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METROBUS ARRANCA NO VERÃO MAS VEÍCULOS SÓ CHEGAM NO FIM DO ANO

Jornal de Notícias

2024-01-27 06:00:14

Obra de fábrica para hidrogénio começa em abril Instalações e coberturas da STCP terão painéis fotovoltaicos para alimentar eletrolisadores Inicio da operação no Porto previsto para entre junho e julho. Validação de títulos no próprio cais permite paragens de 20 segundos Adriana Castro adriana.castro9jn.pt MOBILIDADE Começará no verão o serviço de metrobus no Porto, com ligação entre a Avenida da Boavista e a Praça do Império. A primeira fase da obra - que depois segue até à Rotunda da Anémona, em Matosinhos - deverá ficar concluída entre junho e julho, mas os veículos próprios para circular naquele canal só chegarão no final do ano. O recurso serão os autocarros tradicionais. À semelhança das composições de metro, os dez autocarros articulados e movidos a hidrogénio encomendados para assegurar a operação dispõem de três portas dos dois lados.com as paragens do metrobus instaladas ao centro de ambas as artérias, levanta-se a dúvida de como será garantida a largada de passageiros pela esquerda, já que os autocarros tradicionais dispõem de entradas e saídas apenas à direita. Diz o presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, Tiago Braga: "Vamos arranjar uma alternativa para operar o canal". A solução passará pela mudança de via dos veículos, dentro do próprio canal, antes e depois das estações. O tempo de paragem será de 20 segundos, já que a validação será feita no cais, permitindo a abertura de todas as portas em simultâneo. Entre os críticos do projeto, há quem não considere o metrobus a melhor solução, tanto pelo tempo da viagem (12 minutos até ao Império e 17 até à Anémona, pronta até ao final do ano), como pela distância ao metro, no caso de Matosinhos/Sul. Tiago Braga observa que são "cerca de 500 metros", mas recordando a análise feita em 2017 ao ecossistema de transporte público da cidade do Porto, percebe o uso do termo "remendo" para falar do metrobus. "Há muita gente a desclassificar o projeto. Não me interessa muito o que os pseudoespecialistas dizem sobre o BRT [bus rapid transit* ou metrobus]. Verdadeiramente, o que importa é o que o cliente diz", afirma. CAMPO ALEGRE NA GAVETA Questionado sobre se um reforço das linhas da STCP naquela zona também não poderia resolver o problema, Tiago Braga dá um exemplo: "Em torno da Cordoaria, há 1800 serviços de autocarro. Isso significa que, por muitos autocarros que se injetem na via [o serviço] não é competitivo. Só aumenta o congestionamento [de trânsito]". Por outro lado, a entrada em operação do metrobus obrigará a STCP a reorganizar as linhas da zona. Isso permitirá "servir melhor" outras freguesias, como é o caso de Aldoar, adianta a presidente do Conselho de Administração da STCP, Cristina Pimentel. Será a empresa de autocarros do Porto a gerir esta operação. Sobre a linha de metro do Campo Alegre, cujo projeto ficou na gaveta, Tiago Braga explica que "a Metro do Porto não faz as coisas só para gastar dinheiro" e que "há uma estratégia por trás" e "pensamento critico sobre o ecossistema de transporte". Para construir esse traçado, refere, seria necessária "uma tuneladora de dinheiro" para vencer o vale da Ribeira da Granja. "Era uma solução técnica horrível em caso de ligação subterrânea ou à superfície". ENERGIA Porquê autocarros a hidrogénio verde e não elétricos? "Os veículos elétricos tém um problema de autonomia", refere o presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, Tiago Braga, sobre a escolha de "combustível" para alimentar a frota que vai operar o metrobus entre a Avenida da Boavista, a Praça do Império, e a Anémona. Será "o primeiro modelo de transporte a 360 graus", garante, já que será também construída uma fábrica de hidrogénio no Porto, evitando a compra deste gás no mercado. Essa obra arranca nas estações de recolha da STCP em três meses. A questão da autonomia, nota Tiago Braga, está relacionada com a lotação. Isto porque, adianta, estender a autonomia dos autocarros elétricos significa adicionar mais baterias, o que representaria um aumento de peso do próprio autocarro. Ou seja, perante a tara máxima do veículo, o número possível de pessoas a transportar diminuía. O sistema funcionará através da energia produzida por painéis fotovoltaicos. "Aproveitando as instalações da STCP e as coberturas 0 de Francos, da Areosa e da Via Norte - estamos a falar de uma capacidade máxima de 55 metros quadrados de painéis instalados vamos produzir energia elétrica primária de uma fonte renovável nova. Esta comunidade energética vai abastecer os eletrolisadores, que produzirão hidrogénio. Vamos armazená-lo e ter uma unidade de spencers para fornecer hidrogénio, numa primeira fase a 350 mbar [unidade de pressão]. Numa segunda fase, será escalável para veículos ligeiros", clarifica Tiago Braga, sublinhando "o excedente" de gás que se registará. EXCEDENTE PARA VENDER "Vamos ser totalmente independentes do mercado. A ameaça dos custos deixa de existir e com o excedente ainda podemos beneficiar, vendendo esse hidrogénio ou injetando na rede de gás natural", especifica. O consórcio que venceu o concurso para a infraestrutura de produção de hidrogénio junta as empresas PRF, Caetano BUS, BrightCity, DST Solar e Dourogás Natural. A adjudicação foi formalizada em outubro, por 29,5 milhões de euros.» A.C "Não me interessa muito o que os pseudoespecialistas dizem sobre o BRT. A Metro não faz coisas só para gastar dinheiro" SI Tiago Braga Presidente da Metro do Porto Autocarros não estarão prontos a tempo da operação Linha entre a Boavista e a Praça do Império fica pronta entre junho e julho POSSIBILIDADE Trajeto em Matosinhos poderá aumentar "Se fará sentido, um dia a linha de metrobus não terminar na Anémona e poder ir a Brito Capelo dar a volta? Isso esteve em cima da mesa, está e um dia será uma realidade", garante Tiago Braga. Essa facilidade em alargar o serviço, observa o presidente da Metro do Porto, decorre do próprio sistema de transporte. "Não temos problemas como com as catenárias do metro", diz. Adriana Castro