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COMO FUNCIONAM OS COMPARADORES DE PREÇOS? E QUE CUIDADOS SE DEVE TER?

Expresso Online

2024-02-08 17:19:06

Rita Robalo Rosa Jornalista Nas últimas semanas foi lançado em Portugal um novo comparador de preços de supermercados, a somar a outras plataformas de comparação de preços de vários produtos e serviços. Mas o consumidor deve ter atenção ao detalhe e à possibilidade de os preços online serem distintos dos praticados nas vendas em lojas físicas No final de janeiro aterrou no país uma novidade no domínio dos comparadores de preços, a ferramenta Kabaz , que pertence à plataforma KuantoKusta e que permite a comparação de cabazes de produtos entre supermercados, e não só. Mas é apenas uma plataforma entre várias que já existem para ajudar o consumidor a encontrar os preços mais baixos. Há plataformas que se debruçam sobre uma oferta diversificada de produtos, outras mais focadas num determinado produto ou serviço, mas todas com o mesmo objetivo: fornecer o melhor preço possível. A ideia parece ótima, mas que cuidados deve ter o consumidor ao utilizar estes sites? O Expresso foi experimentar o Kabaz, plataforma que, à primeira vista, se assemelha a uma página online de um supermercado. Após escolhidos os produtos que temos na nossa lista de compras, a plataforma apresenta-nos o preço total do cabaz por supermercado e ainda o preço de cada produto em cada supermercado, permitindo assim ao consumidor dividir as compras pelos supermercados onde cada produto fica mais em conta. Mas nem tudo é perfeito. Um dos produtos que adicionámos ao cabaz na passada segunda-feira, 5 de fevereiro, era uma pizza congelada, da marca branca da Auchan. Na comparação com outros supermercados a plataforma faz a substituição por uma pizza semelhante - só que a substituição arranjada era da marca Dr.Oetker, que saía bastante mais cara que outras pizzas semelhantes das outras marcas próprias (exceto no supermercado Pingo Doce). Em vez de 2,19 euros a pizza custava quase seis euros. Já a pesquisa de um pacote de leite magro da marca Continente ou de uma compota de morango da marca Pingo Doce indicava que não havia substituto noutros supermercados, quando visitando uma loja física ou online dos outros supermercados é possível concluir que há. Resultado: o cabaz do supermercado onde havia todas as referências pesquisadas ficou mais caro que o dos outros. Em resposta ao Expresso, a KuantoKusta indica que tal acontece, quer no caso da pizza, quer no caso do leite, pois ainda não é possível comparar marcas brancas. “A comparação de marcas brancas de diferentes supermercados estará disponível no futuro, no entanto ainda não conseguimos avançar com uma data para essa funcionalidade”, indica a empresa. Por outro lado, a nova plataforma está para já limitada aos preços de cinco cadeias de supermercados até ao momento (SuperCor do El Corte Inglés, Continente, Auchan, Mini Preço e Pingo Doce). Segundo a KuantoKusta, os preços estão disponíveis por localização - e os supermercados que aparecem podem variar consoante esta localização, contudo, mesmo com diferentes localizações, não aparecem supermercados além dos cinco acima referidos. Além disso, nem todos os códigos postais indicados foram dados como válidos. A KuantoKusta refere que, além destes cinco supermercados, incluem também o Froiz (disponível apenas nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Aveiro e Porto) e que “adicionar mais supermercados é uma prioridade” e que em breve serão acrescentados mais três, sendo que não revelou quais os três supermercados nem uma data para tal feito. Supermercados, viagens e energia: os vários comparadores Mas este é o único comparador de preços que existe? É dos poucos mais direcionados para supermercados. Mas neste segmento também já existia a SuperSave, uma aplicação para o telemóvel focada na comparação de ofertas de supermercado. Há uns comparadores de preços mais gerais, como a plataforma KuantoKusta - que também dá dicas de poupança e faz intermediação de crédito, em parceria com o Dr. Finanças -, a Forretas - que também dá dicas de poupança - e a Shopmania, entre outras. Temos ainda o comparador da Deco Proteste, que “ajuda a perceber se os preços são boas oportunidades de compra”, segundo explicou ao Expresso a associação de defesa de consumidores. “Esta ferramenta de pesquisa regista a evolução dos preços dos produtos nas lojas online, para aconselhar ou não a sua compra” e, depois de pesquisar o produto que procura, podem-lhe aparecer três cores: verde, caso se trate de um bom negócio face ao histórico de preços do produto na loja pesquisada; amarelo, para produtos cujos preços atuais exibam pouca diferença em relação aos 21 dias precedentes; e vermelho, quando a compra é desaconselhada. “O veredito surge acompanhado por informação sobre a evolução dos preços registada nos últimos sete dias, um mês e três meses”, indica a Deco. Mas também há plataformas mais especializadas, como é o caso da Zwame, mais direcionada para a tecnologia, ou da Mais Gasolina que, como o nome indica, compara os preços dos combustíveis. Também há plataformas que ajudam a comparar os preços de passagens aéreas, como a Skyscanner ou o Google Flights, e de hotéis, como a Momondo ou o Trivago. Nestes casos tem de se pesquisar pelo destino escolhido. Ainda assim, as plataformas de voos também já têm ferramentas que permitem ver os preços para vários países, para os viajantes que ainda não decidiram para onde vão, mas querem ir para algum lado, dentro de um determinado orçamento. E se estamos a falar de comparar preços há que considerar também o Portal do Cliente Bancário, do Banco de Portugal, mais precisamente o seu comparador de comissões. Pode pesquisar por instituição de crédito (que comissões cada uma cobra) ou por serviço (quanto custa em cada banco). Ainda entre os comparadores mais institucionais encontramos o simulador da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), que compara todas as ofertas comerciais para os consumidores domésticos de eletricidade e de gás natural. Além da ERSE, dentro do setor da energia, encontramos também a Selectra, que permite comparar preços da eletricidade, água, gás e ainda de telecomunicações. Segundo explicou ao Expresso um porta-voz da plataforma, o principal limite é que, de momento, na eletricidade ainda não é possível comparar ofertas para potências superiores a 20,70 kVA (kilovoltampere). Em comparação com o simulador da ERSE, apesar de semelhantes, a Selectra “permite fazer uma estimativa de consumo personalizada, indicando apenas os eletrodomésticos que mais utiliza”, enquanto o regulador “não tem uma opção para o consumidor que não conhece o seu consumo de energia mensal/anual”. Atenção, consumidor Apesar dos benefícios dos comparadores, há certos cuidados que os consumidores devem ter. É preciso atenção ao detalhe, para entendermos se houve alguma falha na comparação ou na informação recolhida pelas plataformas. Segundo relembra a Deco, “o consumidor deve perceber que, regra geral, estas ferramentas contemplam preços online, existindo também o canal de distribuição físico, que não deve ser desprezado”. Deste modo, pode haver vantagens em comprar em algumas lojas físicas (que até nem são incluídas nestes comparadores). No caso da energia, por exemplo, a Selectra lembra que “todos os cálculos/valores são estimados” e que “é impossível prever exatamente qual o consumo real de cada utilizador”. Adicionalmente, o preço apresentado não inclui IVA ou outros impostos.