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PORTUGAL DUPLICA NEGÓCIOS DO ESPAÇO

Expresso

2026-06-12 06:31:03

Sector espacial nacional poderá vir a alcançar um volume de negócios anual de EUR2 mil milhões Em 2000, Portugal tinha 15 empresas dedicadas ao Espaço, em 2015 tinha 42 e no final do ano passado contava com 87. Numa década, o país mais do que duplicou os seus negócios espaciais, prova viva de que o sector está em franco crescimento também cá. Construir satélites, obter dados de observação da Terra, melhorar a rede de internet marítima ou ter um foguetão orbital próprio são alguns exemplos do que se está a fazer em território nacional. O Espaço emprega diretamente 1462 pessoas, mais 65% face a 2019, segundo a Agência Espacial Portuguesa. O custo médio por trabalhador é de EUR43.200, bem acima da média nacional de EUR28.000. Em 2024, segundo os dados mais recentes, a faturação destas empresas e entidades, localizadas sobretudo na Grande Lisboa e no Norte, ascendeu a EUR188 milhões, crescendo 62% em cinco anos. Ainda assim, cerca de um terço opera sem resultados positivos, estando em fase de investimento e crescimento. “Temos sensivelmente 26 anos de desenvolvimento das nossas capacidades e nestes 26 anos apareceram muitas empresas. Temos umas que são de nicho, outras quejá são de produto e serviço”, afirma Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa. “Tudo isto teve como base o potencial do país, associado à nossa localização geográfica. A atlanticidade que temos permite-nos sonhar”, nota. “De há três anos para cá”, continua, “houve uma alavanca muito grande com o PRR [Plano de Recuperação e Resiliêncial”, diz ao Expresso. De facto, o total de financiamento público ao sector ultrapassou os EUR200 milhões em 2025, com o PRR como maior fonte: EUR114 milhões. Antes da criação deste plano o financiamento anual não chegava aos EUR100 milhões. No âmbito do PRR, a Agenda New Space Portugal, criada em janeiro de 2022, tem um cheque de £417 milhões a fundo perdido, tendo apenas sido pago metade até ao momento, de acordo com o portal Mais Transparência. O financiamento está fortemente concentrado: o CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento) e o CTI (Centro de Tecnologia e Inovação) Aeroespacial absorvem 77% do total, com dotações de EUR200 milhões e EUR120 milhões, respetivamente. Empresas como a Lusospace, Geosat e Open Cosmos Atlantic figuram entre os restantes beneficiários de maior expressão, ao lado de entidades públicas como O Estado-Maior da Força Aérea. Do mar à Terra A Lusospace, a Omnidea e o CEiiA são três exemplos de inovação nacional no sector. A Lusospace, considerada a primeira startup aeroespacial portuguesa, lança satélites para O Espaço para melhorar a rede de comunicações marítimas. A Omnidea vai participar na construção do próximo lançador europeu de foguetões. E o CEiiA tem um universo de empresas dedicadas a tecnologias e soluções para um planeta sustentável, como a Geosat e a N30. A primeira constelação de comunicação VHF Data Exchange System (um sistema de partilha de dados usado pelo transporte marítimo) a nível mundial foi lançada em março pela Lusospace. Quatro satélites com nomes de escritores portugueses “Camões”, “Agustina”, “Pessoa”e “Saramago” foram colocados em órbita, a partir de uma base na Califórnia, pelo Falcon 9. “A SpaceX é nosso fornecedor de lançamento”, diz Ivo Vieira, diretor-executivo da Lusospace. Questionado sobre se a entrada em Bolsa da SpaceX pode aumentar as encomendas, responde que “a médio prazo sim, porque vai criar maior crescimento na área do Espaço em geral”. A tecnologia em causa melhora a comunicação tradicional dos navios, funcionando como uma espécie de “Waze dos oceanos”. Mas estes satélites são só parte do negócio, que vai das comunicações óticas à realidade aumentada. “Em 2025 alcançámos os EUR5 milhões de receita, com uma média de crescimento de 30% ao ano. Para os próximos anos a meta é alcançar os EUR8 milhões. As exportações pesam 95% nas nossas contas. Contamos com clientes como a Airbus, Ohb, Thales Alenia Space e Agência Espacial Europeia (ESA)”, revela Ivo Vieira. Também a Omnidea tem nas exportações 95% da sua faturação. Agora a empresa está “a trabalhar para que Portugal tenha um lançador orbital próprio e, dessa forma, capacidade independente de acesso ao Espaço”, explica Tiago Pardal, diretor-executivo da empresa, que “cresceu mais de 100% nos últimos anos”. Em 2025 o volume de negócios foi de EUR6,4 milhões. Do operador nacional de satélites de observação do planeta (Geosat) ao primeiro integrador nacional de satélites de muito alta resolução (N30), o CEiiA trabalha com entidades como a Força Aérea Portuguesa, Governo de Espanha, Comissão Europeia e ESA. Em causa está “a construção de uma nova geração de capacidades em território nacional que combina engenharia de satélites, ciência de dados e inteligência artificial aplicada à observação da Terra”, adianta Emir Sirage, diretor na Unidade de Espaço do CEiiA. Em 2025, o volume de negócios foi de EUR103 milhões, com O Espaço a representar mais de 60%. Um relatório publicado há um ano pela New Space Alliances e pelo Boston Consulting Group estima que o sector espacial pode contribuir com EUR40 mil milhões até 2040 para a economia nacional (aumentando 17 vezes a sua contribuição para o PIB, de 0,03% para 0,51%). “Coma a mobilização certa de recursos públicos e privados, Portugal poderá gerar mais de EUR40 mil milhões de impacto acumulado no PIB, criar cerca de 27 mil novos postos de trabalho, 6 mil dos quais altamente qualificados, e construir uma economia espacial anual de EUR2 mil milhões”, indica o relatório, sublinhando a importância do investimento, da inovação e da relevância internacional que Portugal pode ter. G.A. e M.T. G.A.; M.T.