SATÉLITES NATO: LISBOA ESPERA PARA ENTRAR
2026-07-10 06:00:04

A Espanha não tem satélites e entrou no grupo. Portugal quer vantagens A jornalista turca que fazia de anfitriã no Defense Industry Forum, organizado por Mark Rutte, secretário-geral da NATO antes da Cimeira que decorreu esta semana em Ancara (ver pág. 24), chamou a Espanha ao palco, para entrar num grupo de tecnologia que Portugal lidera. Os espanhóis foram anunciados como o 19 país do grupo da Alliance Persistent Surveillance from Space (APSS), por causa do projeto da Constelação do Atlântico, feito em parceria com Portugal. Mas a que Portugal ainda não pertence, apesar dejá ter quatro satélites operacionais em órbita e de os espanhóis não terem nenhum. “Na edificação da Constelação do Atlântico”, que continua a ser “um projeto conjunto entre Portugal e Espanha”, optou-se “por desenvolver, numa primeira fase, as capacidades nacionais através da colocação de satélites em órbita”, explica ao Expresso a capitã Patrícia Fernandes, porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). “os satélites entretanto lançados já permitem gerar produtos operacionais, ao mesmo tempo que prossegue o desenvolvimento da restante constelação.” Portugal tem, neste momento, no espaço, três satélites da Geosat, um satélite SAR (siga em inglês para Radar de Abertura Sintética), e vão ser lançados mais dois em outubro. No futuro, o país terá quatro satélites ótiCOS SAR, de alta resolução, mais três da Geosat e dois do CEiiA Centro de Engenharia e Desenvolvimento. Portugal será um dos países da Europa mais avançados neste domínio. “Consolidadas estas bases”, escreve a porta-voz do EMGFA em resposta ao Expresso, “encontram-se reunidas as condições para preparar a participação nacional na APSS, estando em desenvolvimento os procedimentos necessários para definir os respetivos termos de integração”. São condições que a hierarquia quer ver melhoradas. A delegação portuguesa chegou à Cimeira da NATO sem pretensões maiores que não fossem mostrar empenho nas metas da despesa militar, compromisso com as tropas na frente leste e uma chamada de atenção para a segurança marítima no Atlântico. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, levou 2,01% do PIB na algibeira para Ancara e saiu com a promessa de gastar 2,1% em defesa (mais EUR600 milhões), a que somará o investimento em infraestruturas do PTRR, elevando o total dos gastos para 3,1% este ano, no contexto do compromisso de chegar aos 5% do PIB em 2035 nas duas componentes. Montenegro prometeu na cimeira mais EUR600 milhões de investimento