“FALSO” ADVOGADO DIZ QUE FEZ “AS DISCIPLINAS TODAS”
2026-09-17 06:00:03

Luís Rufo depôs no Tribunal de Braga para garantir que nunca forjou certidões. MP pediu condenação JULGAMENTO Luís Rufo, acusado de ter exercido ilegalmente advocacia durante quase 30 anos, afirmou no Tribunal de Braga, que nunca forjou qualquer declaração e que concluiu o curso de Direito num percurso académico que passou POr três universidades. Na segunda sessão do julgamento, em que foram feitas as alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu a condenação do arguido e a defesa solicitou a absolvição. “Fiz as disciplinas todas. Não é verdade que tenha forjado qualquer documento”, garantiu o arguido. Aos juízes, admitiria que nunca foi a qualquer aula na Universidade de Coimbra, mas assegurou que ali fez, com aproveitamento, o exame referente ao primeiro ano de Direito Administrativo. Todas as outras cadeiras, disse, foram feitas na Universidade Livre. O arguido sustentou que, na altura, matriculou-se na Universidade Livre e na de Coimbra. A ideia seria fazer a cadeira de Direito Administrativo em Coimbra, já que na Livre, defendeu, era mais dificil. Rufo, de 71 anos, referiu ainda que a acusação lhe provocou uma depressão. REPROVADO Com o fim da Universidade Livre, Rufo ingressou na Portucalense, õno Porto, concluiu em 1991 o curso e inscreveu-se na Ordem dos Advogados. Nas alegações finais do julgamento, a procuradora do MP considerou que Luís Rufo “ludibriou” a Universidade Portucalense para aí conseguir “concluir” o curso. Para o efeito, terá apresentado certidões falsas da Universidade de Coimbra e da Livre, “atestando” que nelas teria feito as cadeiras todas do 1.0 ano. O arguido, que exerceu advocacia entre 1993 e 2022, está acusado de 141 crimes de usurpação de funções. O seu defensor, Artur Marques, que foi também quem acompanhou o estágio de Luís Rufo, alegou que “não há fundamento legal” para condenar o arguido pelos crimes de que está acusado, pelo que pediu a absolvição. Artur Marques sublinhou que Rufo exerceu com base no título que lhe foi atribuído pela Ordem dos Advogados. Luís Rufo exerceu advocacia durante quase 30 anos