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NASCEU NA UMINHO E QUER CHEGAR A TODO O PAÍS. AILAB ENSINA ESTUDANTES A TIRAR PARTIDO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

RUM

2026-09-02 06:00:04

A academia gratuita de Inteligência Artificial aproxima-se do primeiro ano de atividade. Francisco Torres, aluno do segundo ano de Gestão da Universidade do Minho, está atualmente sozinho à frente de um projeto que quer ganhar dimensão nacional.Francisco Torres, fundador do AILab, explica como nasceu o projeto, o que pretende acrescentar à utilização que os estudantes já fazem da Inteligência Artificial e os próximos passos de uma iniciativa que quer ganhar dimensão nacional. A ideia nasceu entre estudantes e para estudantes. O AILab começou a ganhar forma na Escola de Economia, Gestão e Ciência Política (EEG) da Universidade do Minho, depois de três alunos da Licenciatura em Gestão perceberem que, apesar de a Inteligência Artificial já fazer parte do quotidiano académico, grande parte dos colegas ainda explorava apenas uma pequena parte das possibilidades destas ferramentas. Francisco Torres, Yuri Guedes e Fábio Machado começaram a desenhar o projeto durante o EEG Business Day. Daí surgiu uma academia gratuita, prática e direcionada para estudantes, com o objetivo de mostrar como a Inteligência Artificial pode ser utilizada no estudo, no trabalho e no percurso académico. Uma ideia nascida entre estudantes da UMinho O AILab começou a ganhar forma durante o EEG Business Day. Francisco Torres recorda que foi durante a última palestra do evento que surgiu o momento que acabaria por desencadear a ideia. “Perguntaram aos alunos quem é que já tinha criado um assistente de IA” e, numa sala com cerca de 400 pessoas, foram poucos os que levantaram a mão, conta o estudante. Para Francisco Torres, que já trabalhava com Inteligência Artificial há vários anos, a resposta causou alguma surpresa: “Para mim, uma coisa tão simples como criar um assistente era algo que grande parte daqueles alunos ainda não tinha feito”. Como surgiu a ideia que deu origem ao AILab “Decidimos colmatar essa lacuna que havia com os alunos”, explica Francisco Torres, acrescentando que a academia foi pensada para que os próprios estudantes possam aprender a utilizar a Inteligência Artificial, tanto durante o percurso académico como, mais tarde, no mercado de trabalho. Foto: Hugo Antunes / EEG UMinho A primeira sessão pública do AILab decorreu na EEG e foi dedicada à aplicação da Inteligência Artificial à unidade curricular de Marketing. A proposta passou por mostrar aos participantes como estas ferramentas podem funcionar como apoio ao estudo e ao desenvolvimento de tarefas académicas. Ensinar o método, não apenas a ferramenta O AILab funciona em dois formatos. A vertente online reúne aulas gravadas e vários recursos, entre os quais assistentes prontos a utilizar. Já nas sessões presenciais, realizadas em universidades, o foco está na criação de assistentes personalizados e adaptados às necessidades concretas de cada estudante. Francisco Torres explica que o objetivo não é simplesmente apresentar plataformas como o ChatGPT, Claude ou NotebookLM. “Eu vejo muita gente a usar a IA e nunca lhes foi ensinada, ou seja, eles vão aprendendo à medida que vão usando”, aponta. Por isso, sublinha, “nós quase que ensinamos mais o método de usar a IA do que a ferramenta em si”. A lógica passa por afastar os estudantes de uma utilização demasiado genérica da Inteligência Artificial. Em vez de recorrer sempre ao mesmo chat, o AILab ensina a construir assistentes alimentados com documentos e informação específicos para cada necessidade. Website do AILab Francisco Torres dá o exemplo de um aluno de Direito que esteja a estudar o Código Comercial. Ao criar um assistente dedicado apenas a essa matéria, as respostas passam a estar limitadas à informação relevante para o problema, reduzindo o risco de misturar conteúdos de outras áreas ou diplomas. O projeto procura ensinar o método de utilização da Inteligência Artificial e não apenas o funcionamento das ferramentas Do Minho para o país Apesar de ter começado na Universidade do Minho, o AILab já ultrapassou as fronteiras da academia minhota. O projeto passou pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e pela Universidade Portucalense, no Porto, enquanto a componente online permite chegar a estudantes independentemente da instituição que frequentam. “O objetivo é mesmo levar esta academia ao nível nacional”, afirma Francisco Torres, traçando uma meta de “chegar pelo menos aos cinco mil alunos” no espaço de um ano a um ano e meio. O estudante quer ainda que o projeto se torne uma referência sempre que se fala de Inteligência Artificial aplicada ao contexto estudantil. O AILab aproxima-se entretanto do primeiro aniversário. Segundo o fundador, a iniciativa completa um ano dentro de cerca de dois meses. O crescimento do AILab, a continuidade do projeto e a ambição de chegar a estudantes de todo o país “A IA é uma ferramenta e não a solução” O crescimento da utilização da Inteligência Artificial no ensino superior traz também a necessidade de perceber onde deve ser colocada a fronteira. “A Inteligência Artificial não deve servir como uma solução, mas sim como um método” Na visão do estudante, a tecnologia não deve surgir como uma resposta pronta para substituir o trabalho de quem aprende. Pedir a uma ferramenta que faça integralmente um trabalho e entregá-lo sem sequer analisar o resultado é, para o fundador do AILab, um exemplo de uma utilização errada. “Primeiro não estamos a aprender nada”, alerta, lembrando que quem está na universidade está, acima de tudo, “para aprender”. A utilização correta passa, no seu entender, por recorrer à tecnologia para compreender melhor um problema, desenvolver ideias ou melhorar trabalho já produzido pelo próprio estudante. “A IA é o método, ou seja, é uma ferramenta e não a solução”, resume. As inscrições no AILab dão acesso ao hub online do projeto, onde estão disponíveis aulas, assistentes, manuais e outros recursos para quem pretende começar ou aprofundar a utilização da Inteligência Artificial.