“NERIUM OLEANDER”: ESCULTURA EM MÁRMORE UNE A FLOR DO ALANDRO ÀS MURALHAS DA FORTALEZA DE JUROMENHA (C/FOTOS)
2026-09-21 23:54:03

A escultura “Nerium oleander”, criada por Mário Lopes a partir de um único bloco de mármore Ruivina, foi inaugurada este domingo, 20 de setembro, na Fortaleza de Juromenha, no concelho de Alandroal. A obra estabelece uma ligação entre a morfologia da flor do alandro e a estrutura arquitetónica do monumento. Com 175 centímetros de altura, [...] A escultura “Nerium oleander”, criada por Mário Lopes a partir de um único bloco de mármore Ruivina, foi inaugurada este domingo, 20 de setembro, na Fortaleza de Juromenha, no concelho de Alandroal. A obra estabelece uma ligação entre a morfologia da flor do alandro e a estrutura arquitetónica do monumento. Com 175 centímetros de altura, 280 de comprimento e 80 de largura, a peça foi instalada no interior da fortaleza e resulta de uma combinação de referências naturais, históricas e patrimoniais do território. O título corresponde ao nome científico do loendro, também conhecido como alandro, planta associada à origem do topónimo Alandroal. A forma da escultura parte do crescimento em espiral da flor e da configuração triangular das pétalas, cruzando esses elementos com a planta estrelada das muralhas de Juromenha. “Ao mesmo tempo, inspirei-me também na Fortaleza de Juromenha, pela sua planta, pelas formas, pelo peso e pela história que tem por trás”, explicou Mário Lopes ao jornal ODigital.pt. Escultura nasceu de um único bloco de mármore Apesar de aparentar ser formada por diferentes elementos, a escultura foi produzida numa única peça, sem colagens. “Parece uma forma feita de vários elementos, mas, na verdade, é um bloco único. Só a separação destes vários elementos dá a sensação de estarem separados”, indicou o escultor. Mário Lopes procurou criar uma síntese entre a flor, a arquitetura da fortaleza e os materiais naturais presentes no território. A obra não reproduz diretamente nenhum desses elementos, recorrendo antes a uma linguagem abstrata. “É uma simbiose de elementos, mas recriados ou sintetizados noutra forma”, acrescentou. O artista explicou que o mármore recebeu os primeiros cortes e um desbaste inicial ainda na região, antes de ser transportado para o seu atelier, em Leiria. O trabalho foi desenvolvido com recurso a rebarbadoras e outras ferramentas, incluindo uma máquina utilizada para abrir o espaço central da escultura. O processo exigiu precisão na definição dos ângulos, dos planos e das arestas. Concluída a produção, a peça regressou ao concelho de Alandroal, onde foi instalada com recurso a um camião-grua. “Estou muito contente com este resultado. É uma peça que, para mim, transmite muito bem esta relação”, afirmou Mário Lopes. Obra liga a fortaleza à vila de Juromenha Para o presidente da Câmara Municipal de Alandroal, a localização da escultura permite estabelecer uma ligação entre a Fortaleza de Juromenha e a respetiva povoação, ao mesmo tempo que reforça a presença de arte contemporânea no concelho. “É uma escultura que faz aqui uma ponte, também pela localização, entre a fortaleza e a vila, e cria mais um atrativo que reforça esta ideia do que é o território todo”, declarou João Grilo ao jornal ODigital.pt. O autarca considera que a inauguração representa o começo de uma aposta municipal na instalação de arte em espaços públicos com interesse patrimonial. “Conseguir inaugurar hoje esta peça significa dar início a um caminho de valorização da arte no espaço público, também como fator de atração”, salientou. “Nerium oleander” tem curadoria da zet gallery e integra o projeto “Sons do Rio”, desenvolvido no âmbito do 5G.RURAL. O programa associa a instalação de tecnologia de quinta geração a iniciativas nas áreas da cultura, inovação e valorização do território. Novas obras previstas para os castelos do concelho A Câmara de Alandroal pretende dar continuidade à colocação de arte pública nos castelos do concelho. Segundo João Grilo, o Castelo de Alandroal deverá receber uma peça concebida pelo arquiteto Manuel Aires Mateus no âmbito do projeto “Primeira Pedra” e oferecida ao município pelo Cluster da Pedra. Existe também a possibilidade de Mário Lopes criar outra obra para o exterior do Castelo de Terena. O escultor revelou que já apresentou uma proposta inspirada na estrutura do monumento e na paisagem envolvente, embora a sua concretização dependa dos trabalhos previstos naquele espaço. O presidente da Câmara enquadrou estes projetos na valorização do mármore enquanto elemento da identidade, da atividade económica e dos ofícios tradicionais da região. “Precisamos que o mármore continue a fazer parte da nossa vida, seja na construção, seja como obra de arte, seja em todas as aplicações que possamos imaginar”, concluiu João Grilo. [Additional Text]: “Nerium oleander”: Escultura em mármore une a flor do alandro às muralhas da Fortaleza de Juromenha (c/fotos) SAPO