas atividades. É preciso é vir com vontade. Espero que seja isso que transmitimos no final". Matilde Correia, estudante de biotecnologia, na chegada aos Aliados, onde aconteceu o juramento académico. Igor Martins / Global Imagens "É muito importante para nós e para as famílias" A união e amizade entre os caloiros da Faculdade de Desporto sentia-se de longe enquanto os estudantes vibravam e cantavam as músicas do curso. "É um momento que só vou experienciar uma vez na minha vida. Há que aproveitar", disse a caloira Francisca Lopes, que sublinha a importância desta fase académica e da Latada para as famílias e os estudantes. "É muito importante para nós e para as famílias. É o início das nossas vidas e é claro que os nossos pais se sentem orgulhosos", observou. E mesmo com a chuva, as famílias não quiseram perder o momento e continuaram a ver a descida na Rua de Camões. Os pais e o irmão de Matilde Branco fizeram questão de estar presentes, apesar da distância. Depois de mais de três horas de carro desde Coruche, Santarém, Elisabete (mãe) descreveu o sentimento de orgulho. Elisabete, Vicente e Paulo Branco, pais e irmão de Matilde Branco viajaram desde Coruche para ver a filha no desfile da Latada. Igor Martins / Global Imagens "A Matilde veio para muito longe e no início isso assustou-nos. Mas estamos encantados com o Porto e ela diz que adora. Hoje tínhamos que estar aqui", referiu. Cortejo da Latada do Porto voltou a encher ruas da Baixa do Porto com milhares de estudantes