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FESTIVAL ´UTOPIA´ REGRESSA A BRAGA COM NOVOS FORMATOS, MAIS ATIVIDADES E NOVIDADES PARA TODOS OS PÚBLICOS

RUM

2026-11-06 14:19:03

Entre 13 e 22 de novembro, o festival literário regressa ao Espaço Vita, livrarias, salas de espetáculo e escolas. O Muzeu - Pensamento e Arte Contemporânea dst acolhe a estreia de dois projetos editoriais. Lázaro Ramos, Ricardo Araújo Pereira, Sofia Vieira e Valter Hugo Mãe são alguns dos nomes que marcam presença na quarta edição do Utopia , já a partir da próxima semana, na cidade dos arcebispos. Entre 13 e 22 de novembro, o festival literário ocupa livrarias, bibliotecas, escolas e até restaurantes com um programa repleto de conversas, debates, apresentações e concertos. O Espaço Vita é, contudo, o epicentro da cultura literária durante os 10 dias. É precisamente neste espaço, pelas 21h00, que decorre a sessão inaugural oficial a cargo do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Com moderação de Maria João Costa e Bruno Dias Pinheiro, a entrevista centra “a importância dos livros e da leitura para a formação”. Para Paulo Ferreiro, diretor do festival, esta foi uma escolha “mais que evidente” não só pelo facto do ministro já ter visitado o evento antes, mas também por ser “um grande leitor e um apaixonado pelas artes”. Além disso, tendo em conta o carácter internacional do evento, a sua presença é também uma “forma de edificar, amplificar e exportar Braga”. O diretor assegura, no entanto, que o que se pretende com esta sessão “não é fazer uma entrevista política”. “Não foi uma escolha aleatória, foi com conhecimento de causa de saber que ele é um grande apaixonado por livros. Ele já tinha estado no Festival Utopia há dois anos, tinha gostado muito da experiência e nós, sabendo disso, achávamos que faria todo o sentido.” Espaço Vita volta a ser o epicentro do festival Grande parte da programação acontece no Espaço Vita. O claustro recebe workshops, a feira do livro permanente, sessões de contos, já a Capela Imaculada e a Sala Jerusalém acolhem grande parte das apresentações, conversas, oficinas e formações. Paulo Ferreira revela momentos inaugural e de fecho do festival Utopia O auditório, por sua vez, está reservado para momentos em que a expectativa é de que o público responda em peso, como é o caso da visita de Lázaro Ramos. Apelando a emoção e “piscando um pouco o olho à comunidade brasileira”, o festival recebe, pela primeira vez, o ator brasileiro em Braga. O também diretor, escritor e apresentador fecha o festival com um entrevista conduzida por Maria João Costa. Foto: Utopia , Festival Literário De acordo com o diretor, as razões para fazer este convite foram múltiplas. A mais óbvia sendo “a grande notoriedade” do ator junto da “muito bem implementada” comunidade brasileira em Braga, mas também a sua história e o facto “de ser alguém intelectualmente denso”. “É daquelas sessões que é melhor correr para apanhar bilhete, porque vai ser muito complicado conseguir de outra forma. O Lázaro vai dar uma sessão de autógrafos a seguir, mas para a sessão propriamente dita é preciso ter isso em conta” O ator regressa ao palco do Utopia, no dia 23 de novembro, desta vez em Guimarães e ao lado de Dino d Santiago, para uma sessão sobre língua, identidade e memória. Na lista de convidados cabem ainda caras novas, já conhecidas do público e algumas repetidas. É o caso, por exemplo, do humorista Ricardo Araújo Pereira que regressa “em dose dupla” nos dois fins de semana do festival. No primeiro, para apresentar o livro Bem-vindo a mais um episódio de , do colega Manuel Cardoso ; no segundo, na companhia de Frederico Clarence, para lançar A Bíblia para Jovens . António Ferreira, autor do programa Livros com RUM , da Universitária, apresenta os livros Castelo de Cartas , de Anabela Lopes, a 18 de novembro, e Silêncio no Coração dos Pássaros de Lénia Rufino, no dia 19. Ambos sessões decorrem na Livraria Centésima Página pelas 18h00. Novos formatos, novos espaços, novas memórias Sem receio de “testar, reformular e substituir”, Paulo Ferreira admite que o Utopia é um lugar de experimentação, sobretudo de novos formatos que, com o tempo, se tornam marca registada do festival. É o caso dos jantares literários que, depois de uma boa estreia na edição anterior, estão de regresso nesta edição, praticamente esgotados. Nesta edição, o Restaurante Cozinha da Sé serve o jantar a Fernando Ribeiro, a 18 de novembro, e João Tordo, na sexta-feira, dia 20. Foto: Utopia , Festival Literário Valter Hugo Mãe também regressa a Braga no segundo sábado para a estreia do Fotobiografia , o ciclo de conversas intimistas, que como o nome indica, apresenta a vida e a obra do autor através de fotografias “mais pessoais” que servem de ponto de partida para revisitar memórias, experiências e percursos. Há mais de meio ano de portas abertas, o Muzeu , Pensamento e arte contemporânea dst também recebe o festival, não só enquanto parceiro, mas também como espaço de debate e inauguração do novo projeto editorial do Utopia: O que fica do que passa . Diretor do festival explica novos formatos desta edição do festival literário Desenhado para pensar o festival como uma iniciativa “em construção, que se vai fazendo ao longo dos anos”, o objetivo deste projeto anual é “pedir a personalidades que reflitam sobre o tempo que passou”, o ano passado, através da prosa ou da poesia. Nesta edição, Onésimo Teotónio Almeida, doutorado em Filosofia pela Brown University, onde foi professor catedrático, reflete sobre 2025 e o “desalento sentido relativamente ao que a América se está a tornar”. “Estas últimas eleições tornaram-o surpreendentemente atual. No dia 14 de novembro, no Muzeu, quando for feita a apresentação desse ensaio e discussão, o tema vai, com certeza, vir à baila” Com o apoio da dst group e da Quetzal Editores, o Utopia edita, pela primeira vez, um livro. LER os Outros é uma colectânea de entrevistas “a grandes escritores”, como José Saramago, Lídia Jorge, Agustina Bessa-Luís, selecionadas a partir do arquivo da cinquentenária Revista Ler . A apresentação do livro, com o intuito de “reviver, ter uma ideia do arquivo, do tempo”, fica a cargo de Francisco José Viegas e José Eduardo Agualusa no dia 21 de novembro. De acordo com o organizador, este é mais um esforço do festival para chegar a todos os públicos. 45 atividades para os mais jovens Também por isso, está de regresso o Utopia Digital , onde autores nacionais e internacionais, em formato online, conversam sobre livros e processos de escrita. No caso desta edição, a livraria Noah acolhe uma sessão de perguntas e respostas com a autora norte-americana Laurie Gilmore, especialmente dedicada aos leitores mais jovens. Diretor do festival revela convidados e formatos que voltam para esta edição Ainda para estas faixas etárias, o Utopia Júnior ganha mais expressão nesta edição, com um grande reforço da programação: das 32 sessões realizadas em 2025, o festival passa este ano para 45 sessões e horas de programação infantil. Sessões de histórias, leituras musicadas, apresentações de livros e oficinas criativas, são algumas das propostas que aproximam as crianças da leitura através da música, da ilustração e da imaginação. Entre os destaques está o espetáculo conjunto de Sofia Vieira, do projeto Aqui Há Gato , e Rute Cancela, que procura despertar a curiosidade, estimular a criatividade e cultivar, desde cedo, o gosto pelos livros. Fotos: Utopia , Festival Literário Formações em filosofia e literacia financeira Na coincidência feliz de uma oficina infantil estar a decorrer, os pais podem participar em formações dedicadas ao pensamento e reflexão, no Espaço Vita. Em parceria com a Associação Portuguesa de Ética e Filosofia, o programa do festival conta com quatro formações dirigidas ao público em geral, e aos professores especialmente. Paulo Ferreira explica propósito das formações em filosofia e literacia financeira A par destes encontros, o Utopia conta ainda com sessões de literacia financeira, tornando-o não só “provavelmente, o único festival do mundo” com um área dedicada ao tema, mas um espaço de saber. “O Utopia é um festival que tem o livro no centro, que comunica com todas as expressões artísticas, que comunica com todos os ramos de saber, e se há livros sobre literacia financeira, se é algo que preocupa as pessoas, nós devemos ter programação”. As opções culturais são múltiplas, desde quizzes a gravações ao vivo de podcasts e até visitas a empresas da região, e estendidas de modo a que haja algo para fazer durante todas as horas do dia. Colocando à prova a perspetiva de experimentação incutido no festival desde a primeira edição, em 2023, o Utopia sobe também ao palco do Theato Circo numa tentativa de estender o livro também à música. Com o apoio da dst, Manuel Cruz termina o dia 21 com um espetáculo marcado para às 21h00. “Formar leitores é um trabalho de todos os dias” Atualmente a desbravar novos territórios, nomeadamente do outro lado do Atlântico, na capital colombiana de Medellín, mas também no território insular de Ponta Delgada, o Utopia regressa, mais um ano, ao berço para uma quarta edição já com várias provas dadas. Foto: Utopia , Festival Literário Com apenas três anos de existência, o histórico conta já mais de 600 convidados, 60 mil visitantes e mais de 600 horas de programação com um ponto comum: “os livros permanecem instrumentos essenciais para a interpretação do mundo e a reflexão sobre as possibilidades do futuro”. Também por isso, para Catarina Miranda, vereadora da Cultura na Câmara Municipal de Braga, o Festival Utopia não pode ser medido unicamente pela programação. Mas também “pela sua capacidade de chegar a novos públicos, de envolver os agentes culturais da cidade e de despertar relações com os livros e com a cultura” que possam continuar para além do festival. Catarina Miranda diz que qualidade do festival mede-se também pela abrangência de públicos “Formar leitores é um trabalho de todos os dias. Dez dias de programação não substituem esse trabalho, mas podem abrir portas, despertar a curiosidade e criar encontros que de outra forma talvez não acontecessem.” Além da valorização dos públicos mais jovens, a vereadora diz ser fundamental que o festival “apoie os criadores bracarenses”. “Queremos que os criadores da cidade tenham lugar nestes acontecimentos não apenas como espectadores, mas como participantes ativos na sua construção”, disse destacando o espetáculo do CORDÃO, o coro comunitário bracarense composto por doentes oncológicos, cuidadores e amigos, e a apresentação da criação musical Casa Alheia , do compositor bracarense Francisco Fontes. A apresentação do programa decorreu esta quinta-feira no Theatro Circo. Foto: CMB “Mais do que apoiar um festival literário queremos contribuir para que Braga seja uma cidade onde os livros, as artes e as ideias façam parte da vida quotidiana das pessoas. É esse o compromisso com uma cultura aberta, participada, construída em parceria e capaz de solucionar relações duradouras com a comunidade.” Todos as iniciativas são gratuitas, à exceção dos jantares literários, que têm entrada limitada e paga. Mais informações e programação completa disponível no site oficial do festival. José Silva Brás