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AIRBUS PROPÕE FABRICAR PARTE DO EUROFIGHTER EM PORTUGAL

Público

2026-09-26 06:00:03

Gigante europeu formaliza junto do Governo até Novembro a proposta de substituição dos F-16 portugueses A Airbus pretende produzir e montar estruturas de asa e cablagens para o Eurofighter Typhoon em Portugal se o Governo optar pelo caça europeu para substituir os envelhecidos F-16 da Força Aérea. O gigante aeronáutico apresentou na quinta-feira, em Lisboa, a sua estratégia de cooperação industrial e tecnológica associada a uma venda que, estima, custará cinco mil milhões de euros ao Estado. O processo de escolha do substituto do F-16 ainda não arrancou formalmente mas está previsto na nova Lei de Programação Militar que, segundo o chefe do EstadoMaior-General das Forças Armadas, general João Cartaxo Alves, será entregue no Parlamento até ao final do ano. Concorrem ao negócio, para além da Airbus, a sueca Saab, a norte-americana Lockheed Martin e a francesa Dassault. As empresas têm afirmado que ainda não receberam do Ministério da Defesa a lista de requisitos oficiais, estando sobretudo a trabalhar em propostas não solicitadas. A Airbus (empresa líder do consórcio Eurofighter, que também inclui a britânica BAE Systems e a italiana Leonardo) é a primeira candidata a detalhar e quantificar a sua proposta de cooperação industrial, um dos aspectos-chave dos grandes processos de aquisição de material militar.com uma presença de várias décadas em Portugal, onde conta com 35 fornecedores, sobretudo para o seu pilar de aviação civil, empregando directa e indirectamente 8000 trabalhadores, o grupo europeu prevê duplicar num horizonte de cinco anos o seu volume de compras à indústria nacional, de 90 para 180 milhões de euros anuais, e aumentar para 240 milhões de euros o seu contributo para o PIB. O gigante aeronáutico refere várias empresas na sua proposta industrial, apesar de tal não significar que haverá acordos finalizados com todas as entidades. A Aernnova e a Mecachrome (ambas com operações em Évora), a Caetano (Gaia) e a Lauak (Setúbal) são indicadas como potenciais parceiras no fabrico e montagem de estruturas de asa, cablagens e equipamentos de missão. OGMA e Orion Technik são referidas para o programa de manutenção do caça. A Tekever e a Critical poderão integrar o projecto de drones do Eurofighter, que prevê que a aeronave possa vir a controlar enxames de objectos não tripulados em operações de combate, vigilância e detecção de ameaças, um campo que o sector da aviação militar está agora a explorar. GMV, Ceiia e Critical FlyTech são referidas no capítulo da infra-estrutura e software de segurança. O “livro branco” do projecto prevê ainda áreas de cooperação nos treinos de simulação e nas comunicações por satélite. A Airbus apresenta o Eurofighter como “a espinha dorsal das forças aéreas alemã, britânica, italiana e espanhola” e defende que a sua plataforma “oferece uma solução europeia e soberana sem dependências críticas fora da base industrial e tecnológica europeia”, como declarou ainda em Maio, ao PÚBLICO, o responsável do projecto para Portugal, Iván González Expósito. “O Eurofighter assenta numa lógica de controlo, transparência e autonomia para os seus países operadores”, afirmava então o gestor, numa crítica implícita à proposta da Lockheed Martin, o F-35, plataforma frequentemente descrita como fechada e controlada pelos Estados Unidos, algo que a empresa norteamericana contesta, e que é manifestamente preferida pela Força Aérea Portuguesa. Outra diferença de fundo separa as duas aeronaves: o F-35 é um caça bombardeiro predominantemente desenhado para acções ofensivas; o Eurofighter tem um perfil mais defensivo, apto a missões diárias de policiamento aéreo. Há dois outros caças em cima da mesa: o Gripen E/ F da Saab e o Rafale da Dassault. Um Eurofighter Typhoon da Força Aérea austríaca Pedro Guerreiro