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TAIWAN - PRESIDENCIAIS PODEM MARCAR O TOM DA RELAÇÃO ENTRE CHINA E EUA

NOVO

2024-01-13 07:33:04

As eleições presidenciais em Taiwan não vão alterar o statu quo em que a ilha vive, sem ver a independência reconhecida, mas sem se integrar na China. Podem, sim, t e r consequências na relação entre Pequim e Washington e criar maior tensão, em caso de vitória do favorito DPP e dependendo do discurso norte-americano Ricardo Santos Ferreira rsferreira@medianove.com N os últimos dias, a República Popular da China tem procurado influenciar as eleições presidenciais deste sábado em Tàiwan, apelando a uma "escolha acertada", que para Pequim seria a saída do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês) do poder, que exerce há oito anos. A China vê Taiwan como parte do seu território e considera que a integração é uma inevitabilidade. Desde a eleição de Tsai Ing--wen para a Presidência, em 2016, com um discurso marcadamente separatista, Pequim cortou praticamente comunicações com Taipé. procurou restringir as relações comerciais, pressionou os aliados diplomáticos da ilha e aumentou a pressão militar, também em resposta a um mais visível apoio dos Estados Unidos da América (EUA). Tsai Ing-wen não pode recandidatar-se, mas as últimas sondagens - a lei impede a publicações de inquéritos a partir do décimo dia antes das eleições - indicam que o atual vice-presidente e candidato pelo DPR Lai Ching-te (também conhecido como William Lai), é o favorito, recolhendo mais de 37% das intenções de voto e registando quatro pontos de vantagem sobre Hou Yu-ih.candidato do Kuomintang. que estava, no entanto, a subir nas sondagens. Um terceiro mandato consecutivo do mesmo partido será uma novidade. "A vitória de Lai não levará, inevitavelmente, a tensão com Pequim O DPP precisará de ter uma vitória expressiva para voltar a agitar a bandeira soberanista e manter o desafio político a Pequim", diz ao NOVO Tiago André Lopes, professor de Diplomacia e Relações Internacionais da Universidade Portucalense. Concorre um terceiro candidato, Ko Wen-je, pelo Partido do Povo de Taiwan (TPP, na sigla em inglês), porque a oposição não conseguiu acordar uma proposta comum, mas que pode ter influência no resultado final. "Acho complicado, se a eleição for conduzida com seriedade, transparência e justiça, o Kuomintang vencer", acrescenta Tiago André Lopes, apontando, no entanto, para a possibilidade de uma surpresa, poique o recém-fundado TPP "parece estar a atrair os jovens taiwaneses para os quais a questão identitária não é central nesta eleição, mas sim o pragmatismo de manter autonomia política sem desperdiçar as vantagens da parceria económica com a China continental". Além disso, o TPP pode "destabilizar quer as contas do Kuomintang, que apela mais ao eleitorado mais sénior, quer as contas do DPR que apela ao eleitorado ideologicamente mais intransigente e aos Hoklo - comunidade linguística taiwanesa". reforça. Se ficar em terceiro lugar mas com uma votação expressiva, pode ajudar a uma vitória do Kuomintang desviando eleitorado do DPP. Assinala-se que a proporção de residentes de Taiwan que se identificam como "apenas taiwanês" mais do que triplicou, entre 1992 e 2023, para 63%, segundo um estudo da Universidade Nacional de Chengchi. A proporção dos que se identificavam como "apenas chinês" caiu de 25% para 3%. Atualmente. Taiwan mantém relações diplomáticas oficiais com 12 dos países da Organização das Nações Unidas e com o Vaticano. No ano passado, em resultado da pressão chinesa, as Honduras deixaram de reconhecer Taiwan. Os candidatos às eleições não advogam abertamente a independência, mas aceitam preservar o statu quo atual, sem uma soberania reconhecida, mas também sem integração na China. O problema são os diferentes graus de autonomia e isso está presente na campanha. em que o Kuomintang "optou por dramatizar a eleição dizendo que os votos no DPP serão votos na guerra, com o Kuomintang a optar pela paz, que é o mesmo que dizer por uma abordagem de colaboracionismo institucional com Pequim", diz Lopes. Como a China responde às escolhas feitas pelos pouco mais de 195 milhões de eleitores registados em Taiwan será sempre um teste à relação entre Pequim e Washington e à capacidade de os dois países gerirem tensões entre si. "Será importante ver a reação do mundo. Esperam-se reações de Washington ao escrutínio eleitoral... o tom da mensagem, o ângulo escolhido e o grau de entusiasmo podem fazer azedar as frágeis relações", diz o professor da Universidade Portucalense. "Será também importante perceber como vão reagir o Japão e a Coreia do Sul, numa altura em que existe medo crescente de uma nova conflagração na península coreana", acrescenta. "As eleições de Taiwan podem t o r n a r - s e um desafio securitário para a Ásia Oriental", diz Tiago André Lopes As últimas sondagens indicam que o atual vice--presidente e candidato pelo DPP, Lai Ching-te, é o favorito, recolhendo mais de 37% das intenções de voto e registando quatro pontos de vantagem sobre Hou Yu-ih, candidato do Kuomintang Ricardo Santos Ferreira