ESTUDANTES SENTEM-SE MENOS PREPARADOS PARA AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO
2026-09-13 16:14:03

Cerca de 89% dos participantes num estudo consideram que o trabalho permite desenvolver competências como comunicação, trabalho em equipa ou gestão do tempo, enquanto 73% atribuem esse papel à escola. Os estudantes de Economia e Gestão da Universidade Portucalense avaliam as próprias competências transversais abaixo do nível que consideram ser exigido pelos empregadores. A gestão do tempo e as competências profissionais apresentam as maiores diferenças, segundo um estudo que analisou as respostas de 384 alunos. Numa escala de um a cinco, os inquiridos atribuíram uma média de 4,40 ao nível de competências que consideram esperado pelos empregadores, enquanto a avaliação das próprias capacidades ficou nos 4,08. A confiança em conseguir corresponder às expectativas do mercado registou 4,04. O estudo não avaliou diretamente os empregadores e, por isso, não permite concluir se existe um défice efetivo de competências entre os jovens, mas identifica diferenças entre a perceção das exigências profissionais e a avaliação que fazem da própria preparação. Na gestão do tempo, os estudantes consideram que os empregadores exigem um nível médio de 4,61, numa escala de um a cinco, mas avaliam a própria capacidade nesta área em 3,95. Nas competências profissionais, os alunos consideram que os empregadores esperam um nível de 4,22, enquanto atribuem uma média de 3,48 às próprias capacidades. Ao todo, 89,74% dos participantes consideram que o trabalho permite desenvolver competências como comunicação, trabalho em equipa ou gestão do tempo, enquanto 73,61% atribuem esse papel à escola. “Mais do que transmitir conhecimento, importa criar oportunidades para que possam praticar competências, testar as suas capacidades e receber feedback”, defende Margarita Carvalho, coordenadora do MBA Executivo da Universidade Portucalense e uma das autoras do estudo. Investigadores defendem maior integração no percurso académico A investigação analisou 22 competências transversais, entre as quais comunicação, pensamento crítico, liderança, trabalho em equipa, planeamento e organização, resolução de problemas, criatividade, flexibilidade, gestão do stress e inteligência emocional. Os autores defendem que estas capacidades devem ter maior presença ao longo do percurso académico, através da integração nos objetivos de aprendizagem, de avaliações mais próximas de situações profissionais e de feedback mais explícito aos alunos, sem que isso implique necessariamente a criação de uma disciplina específica. A colaboração entre instituições de ensino superior e empregadores é outra das propostas apresentadas, com o objetivo de traduzir conceitos como “boa comunicação”, “proatividade” ou “resiliência” em comportamentos concretos que possam ser praticados e avaliados. “Um diploma certifica conhecimento, mas a transição para o mercado de trabalho exige também que os estudantes saibam mobilizar esse conhecimento, trabalhar com outros, tomar decisões e adaptar-se a situações novas”, afirma a investigadora. O estudo “Students and employers perceptions differential on soft skills: An analysis for university students”, da autoria de Margarita Carvalho, Mónica Azevedo e Luís Pacheco, foi publicado na revista científica Industry Higher Education. SAPO