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OPERADORES DE TURISMO FLUVIAL PEDEM GESTÃO PRÓPRIA PARA O DOURO, QUE ESTÁ SOB PRESSÃO

Jornal de Notícias

2026-08-10 06:00:04

Cada vez há mais visitantes. Associação alerta para eclusas no limite, falta de cais e investimentos públicos atrasados locais@jn.pt NAVEGAçáO Os operadores marítimo-turísticos defendem a criação de uma administração portuária dedicada exclusivamente ao Douro, numa altura em que o crescimento do turismo fluvial está a aumentar a pressão sobre eclusas, cais e serviços de apoio à navegação. A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) garante que já apresentou uma proposta de modelo de gestão e exploração da Via Navegável do Douro aos operadores turísticos. O documento “seguirá os trâmites legais aplicáveis antes da sua aprovação pelas entidades competentes”. A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) indica que a Via Navegável do Douro transportou 1,39 milhões de passageiros em 2025, completando o oitavo ano consecutivo de crescimento. A associação estima que a atividade tenha um impacto económico anual entre 350 450 milhões de euros e sustente entre seis mil e oito mil empregos. PROCURA A procura é alimentada sobretudo POr visitantes dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. Para a associação, o Douro deixou de ser uma etapa complementar para passar a destino principal, impulsionado pelos cruzeiros fluviais, pelo enoturismo, pela gastronomia e pela cultura. Porém, o crescimento começa a esbarrar na capacidade instalada. A associação cita a versão preliminar de um estudo da APDL, segundo a qual as eclusas estão "praticamente na sua utilização máxima”, sobretudo nos períodos de maior movimento. Também faltam postos de acostagem e cais de serviço para abastecimento de agua, energia, recolha de resíduos e apoio logístico. Os estrangulamentos são mais visíveis no estuário, na Régua, Ono Pinhão, em Lamego, Ono Pocinho e em Barca dAlva. As consequências traduzem-se em tempos de espera mais longos, dificuldades na programação das viagens e custos adicionais. Nos navios-hotel, as limitações Ono fornecimento de água já obrigaram a deslocações e ao recurso a camiões-cisterna. Entre os projetos considerados prioritários estão um novo cais no Freixo, estimado em 7,5 milhões de euros, a ampliação do cais da Secil, POI 3,5 milhões, e melhorias em Gaia, incluindo no Cavaco. A associação pede igualmente soluções para a Douro Marina, Afurada e Atães. Na zona da Régua e do Pinhão, a proposta preliminar prevê 6,3 milhões de euros para reorganizar e ampliar o cais de Sabrosa, 3 ,4 milhões para um cais de serviços em Adorigo e 2,6 milhões para intervenções na Foz do Távora. A AAMTD critica, contudo, a ausência de um plano para o Porto de Lamego. Mais a montante, aponta como relevantes os investimentos na Ferradosa (São João da Pesqueira), em Moncorvor e Ono Pocinho (Vila Nova de Foz Côa). Para Barca d Alva (Figueira de Castelo Rodrigo) está prevista a ampliação do cais existente, com espaço para mais seis navios-hotel, num investimento estimado em 6,3 milhões de euros. Um segundo cais, promovido POr privados, poderá custar cerca de sete milhões. REGRAS ESTáVEIS Os operadores manifestam disponibilidade para participar Onos investimentos, mas exigem regras estáveis. A associação considera que licenças de 10 ou 15 anos são incompatíveis com navios e infraestruturas que custam vários milhões de euros e têm períodos de amortização superiores a duas décadas. A proposta passa POr concessões ou títulos de utilização com prazos mínimos entre 25 e 30 anos. A AAMTD não contesta o pagamento de taxas, mas questiona se as receitas geradas pela atividade regressam ao Douro através de investimento. Os operadores apontam um desfasamento entre o aumento dos encargos e a melhoria dos serviços. Continuam a faltar eletrificação nos cais, estruturas de apoio, informação atualizada sobre caudais e navegabilidade e sistemas adequados para a gestão de resíduos. A associação reclama igualmente a modernização do sistema de informação à navegação e do assinalamento marítimo. APDL apresenta proposta ao setor e garante estar aberta ao diálogo “Seguirá trâmites legais aplicáveis”, sublinha a administração portuária EXPLORAçáO A APDL , Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo apresentou uma proposta de modelo de gestão e exploração da Via Navegável do Douro aos operadores turísticos, que mostraram preocupação sobre a matéria. De acordo com fonte oficial da administração portuária, citada pela Lusa, foi convocada uma reunião, óno passado dia 30 de julho, com todos os operadores, a quem foi apresentada uma proposta que agora “seguirá os trâmites legais aplicáveis antes da sua aprovação pelas entidades competentes”. “o modelo proposto foi concebido com o objetivo de assegurar a continuidade da atividade marítimo-turística óno Douro, garantindo estabilidade e previsibilidade aos operadores, criando condições para o desenvolvimento sustentável do setor. Simultaneamente, este modelo procura conciliar esses objetivos com o cumprimento do enquadramento legal aplicável à gestão do domínio público, assegurando a transparência, a igualdade de oportunidades entre operadores e a salvaguarda do interesse público”, adiantou a mesma fonte da instituição. CONTRIBUTOS AAPDL garante que “continuará a promover o diálogo com o setor” e manifesta-se “disponível para receber e enquadrar os contributos dos operadores” que possam “aperfeiçoar a proposta antes da aprovação final”. A reação daquela entidade gestora surgiu na sequência de um comunicado divulgado pela Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro, óno qual faz “um alerta público sobre o silêncio das autoridades portuárias”, num momento em que grande parte das licenças de domínio público expiram no próximo ano. SABER MAIS Atividade o setor reune I13 operadores, 252 embarcações e mais de 31 500 escalas anuais. A AAMTD tem 33 associados, mas garante que estes representam mais de 90% da atividade realizada no rio. Via Navegável do Douro transportou 1,39 milhões de passageiros em 2025 0 REGULAÇÃO Reclamada articulação mais eficaz o setor defende uma articulação mais eficaz entre a APDL, Agência Portuguesa do Ambiente, EDP, REN, Autoridade Marítima, Turismo de Portugal, municípios e empresas. Para a AAMTD, o principal problema não é a falta de entidades, mas a ausência de “uma VOz de comando”. A associação propõe uma Administração Portuária do Douro com autonomia e contas próprias ou, em alternativa, uma estrutura permanente com poder para coordenar decisões e executar investimentos. Sem novos cais, licenças mais longas e uma estratégia comum, OS operadores temem que o crescimento se transforme num problema. o Douro poderá receber mais passageiros nos próximos anos, mas com congestionamentos, custos superiores e uma experiência turística degradada. A associação reclama, por isso, um Plano Estratégico Nacional para a Via Navegável do Douro, com prioridades para OS próximos dez a I5 anos. “O que não faltam são estudos, diagnósticos nem vontade de investir”, sustenta. Falta transformar o planeamento em obras. Eduardo Pinto