pressmedia logo

EMPRESAS DEVEM IDENTIFICAR LÍDERES TÓXICOS ANTES DE PROMOÇÕES A CARGOS DE CHEFIA

TSF Online

2026-09-25 18:46:02

Uma investigação com a participação do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra, defendeu a simulação de conflitos e decisões éticas antes da promoção, auditorias a quem lidera e canais confidenciais de denúncia para prevenir abusos de poder nas empresas. "Devem ser criados mecanismos para que os erros aconteçam primeiro numa simulação e não no local de trabalho", disse o investigador do ISMT e coautor do estudo, Bruno Cordeiro. As empresas devem "escolher os seus líderes pela capacidade de estes gerarem confiança na estrutura, de promoverem comunicação e coesão nas equipas e de prepararem a organização para responder melhor a situações de crise". A investigação apontou que a seleção para cargos de chefia deve ter também em conta a empatia e a inteligência emocional, bem como a capacidade de resolver conflitos e de tomar decisões éticas, não bastando obter resultados operacionais, económicos ou financeiros positivos. "Quando uma organização não supervisiona, não responsabiliza nem avalia os comportamentos das suas chefias, está a criar as condições para que pessoas com perfis de liderança tóxica cheguem ao poder e aí permaneçam", afirmou o docente. Os primeiros sinais de uma liderança empresarial deficiente são a microgestão, o favoritismo, a comunicação deficiente e ausência de prestação de contas aos proprietários das empresas. A investigação concluiu que quem foi alvo de chefias abusivas tende a repetir o comportamento quando chega à liderança. No trabalho, publicado no livro "Employee Experience Management for Organizational Resilience", são propostos "inventários de personalidade que permitam identificar traços associados ao narcisismo, ao maquiavelismo e à psicopatia, e simulações de cenários em que o candidato tenha de tomar decisões éticas e resolver conflitos", segundo o ISMT. Após a promoção, os investigadores recomendaram "avaliações a 360 graus", realizadas por superiores, pares e subordinados, e sugeriram auditorias regulares à liderança, canais confidenciais e anónimos para comunicar comportamentos abusivos e comissões de ética independentes, bem como que os sistemas de recompensa valorizem comportamentos éticos e colaborativos. "Prevenir e combater lideranças tóxicas não é um exercício de bondade organizacional - é uma condição para a sustentabilidade das organizações", sustentou Bruno Cordeiro. Entre as propostas está ainda a realidade virtual e ambientes imersivos para simular conflitos, decisões sob pressão e situações de abuso de poder, e observar como cada pessoa reage. "O erro mais caro que uma empresa pode cometer é deixar que um líder aprenda a liderar à custa da própria equipa", defendeu o investigador. O estudo alertou para riscos de vigilância excessiva dos trabalhadores e de algoritmos que reproduzem as desigualdades já existentes, recomendando que a inteligência artificial e a análise de dados apoiem a supervisão e a decisão, mas nunca substituam a avaliação humana. "A tecnologia não tem ética própria, tem a ética de quem a utiliza", indicou o docente, acrescentando que "uma organização que implementa inteligência artificial sem princípios claros de transparência está apenas a automatizar os seus próprios problemas". O trabalho, que reuniu a literatura científica internacional sobre liderança tóxica, é da autoria de Bruno Cordeiro, do ISMT, Fernando Oliveira Tavares, da Universidade Portucalense, e Pedro Marques, da Universidade de Coimbra. [Additional Text]: Google logo Imagem de contexto do artigo Empresas devem identificar líderes tóxicos antes de promoções a cargos de chefia Imagem do autor Lusa Lusa