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CONSTRUÇÃO - A REVOLUÇÃO DO AÇO ACONTECE HOJE

Construir

2023-12-11 14:15:07

construcçaão A revolução do aço acontece hoje _Congresso. O XIV Congresso de Construção Metálica e Mista, promovido pela Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista, CMM, reuniu durante dois dias mais de 450 participantes e 45 empresas do sector para debater a inovação na construção metálica. O momento actual é crucial para definir as linhas de desenvolvimento, onde a Construção Modelar e a Manufactura Aditiva se alinham como peças cada vez mais centrais do futuro do sector Manuela Sousa Guerreiro Fotos: DR “É no sector da construção metálica e mista que têm ocorrido os maiores progressos na formação, na investigação, no projecto e na construção. No âmbito das grandes preocupações com as alterações climáticas devemos lembrar que os produtos metálicos são por excelência recicláveis e é o aço que estabelece hoje uma proximidade entre as engenharias e a inovação tecnológica”, afirmou na abertura do Congresso de Construção Metálica e Mista, António Lamas, presidente da mesa da Assembleia Geral da CMM. Estava dado o mote para o encontro onde se falou de inovação, da importância e da utilização do aço no contexto de emergência climática que vivemos ao mesmo tempo que a pressão urbanística faz-se sentir. Uma dicotomia bem presente no discurso da secretária de Estado da Habitação, Maria Fernanda Rodrigues. “À qualidade da habitação subjaz também a necessidade de garantir soluções arquitectónicas com qualidade, durabilidade e sustentabilidade. Quanto a esta, as questões relacionadas com a transição verde englobam não só os aspectos da transição energética, mas também a necessidade de tornar a nossa economia mais eficiente e circular. Tudo isto aliado à transição digital, reconhecida como o motor de desenvolvimento do sector da Arquitectura, Engenharia e Construção (AEC), é crucial também para se atingirem os objectivos de concretização do PRR na habitação”, afirmou. Maria Fernanda Rodrigues sublinhou que “para estas respostas a inovação do sector da construção, dos materiais e processos de fabricação e de construção são fundamentais. O PRR e os programas que com ele desenhámos, representam uma oportunidade única para a transformação do paradigma da habitação e com ele da construção em Portugal. E, como oportunidade única é impensável que a desperdicemos”. Neste domínio, ganha destaque a Construção Modelar, o primeiro dos temas chave debatidos no Congresso, na qual o aço pode, e deve ter, um papel central. “Para nós a sustentabilidade é conseguida pelos diferentes componentes. O aço pode ser o material certo, usado da maneira correcta e no projecto certo”, sublinhou Stephen Barrett do gabinete de arquitectura RSHP. Na sua intervenção o arquitecto passou em revista alguns dos projectos mais emblemáticos do gabinete que têm o aço como material de destaque. Com uma presença mundial e projectos nos mais variados pontos do globo, para a ARUP o assunto da descarbonização da construção e da sustentabilidade tem um peso cada vez maior no desenvolvimento dos seus projectos. “A optimização dos recursos e dos materiais é a grande questão”, sublinhou o engenheiro da ARUP Stuart Smith. A preocupação não é recente. “A minha jornada foi influenciada pelo trabalho do fotojornalista Alex Maclean que nos mostra o impacto da extracção das matérias-primas mais usadas na construção. E quem diria que a areia seria um recurso crítico há cinco anos?”, reflectiu Stuart Smith. “4,2MM de pessoas vivem em cidades e temos o grande desafio de construir casas suficientes e em qualidade por isso diria que o sector da construção tem grandes desafios pela frente”, sublinhou. Mas não basta construir, é preciso “desconstruir” e assegurar “planos de desconstrução” que permitam uma maior reutilização dos materiais usados. Em Portugal a Bysteel, e o grupo dst à qual pertence, está a tomar a dianteira da construção modelar, com o projecto R2U Technologies, que está a criar um novo cluster da construção no país em conjunto com outras perto de 50 entidades. Um plano explicado por Nuno Neves, da Bysteel. Manufactura aditiva vai mudar o futuro da indústria Outro dos temas centrais do Congresso foi a Manufactura Aditiva. Esta tema, não sendo novo, surge pela primeira vez com honras de destaque no encontro. “Porque, contrariamente à ideia preconcebida que havia, de que esta não se aplicava à construção, não corresponde à verdade. A manufactura aditiva está a desenvolver-se a uma velocidade fantástica com introdução no processo de fabrico aditivo em produtos que são usados na construção. E esta é a grande mudança”, justificou Luís Simões da Silva, presidente da CMM. Para o responsável “o fabrico e produção aditivos são agnósticos no que diz respeito ao material, desde que os equipamentos sejam capazes, é possível produzir metais, aço, por impressão 3D mas a grande revolução aqui é que ele é produzido todo digitalmente a partir de um modelo que tem a peça na sua configuração final. Ou seja, deixamos de ter moldes e de ter uma série de operações que os outros processos alternativos obrigavam”, explicou Luís Simões da Silva. Daqui resulta uma série de vantagens potenciais, quer a nível do impacto ambiental do processo, de optimização, mas também da liberdade da forma que passa a ser ditada pelo modelo 3D. “Há aqui um potencial de ganho em múltiplas frentes”, referiu o presidente da CMM. O valor económico do Aço O balanço a nível económico da conjuntura nacional e internacional do sector, foi deixado por Luís Simões da Silva. O presidente da CMM sublinhou o crescimento do volume de negócios de 80% de 2016 para 2022 e o aumento de 25% do volume de exportações no sector, que corresponde a 2,6 mil milhões de euros de exportações, um valor recorde que relativamente a 2021 acrescentou cerca de 400 milhões de euros de exportações. Para Luís Simões da Silva, “o sector da construção exporta porque desenvolve produtos inovadores e soluções industrializadas que podem ser produzidas em fábrica, transportáveis para um local final de execução e montadas de forma muito eficiente.” Só mais à frente serão conhecidos os números relativos às exportações e crescimento do sector em 2023, os quais poderão ser impactados com o crescimento da instabilidade a nível internacional e o seu impacto no comércio mundial. “Estas flutuações estão a acontecer com todos os materiais. Tudo o que sejam elementos de instabilidade provocam imediatamente essas flutuações nos custos e isso é a pior coisa pois pendura negócios que estavam quase a ser efectivados e esse é que é a incerteza sobre como é que vai ser o ano de 2023. É algo que está agora a acontecer e ainda não sabemos o seu impacto”, admitiu Luís Simões Silva em declarações ao CONSTRUIR. O Congresso de Construção Metálica e Mista, promovido pela CMM, é um dos maiores encontros do sector do mundo que se realizou, este ano, em formato presencial e juntou personalidades e empresas portuguesas e internacionais, para abordarem a actualidade sector com sessões de apresentação técnicas, agenda de reuniões bilaterais entre as empresas portuguesas e internacionais, entrega de prémios e a feira de emprego Job Fair. No primeiro dia do encontro, dedicado à construção modular, foram anunciadas as obras premiadas pelo Portugal Steel Design Awards: Prémio Nacional 2023 e o Prémio Arantes e Oliveira. O primeiro, entregue este ano à obra da Martifer, Gare Multimodale de Mons pretende destacar as obras concluídas nos três últimos anos, ao passo que o segundo destaca o melhor artigo apresentado no congresso e publicado no livro de “Atas”, tendo sido entregue este ano ao artigo “Berkeley Hotel - Sequência de Tensionamento da Estrutura Exterior Visível” da autoria de Rui Ribeiro e Nuno Neves da Bysteel. C O momento actual é crucial para definir as linhas de desenvolvimento, onde a Construção Modelar e a Manufactura Aditiva se alinham como peças cada vez mais centrais do futuro do sector, discutido em Congresso pela CMM “Para nós a sustentabilidade é conseguida pelos diferentes componentes. O aço pode ser o material certo, usado da maneira correcta e no projecto certo”, sublinhou Stephen Barrett do gabinete de arquitectura RSHP A manufactura aditiva está a desenvolverse a uma velocidade fantástica com introdução no processo de fabrico aditivo em produtos que são usados na construção. E esta é a grande mudança”, justificou Luís Simões da Silva, presidente da CMM Manuela Sousa Guerreiro