PROPOSTA DA LUSOLAV PARA ALTA VELOCIDADE PREVÊ EVITAR 45 DEMOLIÇÕES EM COIMBRA
2026-07-31 16:13:02

Proposta de consórcio aproveita parte da infraestrutura existente. Solução torna "mais fácil" operação na Linha do Norte. Especialista diz que eventual "ramal de Coimbra" não serve para a cidade. A proposta do consórcio Lusolav para o 2.º troço da linha de alta velocidade prevê evitar 45 demolições na zona suburbana de Coimbra, através de uma reconfiguração da entrada na cidade, e respeita a localização da estação em Coimbra-B. A proposta de um dos dois concorrentes, o consórcio Lusolav, constituído por Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro e Casais, entre outras empresas, foi apresentada esta quinta-feira na sede da Ordem dos Engenheiros em Coimbra. Num primeiro concurso deste troço (Oiã-Soure) da linha de alta velocidade que ligará Lisboa ao Porto, este mesmo consórcio apresentou uma proposta de deslocalização da estação de alta velocidade para Taveiro, nos arredores de Coimbra, ao contrário do que estava previsto no caderno de encargos, levando à não adjudicação do procedimento e ao lançamento de um novo concurso, cujo prazo para entrega de propostas terminou no início do mês. A proposta apresentada esta quinta-feira prevê a localização da estação em Coimbra-B, aproveitando parte da infraestrutura existente, e a construção de um edifício ponte para servir a Linha do Norte e alta velocidade. Uma grande mudança face àquilo que estava previsto no projeto da Infraestruturas de Portugal (IP) passa por abandonar a ideia de duplicar a Linha do Norte entre Taveiro e a estação ferroviária de Coimbra-B, que implicava o maior número de demolições no concelho. A solução, explicou Paulo Gomes, do consórcio, passa por criar uma ligação da linha de alta velocidade em “Y” a norte da estação de Coimbra-B, junto à Adémia, reduzindo o número de expropriações, passando os comboios de alta velocidade que vêm de sul a ter de ir até à Adémia para posteriormente descer para a futura estação. Segundo Paulo Gomes, o consórcio estima evitar 45 demolições, na zona de Taveiro, Casais, Espanadeira e Bencanta. O responsável afirmou ainda que esta solução torna mais fácil a operação na Linha do Norte durante a construção da linha de alta velocidade na zona de Coimbra, elimina também o impacto nas habitações que não seriam demolidas mas que ficariam muito próximas da linha e reduz o impacto ambiental na zona a sul da estação de Coimbra-B, junto à Mata Nacional do Choupal. O arquiteto Nuno Lacerda, também do consórcio, explicou que a solução propõe um edifício ponte que se projeta como uma “grande plataforma” e que permita “construir identidade”. O projeto apresentado prevê também a construção de um edifício para a Infraestruturas de Portugal e um espaço de escritórios, com estacionamento apenas em cave, rés-do-chão e primeiro piso para evitar riscos relacionados com as cheias, aclarou. A proposta prevê também um “tratamento paisagístico” de toda a zona, já com propostas para respeitar a biodiversidade envolvente, afirmou. O presidente da União de Freguesias de Taveiro, Ameal e Arzil, Cândido Malva, presente na sessão, congratulou-se com a redução das demolições, tal como Miguel Dias, da associação ambientalista Climação Centro, pelo menor impacto provocado no Choupal. Já o docente da Universidade de Coimbra e especialista em urbanismo João Bigotte notou que a apresentação é “extemporânea”, por se estar numa fase de análise das propostas, o que poderá criar “expectativas sobre o que poderá acontecer”. Apesar de ter gostado da “linguagem arquitetónica da nova estação“, o professor universitário considerou que a proposta de ligação à estação de Coimbra, em “Y”, é “um ramal, que é o nível mais baixo para se servir uma cidade relevante”. João Bigotte afirmou ainda que a proposta, ao apresentar a passagem em Coimbra como um ramal, pode reduzir a atratividade de paragem naquela estação. Além da Lusolav, foi também apresentada uma proposta pelo consórcio liderado pela espanhola Sacyr, que conta ainda com a participação da DST e da Alberto Couto Alves. [Additional Text]: Na estação da CP de Coimbra-B não circulam comboios e as bilheteiras estão encerradas devido à greve dos trabalhadores da CP convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), em Coimbra, 8 de maio de 2025. PAULO NOVAIS/LUS Agência Lusa