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BRAGA CRIA GRUPO DE AÇÃO PARA FACILITAR ACESSO À CULTURA

Diário do Minho

2023-11-07 07:32:04

Carla Esteves Vinte e três entidades que têm como missão a área cultural e a integração social assinaram, ontem, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (BLCS) um protocolo com vista à constituição de um Grupo de Ação Local no âmbito do projeto “ISA Culture: Intelectually and Socially Accessible”. O projeto, que terá a duração aproximada de dois anos, será coordenado e executado pela Fundação Bracara Augusta, e congrega duas universidades (Universidade Católica– Centro Regional de Braga e Universidade de Burgos, Espanha), duas galerias de arte (ZetGallery e Galeria de Arte do Altice Forum Braga); três salas de espetáculos e 16 espaços museológicos e patrimoniais, tem como principal foco o combate à exclusão social e baixa participação dos jovens nas atividades culturais, em particular os grupos com menos oportunidades. «O ISA é um projeto em rede com caraterísticas europeias e que está centrado na acessibilidade da cultura, uma acessibilidade no sentido amplo», revelou o presidente da Fundação Bracara Augusta, Miguel Bandeira, acrescentando que «há grupos com mais dificuldades a esse acesso, por motivos económicos, sociais, culturais, geográficos ou de saúde, devido à origem migrante, entre outros». Segundo Miguel Bandeira foi constituída uma rede que vem trocando metodologias e boas práticas com o ob-jetivo de encontrar novas estratégias que possam servir de suporte para apresentar resultados mais eficazes dentro desta problemática. Miguel Bandeira esclareceu que o Grupo de Ação Local que ontem foi protocolado reúne 23 entidades que vão colaborar de modo mais permanente no diagnóstico dos fatores de exclusão à cultura, na reflexão de modelos que permitam incluir pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão na cultura e na criação de um modelo de acessibilidade social e intelectual aplicável. O presidente da Fundação Bracara Augusta adiantou que este grupo se encontra atualmente numa fase de diagnóstico, e tendo realizado já outras reuniões por videoconferência, a que se seguiu, ontem, a primeira reunião de trabalho presencial estão marcados, para o próximo mês de dezembro, mais dois dias de trabalho intenso da rede. Entre as entidades que compõem o Grupo de Ação Local estão, entre outras, a Braghabit; a BLCS; o Cabido Primacial da Sé; a Câmara Municipal de Braga; a Cáritas Arquidiocesana de Braga; a Cruz Vermelha; a Confraria do Bom Jesus; a Associação dos Imigrantes Senegaleses em Portugal; a UAI; o Colégio de S. Caetano; a Direção Regional de Cultura Norte (DRCN); o Museu dos Biscainhos; o Museu D. Diogo de Sousa; a Synergia; o Gnration a UMinho e os seus espaços Museológicos; a InvestBraga, a ZetGallery e o Theatro Circo. Projeto pretende produzir manuais de boas práticas e de capacitação A diretora executiva da Fundação Bracara Augusta, Fátima Pereira, esclareceu que o projeto “ISA Culture: Intelectually and Socially a Acessible– On the way to equality: culture as a tool for social inclusion and labour integration” terá quatro fases distintas, começando pela constituição do Grupo de Ação Social e pela realização de inquéritos às entidades culturais e sociais e ao público em geral para perceber qual é o atual estado de acesso à cultura. «Além dos espaços museológicos da cidade, quisemos chamar a este grupo as entidades que trabalham com públicos vulneráveis no terreno porque a ideia é quando tivermos o diagnóstico estabilizado, começarmos a desenvolver algumas iniciativas piloto», explicou Fátima Pereira. A diretora executiva da Fundação Bracara Augusta explicou que o objetivo é, por exemplo, «se existir uma entidade social que entenda que no seu público específico, mais vulnerável, não existem práticas culturais, vamos tentar perceber porque é que elas não existem, desconstruir essas barreiras que possam estar a acontecer, aproximando estes públicos de espaços culturais, através de visitas guiadas ou outras possibilidades». Por esse motivo, no grupo de Ação Local estão contemplados três grandes grupos, incluindo os grupos culturais, que tutelam os espaços culturais de Braga, estando representados todos os espaços culturais de Braga através da DRCN, da Câmara Municipal de Braga, do Cabido da Sé Primacial de Braga e as empresas privadas com espaços abertos ao público. O grande propósito deste projeto será ter, ao fim de dois anos, um manual de boas práticas sobre a acessibilidade à cultura e um manual de capacitação deste tipo de públicos.