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"PORTUGAL É ESTRATÉGICO PARA A EMBRAER", ASSEGURA NOVO GESTOR DA FABRICANTE BRASILEIRA DE AVIÕES

Expresso Online

2024-01-17 17:17:04

Ana Sofia Santos Jornalista Frederico Lemos é o novo vice-presidente sénior para o negócio internacional da companhia brasileira Embraer, que investiu em território nacional há 12 anos Portugal “continua a ser um país estratégico para a Embraer fora do Brasil”, garante Frederico Lemos, que, aos 44 anos, assumiu funções de vice-presidente sénior da Embraer Defesa & Segurança (EDS), com a responsabilidade do negócio internacional da empresa de origem brasileira. Começou a vida profissional como oficial na Força Aérea Portuguesa para, em 2011, se juntar à OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico) e, logo depois, à Embraer Defesa. Desde 2020, Frederico Lemos era presidente executivo da EID, empresa de desenvolvimento de tecnologias para as Forças Armadas. O gestor vai estar baseado em território nacional , onde a Embraer chegou em 2012 ,, e adianta que o bom desempenho das vendas de aeronaves executivas, bem como do avião militar KC-390, “tem levado ao aumento das exportações de Portugal”. Para Frederico Lemos a intenção é que o nosso país mantenha “relevância” no suporte ao negócio internacional de defesa da Embraer, que vende para mais de 60 nações. A EDS tem um vasto conjunto de produtos e de serviços, onde se destacam aeronaves, satélites, radares, soluções C3I (Comando, Controle, Comunicações e Informações) e ferramentas de gestão de tráfego aéreo. A aeronave KC-390 Millennium , que faz “transporte, evacuação médica, reabastecimento aéreo, busca e salvamento, operações com paraquedistas e combate a incêndios”, e o A-29 Super Tucano , para “missões de ataque leve, apoio aéreo próximo e treino de pilotos” ,, são os principais aviões comercializados internacionalmente, indica o executivo. O vice-presidente sinaliza ainda que Portugal “é um parceiro estratégico no Programa KC-390 e tem uma participação significativa na engenharia de projeto e no fabrico de partes importantes desta aeronave”, como a fuselagem central, carenagem do trem de aterragem principal e os estabilizadores vertical e horizontal. “O KC-390 tem recebido uma atenção considerável a nível mundial, sendo selecionado por sete países até ao momento: Brasil, Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, Chéquia e Coreia do Sul, o que é um excelente indicador do potencial de mercado desta aeronave”, faz notar Frederico Lemos. Sobre o A-29 Super Tucano, o responsável lembra que “foram assinados recentemente memorandos de entendimento com várias empresas nacionais para o desenvolvimento da versão NATO (A-29N) em parceria com o ecossistema de inovação e indústria portugueses” e diz que “existe um interesse de vários países europeus nesta aeronave, o que mostra que há um mercado importante por conquistar”. Estados estão a reforçar orçamentos de Defesa As soluções e produtos da EDS “estão presentes um pouco por todo o mundo”, faz notar o gestor, indicando que “a Embraer tem uma cadeia de fornecedores muito robusta e competente em Portugal e na Europa”. A Europa, sinaliza ainda, “tem sido um dos mercados que mais interesse têm demonstrado nas soluções de defesa, mas temos muita atividade e muito interesse noutras regiões de grande relevância geoestratégica, como Ásia e América do Norte e Médio Oriente”. Frederico Lemos reitera que “o bom acolhimento das soluções de defesa por parte de países NATO e da União Europeia” reforça “a relevância que Portugal tem tido no suporte ao nosso negócio internacional de defesa, e que queremos muito que continue a ter”. Questionado sobre se o desencadear de conflitos, como as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, se traduz em mais encomendas de aeronaves, Frederico Lemos responde que “os anúncios públicos em temas como orçamentos de Defesa e grandes compras sugerem que muitos países estão a reavaliar as suas prioridades e capacidades” a este nível, o que inclui um reforço dos “instrumentos de manutenção de paz e de apoio às populações”. “O interesse pelas soluções Embraer tem aumentado e estamos a suportar diferentes estados e instituições com as informações necessárias para que conduzam os seus processos de decisão de aquisição da forma mais robusta possível”, revela. Em relação aos grandes desafios na área da aviação de segurança e defesa, o quadro da Embraer destaca três e que estão relacionados com inovação e tecnologia: as operações centradas na rede ou Network-Centric Operations, que dependem de uma ligação eficaz (tem de ser segura e resiliente a ataques cibernéticos) e em tempo real entre os vários elementos, entre os quais as aeronaves; as operações em Espaço Aéreo Contestado (aquele onde opera uma força do lado oposto do conflito) e a consequente necessidade de evitar ameaças, como mísseis ou fogo inimigo , “a sobrevivência das aeronaves depende da eficácia dos seus sistemas de autoproteção”; e a necessidade de aeronaves com custos reduzidos ao longo do seu ciclo de vida, já que “os governos e forças armadas são escrutinados pelos contribuintes nas suas decisões de aquisição de novas aeronaves militares” e “são exigidas frotas que apresentem baixos custos de operação e de manutenção”. Em 2022 a faturação da Embraer no segmento de equipamentos e soluções de defesa foi de aproximadamente 450 milhões de dólares (423 milhões de euros ao câmbio atual), e a empresa espera ter “um crescimento importante nos próximos anos”. Mais sobre Frederico Lemos Formação Engenharia Aeronáutica pela Academia da Força Aérea Portuguesa. Pós-graduações em Gestão da Inovação e Tecnologia no ISEG e de Liderança na Universidade Católica. Global Executive MBA no INSEAD Lema “A motivação é um bom início que requer estratégia e perseverança para chegar a um ótimo desfecho” Ambição de carreira “Desenvolver culturas de excelência profissional e ética nas organizações para que ousem ser as melhores nas suas áreas de atuação” Percurso Começou como oficial engenheiro aeronáutico na Força Aérea Portuguesa, até 2011, para experimentar, depois, a OGMA durante cerca de um ano, e, de seguida, entrar na Embraer, como diretor de vendas e desenvolvimento de negócio para a Europa e África. Na Embraer foi, ainda, vice-presidente de vendas para a Ásia e Médio Oriente e, antes do novo desafio na empresa brasileira, foi presidente executivo na EID , Defense Communications Systems, entre 2020 e 2023 Hobbies Basquetebol, corrida, “uma boa conversa com amigos” e viajar em família Últimas leituras O Canto da Missão , de John le Carré, e Foco , de Daniel Goleman