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UM CASO QUE JAMAIS PODE CAIR NO ESQUECIMENTO O BANCO DO MINHO

Diário do Minho

2026-10-07 08:02:02

FRANCISCO VIEIRA DA SILVA (EMAIL: FJVSILVA2013@GMAIL.COM) FUNDADO E GERIDO POR HOMENS INTRÉPIDOS, ENCERRADO POR UM HOMEM SEM ESCRÚPULOS 2 | BREVE HISTORIAL DO PERCURSO(2) Continuação 1919 Com a entrada de dinheiro fresco com a terceira emissão e com o elevado aumento de depósitos os recursos para atender às muitas e prometedoras operações manifestam-se insufci ientes. É proposto em assembleia geral a quarta emissão de 8.000 acções , ao preço de 225$00 para elevar o Capital a 2.000 contos. Nesta expansão já está a concorrer a Filial de Lisboa que iniciara as suas operações a 15 de Setembro, data em que passa de agência a fli ial Foi um ano excepcional! 1920 Impulsionado pela elevada infal cção do momento o dinheiro não chega para dar cumprimento a todas as operações bancárias do banco. Daí a necessidade de novo aumento de Capital, o que acontece por duas vezes neste ano: em Janeiro, para 2.000 contos e em Junho para 4.000 contos. Mais, na assembleia geral de 17 de Junho são autorizados, após voto favorável do conselho fsi cal, e quando fossem necessários novos aumentos de Capital até 10.000 contos. O prémio de venda de novas acções e lucros deram ainda para criar um fundo de reserva de 500 contos para amortização das novas instalações e das suas fli iais 1921 No seguimento da decisão da assembleia geral de 26 de Junho de 1917, é inaugurada a fli ial do Porto «[ ] assim se adquiriu um local, na rua Elias Garcia (actual avenida dos Aliados), com a área de 400 m., por 40.040$00 na “nova avenida da cidade”.» Diário do Minho , 24.6.1921 A demonstração (e vaidade) de poder não pára. Menos de cinquenta anos depois da inauguração a remodelação da sede merece destaque «[ ] O Banco do Minho é, sem contestação, um dos maiores títulos de orgulho não só de Braga, mas da província toda de que universalizou o nome desta casa bancária conhecida em todo o mundo. [ ] A transformação sofrida pelos rés-do-chão do edifício do banco foi radical e as obras executadas são simplesmente primorosas. [ ] As obras em geral foram dirigidas pelo distinto arquitecto Sr. Moura Coutinho, que se desempenhou do encargo com a sua reconhecida competência. Os estuques e adornos são obras dos mestres Fontes, de Affi e, e Bouças, de Braga, e honraram os artistas que os executaram. [ ] a casa Soares Barbosa & Irmão, da Avenida (Central) executaram os restantes trabalhos, o lambrim, os balcões, a escrivaninha circular, afri mando mais uma vez os créditos que já ganharam a indústria local [ ] Diário do Minho , 31.8.1921 1922 O Capital social do banco é elevado para 6.000 contos e o Fundo de Reserva para 6.803.500$00. Foi o resultado da 6ª emissão, num total de vinte mil acções, lançadas novamente para os antigos accionistas ao preço de 225$00 cada uma, com direito a metade do dividendo anual deste ano. O êxito foi completo, a subscrição foi totalmente coberta por estes. Dentro de uma política calculista, e com o constante aumento dos lucros, o banco não esgota a generosidade apenas nos seus accionistas. Divide-a com a Benefci ência Pública. A partir do exercício anterior (1921) será uma rubrica anual obrigatória na Demonstração de contas de Ganhos e Perdas, a deste ano destina 90 contos para a Assistência Pública das cidades onde tinham instalações (Braga, Porto e Lisboa). À cidade de Braga calharam 30 contos assim distribuídos: «12.000$00: Hospital S. Marcos | 1.700$00: Asilo de Mendicidade, Asilo S. José, Asilo D. Pedro V, Colégio S. Caetano, Colégio da Regeneração, Ofci inas S. José | 1.000$00: Creche, Sopa dos Pobres, Escola João de Deus, Missões de África (Espírito Santo), Missões de África (Franciscanos), S. Vicente de Paulo (Homens) | 800$00: Hospital Stª Cruz | 400$00: S. Vicente de Paulo (Senhoras) | 200$00: Bombeiros (para tuberculose) | 150$00: Pão de Stº António | 100$00: Recolhimento da Caridade, Recolhimento das Convertidas | 50$00: Beatas Stº António» Diário do Minho , 28.2.1922 1923 1923 Guimarães ganha, na rua da República, nº 11-13, uma Agência do Banco para mais fácil e directamente prestar auxílio à economia daquela cidade e apresentar à sociedade mais uma manifestação de poder 1924 O poderio crescente do Banco do Minho é bem demonstrativo. Se em 1919 e 1920 aparece em quarto lugar, em 1921 em terceiro, de 1922 a 1924 surge em segundo lugar dos bancos portugueses de depósitos, apenas ultrapassado pelo Banco de Lisboa e Açores. Ombreia com os melhores bancos do país. Os depósitos à ordem e a prazo seguem uma curva ascendente. Se em 1920 apresentavam números superiores a 11.000 contos, em 1922 ultrapassaram os 40.000 e, neste ano, subiram quase aos os 50.000 contos. Foi um grande êxito a sétima e última subscrição (4.000 contos) de novas acções, elevando o capital do banco para 10.000 contos. Acontecimento deveras marcante para o banco foi a fundação da Sociedade Bancária do Minho, Braga e Comp.ª L.da, no Rio de Janeiro. Instalado na rua da Quitanda, nº 117 , no edifício antes pertencente ao Banco Francês e Italiano para a América do Sul. Será um dos investimentos apontados como catalisadores do descalabro fni anceiro do Banco do Minho (como veremos mais adiante) Com o êxito obtido com o aumento de Capital para 6.000 contos e com o volume de numerário o banco procura rentabilizá-lo em diversas aplicações. É disso exemplo a constituição da nova Empresa de Águas do Gerês, na qual o banco participaria como sócio principal e futurava a modernização toda a zona das Caldas: «O patriótico empreendimento do Banco do Minho é digno de todo o louvor. Vamos ter um Gerês que se possa apresentar aos olhos de nacionais e estrangeiros. [ ] O desejo que tínhamos de informar os leitores acerca dos importantes melhoramentos por que vai passar a nossa magnífci a estância termal, é agora satisfeito com a prezada carta do nosso querido amigo dr. Domingos José Ribeiro Braga [ ] Segue a carta: Meu caro Ribeiro Braga (Padre Ribeiro Braga, director do jornal) Remeto-te a cópia da escritura da constituição da nova Sociedade Anónima “Empresa das Águas do Gerês” para tu a fazeres publicar no teu Diário do Minho.com ela vai a chave de um sonho que o meu espírito acalentou durante um ano e que uma bela energia do Porto soube levar admiravelmente a efeito. Essa energia , Alberto Taborda em pessoa , que se encontra hoje comigo à frente da administração da nova Empresa, pôde conciliar interesses e remover difci uldades e apuros de se conseguir, graças à intervenção da direcção do Banco do Minho, na qual é preciso destacar os nomes de Neves Pereira, João Amorim e José Luís da Silva, o fundamento duma obra que deve ser grande, que há-de ser grande. O Gerês que tem condições para ser a melhor estância termal do nosso país, tem permanecido num estado deplorável de abandono, quase de verdadeira miséria. Custa a compreender como se têm atravessado tantos anos, em tão condenável exploração de águas, que são únicas no mundo para cura de certas doenças. Mais custa a acreditar como belezas naturais de tanta grandeza, como são as do Gerês, tenham sido por tantos anos insultadas por todos ao que nela hão visto a disputa mesquinha de interesses materiais imediatos. Por tudo isto, o Banco do Minho chamou a si um empreendimento, que, além de ser justo e nobre, de muita utilidade será para os povos do Norte de Portugal e nomeadamente para esta linda cidade de Braga. Vamos, pois, ter um Gerês digno de todos nós e que, com orgulho, se possa apresentar aos olhos de nacionais e estrangeiros. A nova administração, que tomou posse na passada segunda-feira, já assentou no que haveria de fazer-se: um grande balneário; a transformação do actual balneário, em casino; a construção dum bairro em terreno apropriado, para que nele possam encontrar guarida as famílias que ora vivem miseravelmente em pocilgas, que têm de ser arrasadas quanto antes; a destruição de todos os casebres que nas encostas das ra-vinas tão mau aspecto oferecem; a construção a meia encosta dum hotel monumental que ofereça ao turista e ao banhista todas as comodidades; a conquista das altitudes por meio de funiculares eléctricos; ampliação do parque pela margem direita do rio; o desvio da estrada pela mesma margem para que desapareça o trânsito de veículos pela Avenida onde se encontram as nascentes, a ampliação dos recintos, onde os doentes tomam as águas; a iluminação a luz eléctrica, do Parque, das avenidas e de todos os estabelecimentos. Enfmi , tudo o que necessário for, para que a Estância seja o que deve ser. Mas, repara bem, estas coisas não serão feitas a la diable. Chamaremos o auxílio dos melhores higienistas e arquitectos, para estes organizarem as bases dum concurso segundo o qual todos os homens de saber e bom gosto poderão apresentar um plano geral de melhoramentos que, depois de aprovado, há-se ser executado parcialmente, à medida dos recursos fni anceiros, começando-se pelo mais urgente. Não te parece bem assim? Agora só mais uma nota interessante para satisfazeres a curiosidade do público: O Banco do Minho, que tem a maioria do capital da nova Empresa, não teve que desembolsar dinheiro desde já. O dinheiro que for preciso para as obras a realizar será auferido por emissões sucessivas de acções a lançar no mercado, à medida que estas forem prosseguindo. Os sócios da extinta “Empresa das Águas do Gerês, Limitada”, tão pouca confai nça depositam na nova Sociedade, que transferiram para esta todos os seus direitos de concessão e propriedades rústicas e urbanas na Estância em troca de acções da nova Empresa. Eis as indicações que te havia prometido. Transmito-tas nesta carta escrita a correr, sem preocupações literárias, e só poderás servi-te dele no que julgares conveniente para publicares no teu jornal, sem te referires à minha pessoa. Já sabes, porque te hei dito muitas vezes, que eu, na minha terra, quero viver trabalhando sem me oferecer à expectação do público. Adeus! Um abraço do teu quase homónimo e amigo, Domingos José Ribeiro Braga» Diário do Minho , 27.4.1924 Nunca se soube se a famosa estância termal terá algum dia benefci iado do sonho dessa empresa Certo, certo é que se assiste ao devaneio de um director! Neste ano aconteceu um curioso incidente com o Ministério das Finanças. Alegadamente a Filial de Lisboa informa o seu agente de S. Paulo, através do texto indesmentível de um telegrama, que o câmbio a praticar nessa semana seria ligeiramente mais baixo do que aquele que o Governo tinha autorizado. O banco pretendeu emendar que esses telegramas habituais apenas pretendiam orientar os agentes no Brasil, e classifci a-o de anódino, simples e sem má fé Mas não foi nesse sentido o juízo que o Ministro da Finanças fez do telegrama; desconfai ndo que o banco rompia o cerco da estrita competência do seu ministério, publica uma portaria «[ ] Tendo o Governo tido uma prova irrecusável de que o Banco do Minho, por intermédio da sua sucursal de Lisboa, está praticando operações de carácter especulativo prejudiciais aos interesses colectivo: Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro das Finanças, que seja proibido ao referido Banco e suas sucursais, no continente e ilhas adjacentes, o exercício da indústria de compra e venda de cambiais, até determinação em contrário.» Diário do Governo, nº 165, 2ª série, de 19.7.1922 A direcção do banco desdobra-se em explicações, mas sem resultados positivos. Sensivelmente um mês depois envia ao Ministro uma petição escrita, em tom humilde e respeitoso, recordando-lhe a história de mais de meio século, da mais impoluta e disciplinada lealdade e desagravando a forma como até o caso fora tratado pela gerência da Filial de Lisboa: « As nossas fli iais têm uma vida mais ou menos autónoma e não consultam a Sede em determinadas operações [ ] O suplicante afri ma, pois, o seu completo alheamento no caso que motivou a aludida portaria [ ] É, pois, de toda a equidade, que dadas estas explicações tão leais e serenadas a sua justa indisposição pelos termos gerais usados pela Filial de Lisboa, a explicação do seu procedimento, e ainda pela segurança de que ele saberá reparar o equívoco cometido, V. Exª se digne declarar sem efeito a mencionada portaria, certo de que não terá de arrepender-se desta decisão tão justa equitativa.» Relatório , 1922 Por outras palavras: a culpa não seria toda do banco, mas sim da gerência da Filial de Lisboa, pois, para além da ligeireza sem má fé, foi incorrecta para com a direcção e demais corpos sociais (não causa estranheza pois, que no ano seguinte, todos os gerentes de Lisboa sejam substituídos). A direcção respira de alívio quando, a 29 de Setembro surge novo diploma a revogar a portaria anterior. Publicamente dá conta da sua amargura por se ter sentido muito só e desamparada pelos pares doutros bancos “sem qualquer gesto de boa camaradagem”. Mas com escarninha descontração bendiz o castigo: em consequência de tal medida, tão injusta como violenta, acabou por ganhar muito dinheiro, dado que nesses meses o câmbio alterou-se, de forma substancial, a favor da carteira do banco e o congelamento dos seus títulos só o benefci iaram Os lucros vão aumentando de forma bem expressiva e os dividendos também. Em 1920 foram mais de 1.000 contos (20%), no ano seguinte mais de 2.000 contos (22%), dois anos depois ultrapassam os 2.700 contos (35%), logo seguido de 3.500 contos (40%), e em 1924 é de quase 5.700 contos (40%) , entre parêntesis os dividendos distribuídos. 1925 A partir deste ano os relatórios anuais, sempre muito concisos e cautelosos na linguagem, alertam para um ambiente de crise, embora prossiga a prosperidade na generalidade das contas «Sobre os valores das contas do activo convém, desde já, chamar a atenção para eventual alteração das quantidades, por engenhosas artes de contabilidade e sobrevalori-zação, tendentes a mostrar a “boa saúde” de um Banco em sérias difci uldades e com a fni alidade de evitar o pânico entre os seus clientes.» Relatório , 1925 Já nos relatórios anteriores havia uma queixa constante à falta de numerário, e naturalmente, diminuição na velocidade de circulação monetária. Os lucros diminuíram e os dividendos, logicamente, seguem esse efeito descendente 1926 No aspecto funcional e administrativo começam a surgir casos complexos como resultado de imobilizações de vulto, que se revelaram desastrosas, com especial ênfase para a Sociedade Bancária do Minho, no Rio de Janeiro 1927 Os depósitos a prazo (caro para os bancos) atingem uma soma superior a 40.000 contos Algumas contrariedades surgiram este ano, entre eles o volume de impostos, parte dele de forma extraordinária: «A Direcção-Geral de Contribuições e Impostos, baseada nos acórdãos dos Tribunais de 2ª Instância e no Superior do Contencioso das Contribuições e Impostos, taxou o Banco do Minho com imposto complementar, em cerca de 830 contos, por considerar que o aumento do fundo de reserva efectuado em 1924, aquando do último aumento de capital, se deve considerar lucro do banco e por isso colectável como tal. O banco contestou tal decisão e dela sempre recorreu em todas as instâncias até que, agora em 1927, foi compelido a pagar essa quantia, depois de esgotados todos os recursos de defesa.» Relatório , 1927 A direcção acrescenta que a responsabilidade por deterem um capital de 10.000 contos começa a ser incómoda e pesada «Esta difci uldade [ ] foi ainda para nós agravada pela circunstância de darmos satisfação, em obediência ao Decreto nº 10 634 de 20 de Março de 1925, a um capital de dez mil contos, enquanto que noutros bancos trabalharam para conseguir dividendos a atribuir a um capital muito inferior.» Relatório , 1927 Mesmo com estes contratempos, e sempre que solicitado, o Banco do Minho prestou assistência às actividades económicas, desde a lavoura à indústria. O seu crédito sai reforçado no estrangeiro e os depósitos continuam a crescer, num verdadeiro sinal de confiança. Neste ano pagou 1 890 249$15 de contribuições. Nas palavras de João Amorim (um dos elementos da direcção) numa entrevista exprime um desabafo: “As contribuições são muito grandes. Mais de 50% vão para o estado. Se nos fosse permitido, o Banco do Minho comprometer-se-ia a sustentar o Hospital de S. Marcos e outras instituições de Caridade, com melhoria de condições, desde que fosse dispensado de pagar aquela percentagem directamente ao estado.” 1928 A situação tende a agravar-se. O enfraquecimento da economia provocado pela expensão desordenada do comércio e da indústria resultantes da desvalorização da moeda e subsequente alta aparenta da mercadoria, durante e depois da guerra, começa a mostrar mau reverso. Na reunião da direcção de 5 de Outubro Ribeiro Braga afri ma que trabalhou, com o maior empenho, na última reforma dos estatutos do banco, com intenção de dimi-nuir encargos, pelo processo de redução de capital e de despesas, e propõe chamar à responsabilidade directa na administração todos os que a devem ter. De seguida avança com uma outra proposta, que se estude a maneira de reduzir, quanto antes, de 20% pelo menos, as despesas com o pessoal e com o expediente. Propostas aprovadas unanimemente. Na reunião seguinte (de 11 de Novembro), o mesmo Ribeiro Braga toma a palavra: “ É necessário resolver, quanto antes, o problema da redução do capital, motivo principalmente determinante da última reforma dos estatutos; que esta redução é necessária para poderem ser amortizados, em grosso volume, os prejuízos anteriores, pela contrapartida da diminuição do encargo de dividendos e subsequentes impostos e que é oportuna, porque existe, nas caixas e em depósitos no estrangeiro, dinheiro sufci iente para que ela se efectue, sem sacrifícios de maior.” Por sua vez, o relatório apresenta motivos de preocupação e que justifci am apreensão. Eis os principais: «a obrigatoriedade de distribuir grande quantidade dos seus lucros por um quociente signifci ativo de accionistas, dado o seu capital volumoso; porque o Banco do Minho é a caixa de entesouramento das reservas de quase toda a província do Minho tem de pagar juros pesados a um excepcional depósito a prazo (nesta data atinge o maior valor de depósitos a prazo de todos os bancos portugueses: 50 771 103$03; devido à sua extensão nacional, é obrigado à sustentação dum pessoal numerosíssimo (178 no total, repartidos; pela sede: 44, Lisboa: 86, Porto: 37 e Guimarães: 11) cujos vencimentos totalizaram 1.969.957$50, a que se deve acrescentar os encargos; a concorrência e demasiados organismos bancários particulares, dos bilhetes de tesouro do estado e das facilidades excepcionais proporcionadas pela Caixa Geral e Depósitos.» Relatório , 1928 Perante esta situação são decididas na assembleia geral extraordinária, realizada em Agosto, algumas medidas tendentes a diminuir despesas, nomeadamente a redução de capital, a fim de reduzir também os impostos e o valor global dos dividendos 1929 Apesar de todos os esforços não se consegue sossegar os espíritos ansiosos dos responsáveis pelo banco, nem aliviar a carga pessimista da crise económica. Sem grandes alicerces, a economia que cresceu no pós-guerra, está a ruir , redução de laboração, fábricas a fechar e falências em catadupa. Tudo se precipita num torvelinho devorador bem alimentado pelas consequências portuguesas da Grande Depressão económica que grassava por todo o lado (mercados de fundos e câmbios quase parados), com cortes abruptos nas remessas dos emigrantes o Brasil. Bem podia a direcção lamentar-se da insensibilidade da tutela das fni anças porque esta, a braços com medidas debeladoras da crise, apenas perseguia o equilíbrio orçamental. No país começava a ser insensato, ou pelo menos inglório, contestar o regime tributário da Ditadura, quando Ministro das Finanças , Oliveira Salazar, era considerado o verdadeiro salvador das fni anças públicas obtendo saldos positivos no jogo das receitas e despesas do estado. O ambiente sociopolítico não corre a favor da Administração do Banco do Minho. A 19. Março.1873 é eleita a primeira direcção do Banco Commercial de Braga, nela fgi urava o nome de João Evangelista Sousa Torres e Almeida (o mesmo que, aquando a eleição da primeira direcção do Banco do Minho, não foi bem aceite). Fechou em 1876 Não foi nada pacífci a a assembleia geral extraordinária de 26 de Abril. Não pela votação favorável da redução do capital de 10 000 para 8 000 contos (no seguimento da decisão no ano anterior e após parecer positivo do Tribunal Comercial), nem pela quarta alteração estatutária, mas sim pelos protestos exacerbados de alguns dos presentes. Pelo menos fci ou célebre o protesto de um, numa alusão à banca bracarense, o Banco do Minho, o Banco Mercantil e o Banco Comercial: “Os três bancos vão dar lugar a um quarto , o banco dos réus, onde havia de ir parar a direcção.” A 24 de Outubro dá-se o crash da Bolsa de Nova Iorque , cognominada Quinta-feira negra, que sinalizará o início da Grande Depressão que irá varrer, sem piedade, todo o mundo fni anceiro. Nuvens negras afagam o Banco do Minho. 1930 O banco está gravemente doente, talvez ferido de morte. Em meados deste ano o banco é objecto de uma visita, em cumprimento de ordens verbais, de um alto funcionário da Inspecção Bancária. No relatório correspondente, e a par de alguns elogios quanto à universalidade da forma como se apresentava a escrita do banco, aponta, também, «defeitos e possíveis habilidades com o fim que não seja falsear resultados de apuramento.» Recomendando um estudo mais detalhado à escrita, a 5 de Agosto, o inspector geral dá o despacho: « ao Director de Serviços para providenciar.» Logo no início do ano o banco é alvo de uma campanha de descrédito com boatos urdidos a partir da cidade de Braga, mas que se espalharam, rapidamente, por toda a região. Uma campanha intensa e persistente com desígnios mais vastos e, certamente, com fni s bem concretos. A inquietação continuava, porque o ambiente económico-fni anceiro de pessimismo geral não se desvanecia, mas a direcção admitia que a situação moral do Banco do Minho havia melhorado. Mas agourava a impossibilidade de desempenhar o seu verdadeiro papel, pois a desconfai nça do público continuava muito abalada e em qualquer momento podia reavivar a corrida aos depósitos. Aí, não havia qualquer hipótese de resistir Para aumentar a preocupação, o momento político na Brasil estava novamente em convulsão política com o derrube do regime constitucional e a ascensão de Gertúlio Vargas e havia o receio das remessas brasileiras fci arem, mais uma vez, interrompidas. Por todas estas razões, a direcção valorizando, na sua óptica, a importância nacional do banco, resolve pedir auxílio ao governo. Melhor, queria entender-se com o ministro das fni anças, porque o assunto deveria interessar-lhe. Até que chegou o dia 21 de Outubro! Um novo capítulo espera o Banco do Minho CONTINUA BANCO DO MINHO-Filial do porto-Propriedade do Banco “Bom Jesus do Monte - Jóia de pedra incrustada na montanha” (@ Domingos Araújo) FRANCISCO VIEIRA DA SILVA