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CONSÓRCIO DA MOTA-ENGIL QUER EXCLUIR RIVAL DA ALTA VELOCIDADE

Negócios

2026-08-06 06:31:02

ALTA VELOCIDADE Consórcio da Mota-Engil aponta motivos para excluir rival A Lusolav diz que a proposta da Sacyr, DST e ACA excede o custo máximo permitido no caderno de encargos em 186 milhões de euros para a empreitada na zona de Coimbra a qual, no âmbito do troço Oiã-Soure, passa no final da construção para o Estado. Oconsórcio Lusolav, liderado pela Mota-Engil e quie integra outras seis construtoras portuguesas, identificou uim conjunto de fatores que no seu entendimento devem resultar na exclusão na proposta apresentada pelo agrupamento da Sacyr, DST e Alberto Couto Alves (ACA) no concuirso para o segundo troço da linha de alta velocidade, entre Oiãe Soure. O Negócios sabe que uma das conclusões que resultaram da análise da Lusolav é a de que o preço da proposta do seui concorrente excede o valor máximo permitido para as intervenções na zona de Coimbra previsto no caderno encargos, o qual determina que ultrapassar esse limite é fator de exclusão. Foram estes dois agrupamentos que entregaram em julho passado propostas no concurso para este segundo troço da futura linha Lisboa-Porto, com uma diferença de preço, segundo noticiou o Negócios, da ordem dos 260 milhões, em base de EPC (Engenharia, Aprovisionamento e Construção, nasiglaem inglês) a favor do consórcio hispano-luso. Recorde-se quie o preço tem um peso de 80% nos critérios de adjudicação. Essa diferença de valores, sabe O Negócios, motivou o agrupamento liderado pela Mota-Engil a levar a cabo uma análise à proposta concorrente, concluindo que o custo que apresentou para a componente do projeto que é de empreitada normal = incluindo designadamente as intervenções entre Taveiro e estação de Coimbra oui a entrada sul da estação Coimbra até Adémia , excede o custo máximo permitido em 186 milhões de euros. e que o contrato para o troço Oiã- Soure tem previsto esta componente da obra quie passará, assim quie estiver construída, para o Estado, enquanto a outra componente da obra é a aconcessão por 24 anos e meio. O caderno de encargos refere que para a empreitada normal o preço não pode ir além dos 195 milhões de euros, a que acrescem 146 milhões de fundos europeuls para fazer face a despesas concretas como expropriações oui projeto de execução. Ou seja, no total o custo desta componente da obra apenas poderia chegar aos 341 milhões. No entanto, e tendo por base a lista de preços unitários que constam da proposta do consórcio da Sacyr para es-sas inter rvenções, o preço apresentado chega aos 527 milhões. Deduzindo a este valor os 146 milhões de fundos europeus, a Lusolav concluiu que a propostar do seu concorrente prevê um custo para a obra de 381 milhões, quando o caderno de encargos diz que esta componente “não poderá ultrapassar o montante de 195 milhões, apreços correntes, sob pena de exclusão das propostas”. Essa diferençade 186 5milhões em que excede o custo máximo dessas empreitadas significa, segundo o entendimento do Lusolav, qule esse excedente seria pago durante o período de disponibilidade (os 24 anos e meio após a construção). Noentanto, o caderno de encargos refere quie o custo das obras que transitam imediatamente para a IP tem de ser pago durante a fase de construção, sob pena de exclusão da proposta. Custos e plano de manutenção A Lusolav, sabe o Negócios, apulrou ainda outros fatores que entende que não são conformes com as peças do concurso e tornam impossível comparar as duas propostas. Uma dessas matérias identificadas diz respeito aos custos de manutenção. e que a proposta do agrupamento da Sacyr, DST e ACA considerou 50% dos custos de manutençãor da proposta da Lusolav ao longo do período de concessão, mas segundo este agrupamento “a proposta não tem uma palavra sobre o plano de manutenção”, o que no seui entender “expõe a inexistência de estudo quie assegure o cumprimento desta vertente essencial do contrato de concessão”. Outra explicação para a diferença de preço entre as propostas resulta, aponta, do desrespeito por parte do consórcio da Sacyr pela norma técnica da IP que define o dimensionamento das pontes e viadutos exigida no caderno de encargos, tendo optado por fazer referência a uma norma europeia. Ainda neste âmbito das quantidades, a Lusolav entende que o pouico desenvolvimento do projeto por parte do seu concorrente levou-o a prever menos viadutos e menos movimentos de terras. Ou seja, no seu entender, a proposta do consórcio da Sacyr apresenta preços unitários dos materiais superiores aos seuls, mas considera quantidades menores, o que resulta numa diferença de 300 a 400 milhões de euros entre as duas. No entanto, o consórcio de construtoras portuguesas avisa que essa questão das quantidades acabará por ter de ser corrigida mais tarde, resultando ou em litigância, que o Estado acabará por pagar, ou na impossibilidade de executar o projeto previsto. Sacyr, DST e ACA: só “queremos ganhar o concurso é a vida” “Saber perder é o humilde conselho que damos à concorrência”, diz o agrupamento controlado pela construtora espanhola. O consórcio da Sacyr, DSTe e Alberto Couto Alves (ACA) não quis apontar fatores de exclusão que possa eventualmente ter encontrado na proposta da Lusolav, sua concorrente no concurso para o segundo troço da alta velocidade Lisboa-Porto entre Oiã e Soure, no âmbito do qual apresentou um preço cerca de 260 milhões de euros mais baixo do que o agrupamento liderado pela Mota-Engil. Em reação ao que classificoucomo “nervosismo do concorrente” , qule sinalizou uma série de alegadas desconformidades na sua proposta-, fonte oficial do consórcio controlado pela espanhola Sacyr afirmoui ao Negócios: “Não queremos que o nosso concorrente seja excluído. Apenas pretendemos ganhar o concurso = é a vida.” Manifestando-se disponível para não contestar, caso perca o negócio, atirou: “Umas vezes ganha-se, outras perde,se. Saber perder é o humilde conselho que damos à concorrência. Até lá? o júri, no seu ponderado silêncio, está a avaliar”, referiu a mesma fonte. "Sem angústia e sem pressa”, sublinhou fonte oficial do consórcio, recorrendo ao arranque de uim célebre poema de Miguel Torga sobre a resiliência humana. “Aguardemos, uns e outros”, rematou também. Numa altura em quie o júri do concurso está a analisar as duas propostas entregues em julho, e quando se prevê que o relatório preliminar possa ser entregue no final de agosto oui início de setembro, o agrupamento Lusolav, já deu sinais de estar a preparar-se para uma “batalha” por esta obra. Por essa razão terá decidido realizar, na semana passa-da, uma sessão pública em Coimbra para apresentar a sua proposta para a integração da futura linha de alta velocidade nesta cidade, a qual não segue a solução de referência apresentada pela Infraestruturas de Portugal (IP). Segundo a apresentação feita, a Lusolav definiu que o acesso a partir de sul à estação de Coimbra seja feito num percurso mais curto, oui seja, serão 3 quilómetros de ligação, em vez dos 12 quilómetros previstos na solução de referência.com isso diminuiu a dimensão da quadruplicação da linha do Norte que será necessária, o que permite reduzir o custo de uma intervenção considerada muito onerosa. No entanto, 1amesma: sessãopública, os responsáveis do agrupamento de construtoras portuguesas quiseram salientar que esta opção permite uima redução de 45 no número de edifícios a demolir face ao projeto de referência da IP, que previa 60 demolições, e reduz a perturbação na operação da Linha do Norte durante os cinco anos do período de construção. Rui NEVES/MARIA João BABO Lusolav diz que a proposta apresentada pela Sacyr, DST e ACA excede o custo máximo permitido no caderno de encargos Luso-espanhóis respondem: “Saber perder é o humilde conselho que damos à concorrência” P.12e13 50% MANUTENçâO A proposta do agrupamento da Sacyr considerou 50% dos custos de manutenção da Lusolav ao longo da concessão. 195 ENCARGOS O caderno de encargos prevê que as empreitadas não possam ultrapassar o custo de 195 milhões, a que se somam 146 milhões de fundos europeus. As proposta no concurso para o troço EUR. umas vezes ganha-se, outras perde-se. Saber perder é o humilde conselho que damos à concorrência. FONTE DO CONSôRCIO DA SACYR, DST E ACA Oiã-Soure estão agora em análise pelo júri. MARIA JOÃO BABO; RUI NEVES