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RETENÇÃO OU ROTATIVIDADE? A NOVA QUESTÃO NA BUSCA DE TALENTO

Expresso Online

2024-01-12 13:42:14

Ana Baptista País: trabalhadores têm vindo a ganhar mais importância dentro das empresas, principalmente quando o objetivo é crescer e contribuir para que as exportações cheguem aos 60% do PIB nacional em 2030. Mas há desafios cada vez mais exigentes. O Portugal Export +60 30 é um projeto da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e do Novo Banco a que o Expresso se associa como media partner Quando o tema são os recursos humanos, o grande debate dos últimos anos tem sido sobre como atrair e reter trabalhadores nas empresas. Não só os mais qualificados e com competências digitais avançadas, mas também “os mais tradicionais, como os serralheiros, mecânicos ou pintores que estão em vias de desaparecimento”, repara Paula Arriscado, diretora corporativa de pessoas, marca e comunicação do Grupo Salvador Caetano. Ora, num contexto laboral onde há uma “competição muito grande, já não há fronteiras, há exportação física de talento” e há “pessoas que estão a trabalhar cá para companhias lá fora”, as empresas têm de ser criativas na forma de atrair e reter esses trabalhadores. Não só através de melhores salários, mas acima de tudo através de “benefícios emocionais”, como “uma maior flexibilidade” e “autonomia”, diz Paula Arriscado. O desafio é tão grande, acrescenta, que agora a reflexão tem sido outra: devem as empresas continuar a apostar na retenção de talento ou, ao invés, na rotatividade de pessoas? A Salvador Caetano, a Sonae e a Corticeira Amorim são exemplos de empresas que já fazem essa reflexão e, para já, a conclusão é de que a solução passa por uma conjugação das duas. “Caminhamos para um patamar em que teremos mais entradas e saídas dentro das empresas e vamos conseguir reter algumas pessoas”, diz Alexandra Godinho, diretora de recursos humanos da Corticeira Amorim. Até porque, acrescenta Miguel Tolentino, diretor de recursos humanos da Sonae, “aumentar a mobilidade das pessoas - e mobilidade não é necessariamente para fora - permite que a empresa esteja mais capacitada para a mudança e permite um maior desenvolvimento das pessoas”. Aliás, para José Machado, diretor de recursos humanos do grupo DST, a capacidade de adaptação é uma competência essencial em empresas que procuram aumentar as suas exportações e dessa forma contribuir para o objetivo da iniciativa Portugal Export +60 30, promovida pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) e o Novo Banco: ter as exportações a valer 60% do PIB em 2030. Lei laboral tem de mudar “É obrigatório o registo de entrada e saída; as paragens ao fim de cinco horas de trabalho e de uma hora para descansar... Mas depois temos colaboradores que dizem que fazem uma dieta intermitente e não precisam de parar uma hora.” Quando Paula Arriscado deu este exemplo, para mostrar como “a nossa lei laboral está desatualizada face ao atual contexto de trabalho”, ouviram-se alguns risos de concordância na sala. De facto, repara Alexandra Godinho, “as gerações novas não têm nada a ver com as mais antigas” e, por isso, é preciso “uma maior flexibilidade na lei laboral”. Este foi um dos recados que os empresários presentes no segundo almoço-debate da Portugal Export +60 30 deixaram para o novo Governo que aí vem, mas não foi o único. Exigiu-se ainda a descida da “elevada carga fiscal” que incide sobre o trabalhador, como refere Luís Correia, CEO da Planície Verde; o aumento do número de creches a nível nacional, como lembra Alexandra Lopes, administradora do grupo Visabeira. E também ainda criar mais formação financiada e incentivos para fixar trabalhadores no interior e para que os imigrantes - na sua maioria jovens qualificados - regressem ao país (ver gráfico). Porque, recorda o administrador do Novo Banco, Andrés Baltar, “temos 30 mil que saem do país todos os anos”. Frases “Temos muitos empregos sem pessoas e muitas pessoas sem emprego” João Veloso Vice-reitor da Universidade de Aveiro “O sistema educativo está completamente obsoleto” José Esteves Reitor da Porto Business School “Não vai ser a inteligência artificial que vai fazer um detalhe num rodapé” José Machado Diretor de recursos humanos do grupo DST Portugal Export Decorreu esta semana, no Porto, o segundo dos três almoços-debate do Portugal Export +60 30, projeto da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e do Novo Banco - a que o Expresso se associa como media partner - que pretende incentivar as exportações portuguesas a atingir os 60% do PIB em 2030. Textos originalmente publicados no Expresso de 12 de janeiro de 2024