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CASAIS QUER CRIAR EM BRAGA "UM GRANDE HUB EUROPEU DE CONSTRUÇÃO INDUSTRIAL"

Expresso Online

2026-08-21 19:48:02

A Casais fatura mil milhões de euros e espera duplicar a sua dimensão até 2030. “Se em cinco anos não tivermos duplicado a nossa dimensão, diria que não cumprimos o nosso objetivo”, diz o presidente executivo da construtora, António Rodrigues animado com o potencial da construção industrial As casas de banho chegam à antiga Fábrica de Sabonetes Confiança, em Braga, embaladas em caixas brancas. Depois, uma grua coloca-as nos diferentes pisos e a equipa de construção distribui-as pelos quartos e zonas comuns. “Tudo simples e rápido. É assim a construção industrial”, diz o presidente executivo da construtora Casais, António Rodrigues, numa visita à maior residência estudantil pública do país, com 786 camas prontas a estrear. MINHO Portugal produz é uma série de 12 trabalhos que o Expresso publica ao longo de 2026, ao ritmo de um por mês, sobre algumas das regiões que mais se destacam na economia nacional e que estão a afirmar-se enquanto espaços de criação de emprego, atração de investimento e dinamização das exportações. Na série damos a conhecer o que de melhor se faz nas várias regiões, como têm crescido e que desafios enfrentam. Quando a construção troca o estaleiro pela fábrica, “o prazo da obra é reduzido em 30% a 50%”, a fase da montagem pode encurtar de seis meses para um e “o retorno financeiro do projeto acelera”, adianta. É “uma revolução” a que a líder ibérica na construção industrializada de madeira e betão já aderiu: o grupo familiar bracarense, fundado em 1958, já tem aqui um dos seus motores e após ver o volume de negócios duplicar de EUR500 milhões, em 2019, para EUR1000 milhões, em 2025, projeta duplicar novamente a sua dimensão, puxado pela industrialização, tecnologia digital e internacionalização. “Se em cinco anos não tivermos duplicado de dimensão, diria que não cumprimos o nosso objetivo”, afirma. No centro da estratégia está o Offsite and Technology Hub, um ecossistema onde colaboram várias empresas do grupo especializadas em diferentes áreas da cadeia de valor, e onde a Casais desenvolve, testa e produz soluções industriais para projetos, procurando processos mais seguros, sustentáveis e escaláveis. Foi assim que construiu um hotel da cadeia B&B Hotels em Madrid, com mais de 70% dos componentes fabricados em Portugal, o que mostra o potencial de internacionalização do negócio a partir de Braga, onde acredita ser “possível criar um grande hub europeu de construção industrial”, até pela força do sector na região, sede de algumas das principais construtoras lusas, da DST à ACA ou à Gabriel Couto. 100 empresas As raízes desta força, explica António Rodrigues, estão “no passado, quando o município de Braga antecipou o crescimento da cidade, criou infraestruturas e disponibilizou terrenos para quem quis promover habitação, facilitando o aparecimento de muitos pequenos empreendedores, construtores e promotores”. A isto juntam-se “os ciclos de emigração e retorno”, com bracarenses que regressam a casa depois de anos a trabalhar em países como França ou Alemanha para se estabelecerem e, ainda, “um ecossistema forte de empresas subcontratadas e fornecedores locais”. Com mais de 100 empresas e 8800 trabalhadores, 75% dos quais no estrangeiro, a segunda maior construtora lusa tem apenas 1% de quota no mercado nacional, o que explica pela pulverização do sector, mas também pela internacionalização. Nas obras em carteira, os destaques vão para o projeto de abastecimento de água a Luanda e para a Alta Velocidade em Portugal. Quanto ao futuro, a Casais quer expandir a construção industrializada, sabendo que o modelo a seguir em mercados distantes, como os EUA, deve replicar “o que faz a Apple”, o que significa “exportar propriedade intelectual, know how e design, e subcontratar a produção a parceiros locais”. Distinguida pela rede BuiltWorlds como um dos 75 maiores inovadores globais na engenharia, construção e imobiliário em 2025, a Casais recebe visitas internacionais frequentes, incluindo dos EUA. “Há muito interesse na nossa capacidade de inovar na construção industrial”, diz António Rodrigues, notando que “a inovação foi a marca deixada na empresa logo na primeira geração, enquanto a segunda deixou a internacionalização como marca e a terceira deixa a industrialização”. Quanto à quarta, acredita, “o foco vai estar ainda mais no digital e no sustentável, associado ao industrial”. Margarida Cardoso Jornalista Margarida Cardoso, Rui Duarte Silva