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ALEMANHA: TESTE À EXTREMA-DIREITA. AFD LIDERA SONDAGENS NOS ESTADOS QUE VÃO A VOTOS ESTE ANO

NOVO

2024-02-10 07:33:04

manha - que pode ser um laboratório interessante para um ano particularmente complexo em termos de eleições fulcrais para todo o mundo. Aliás, diria até que o investimento que a extrema-direita tem feito ao longo dos últimos anos está em absoluto teste em 2024". diz ao NOVO André Matos, professor e coordenador da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Portucalense. "Existe uma evidente polarização da sociedade, como mostram as manifestações contra a AfD, mas também o surgimento de um partido populista socioeconómico, criado por Sahra Wagenknecht que. no entanto, no que concerne à imigração e à politica de género partilha as ideias da AfD", reforça José Filipe Pinto, professor catedrático da Universidade Lusófona, especialista em relações internacionais. acrescentando que se trata de "mais uma prova de que o populismo não é uma ideologia e pode. inclusivamente, recorrer a elementos ideológicos contraditórios". "A questão da imigração está a revelar-se altamente fraturante porque. numa sociedade envelhecida e incapaz de renovação, os principais partidos do mainstream - CDU e SPD - percebem a urgência e valorizam o ativo da imigração, enquanto os partidos populistas colocam o foco apenas no passivo do fenómeno, responsabilizando os imigrantes, sobretudo os islâmicos, por todos os problemas sociais, nomeadamente pelo aumento do desemprego e da insegurança e pelo ataque à matriz cultural - um campo fértil para o aumento da xenofobia e do racismo", diz. As questões relacionadas com a imigração estão em foco depois de o governo ter aprovado, no final do ano, nova legislação que pretende tomar o pais mais atrativo para trabalhadores qualificados mas que contém medidas mais duras para combater a imigração ilegal e pretende reduzir os encargos com os custos de acolhimento, depois de algumas regiões se terem queixado. No entanto, a nova legislação juntou críticas de todos os quadrantes: à direita, porque é considerada demasiado branda; à esquerda. por ser demasiado agreste. "Para proteger o direito fundamental ao asilo, devemos limitar significativamente a migração irregular. Aqueles que não têm o direito de permanecer devem deixar o nosso país novamente", explicou a ministra do Interior, Nancy Faesec quando apresentou as medidas. "Os recentes acontecimentos na Alemanha são. aliás, um símbolo do paradoxo que alimenta o paradigma: a aprovação pela coligação no poder de uma lei que endurece as condições para a deportação dos estrangeiros, dando mais poderes à polícia para localizar imigrantes ilegais, aumenta o período de retenção e sanciona severamente o tráfico de seres humanos; é, ainda assim, considerada demasiado branda pelos conservadores da CDU - e, claro, pela AfD", aponta Paulo Sande. Testes consecutivos A AfD terá falhado no seu primeiro teste, no final de janeiro, quando o seu candidato, apesar de favorito, foi derrotado pelo da CDU nas eleições no distrito de Saale-Orla, na região da Turíngia. tendo perdido fulgor com as notícias do encontro de Potsdam. Ainda assim, apesar de não ter conseguido conquistar o seu segundo distrito - em junho venceu em Sonneberg. também na Turíngia -, continua a ser favorita nos três estados germânicos que vão a votos - este ano. em setembro. "As forças de extrema--direita crescem da indignação de cidadãos que se extremam ou radicalizam como alvos fáceis de discursos demagógicos e populistas que oferecem soluções impossíveis em troca de votos de desagrado com o statu quo". diz André Matos. Na Turíngia, a AfD. que foi a segunda força mais votada em 2019, com 23,4%, tem liderado as sondagens desde meados de 2022. mantendo-se consistentemente acima dos 30%. mesmo depois do impacto das notícias de janeiro; tem cerca de dez pontos percentuais de diferença positiva para as intenções de voto na CDU. enquanto A Esquerda (Die Linke). que venceu em 2019, surge na terceira posição, com cerca de 15%. Na Saxónia. a AfD mantém--se com 35% das intenções de voto, cinco pontos percentuais acima da CDU, que venceu as eleições de 2019 com 32,1%. Em Brandenburgo, a AfD lidera as sondagens com cerca de 30% e um avanço de dez pontos para o SPD. que o mais votado em 2019. Nos dois primeiros casos, as eleições realizam-se a 3 de setembro: no estão agendadas para 22 de setembro. "Com sondagens a dá-lo como o segundo maior partido alemão, e o primeiro em pelo menos três estados do leste do pais. será a AfD um verdadeiro perigo ou apenas um avatar, simulacro populista de uma ideologia racista e xenófoba impossível de replicar em tempos de democracia e mercado livre, de direitos humanos e globalização?", questiona Paulo Sande. Antes dos combates estaduais, em junho, realizam-se as eleições para o Parlamento Europeu e o quadro atual é muito diferente do das últimas eleições. Se a CDU se mantém numa fasquia idêntica, segundo as sondagens - foi o mais votado, com 28,9% -, os Verdes, os segundos mais votados, surgem nos estudos de opinião com 13%, 7,5 pontos abaixo do obtido em 2019.0 SPD continua nos 15%, mas a AfD, eurocética, quase duplica o seu peso, passando de 11% para cerca de 20%. Em termos europeus, José Filipe Pinto considera que o risco ainda é limitado. "Não se pode falar de um momentum populista a nível europeu, pois, como a próxima eleição para o Parlamento Europeu irá provar, malgrado o crescimento eleitoral dos partidos populistas, os eurodeputados populistas irão distribuir-se por vários grupos, não sendo possível criar uma internacional populista, capaz de colocar em causa o normal luncionamento da comunidade". diz ao NOVO. "Nem todas as sete modalidades de populismo estão a evolucionar eleitoralmente da mesma forma. De facto, apenas o populismo cultural ou identitário está a conhecer uma fase de grande crescimento na União Europeia", acrescenta. A questão será então, fundamentalmente. interna, e, aí. o risco é maior. "Para recorrer à retórica fácil de uma imagem batida é que uma constipação na Alemanha, o regresso do país à condição de homem doente da Europa, pode resultar numa gravíssima pneumonia democrática na generalidade dos países europeus", diz Sande. "Contudo, é aos próprios alemães que cumpre dar resposta à situação. E se há razões para preocupação, também as há para acreditar na capacidade alemã de voltar a ser o motor de uma Europa que volte a ser, como.tem sido, um exemplo de prosperidade, paz e defesa dos valores humanitários para o resto do mundo", finaliza. PP. 3 2 - 34 Alemanha enfrenta o teste da extrema-direita em 2024 As sondagens apontam que a AfD, eurocética, populista, de extrema-direita, é o segundo partido nas preferências dos eleitores alemães, mesmo depois de ter sido noticiado um encontro de extremistas em que foi discutida a deportação de migrantes, o que desencadeou uma vaga de manifestações por todo o país. Nos três estados que vão a votos este ano, a AfD lidera nas sondagens. E em junho teremos as eleições para o Parlamento Europeu, que também serão um teste á uma semana. 150 mil pessoas, segundo os números da polícia - o dobro, de acordo com os organizadores -, manifestaram-se em Berlim, frente ao Reichstag, o edifício que alberga o Bundestag o parlamento alemão, em protesto contra o avanço da extrema--direita. As manifestações sucedem-se há cinco semanas, desde que foi noticiado um encontro de extremistas, em Potsdam, no qual foi discutido um "plano" para a deportação em massa de estrangeiros e de alemães "não assimilados" caso a Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla original), populista de extrema-direita, conquistasse o poder. O ponto alto foi o Dia Internacional da Memória do Holocausto, assinalado a 27 de janeiro, mas os protestos mantiveram-se depois. A AfD tem procurado distanciar-se, dizendo que os participantes no encontro de Potsdam não tinham laços efetivos com o partido - o que as notícias vieram a desmentir mais tarde - e garantindo que nenhum dos participantes ali estava em sua representação. Independentemente do seu papel no encontro e dos esforços dos seus líderes, Alice Weidel e Tino Chrupalla, para minimizarem os danos, a AfD foi o alvo das manifestações de protesto que se realizaram em Berlim, mas também em cidades como Munique. Bremen, Colónia. Dresden, Kiel, Estugarda. Leipzig. Bona ou Hamburgo, onde se apelava a que o partido fosse banido pela promoção de atividades antidemocráticas. Os protestos têm sido convocados por mais de 1.300 organizações, sob o lema "Nós Somos a Firewall". Em Berlim, os manifestantes criaram um coidão humano em redor do parlamento, simbolizando a sua defesa contra o avanço da extrema-direita. Nos cartazes liam-se frases como "Nazis. não, obrigado". "Nunca Mais é Agora" e "Parece que estamos em 1933. proibição da AfD agora!". O chanceler alemão, Olaf Scholz, acolheu os protestos e participou, tal como outros membros do governo, nas manifestações. "Digo-o com absoluta clareza e severidade: extremistas de direita estão a atacar a nossa democracia", afirmou, num vídeo em que reagia às notícias sobre o encontro de extremistas, condenando a ideia das deportações. "Se alguma coisa parecia impossível há alguns anos era poder a Alemanha voltar a conviver com os espetros do seu passado, a sombra de um terror maior, uma história sobre o pior da natureza humana", afirmou ao NOVO Paulo Sande, professor da Universidade Católica e especialista em temas europeus. "As manifestações das últimas semanas contra o partido AfD, que muitos acusam de ser um partido nazi. ou próximo disso, são um sinal de alerta", considera, apontando que se tratam de um alerta "para uma ideologia que namora as ideias desse passado de infâmia, um perigo para a democracia". "Extrema-direita é o mais suave epíteto usado para o identificar", diz. Extremo em alta O outro lado desta moeda é que as sondagens mostram que a AfD está consistentemente no segundo lugar das projeções. desde junho do ano passado, só atras da União Democrata-Cristã (CDU) e da União Social-Cristã (CSU). A direita populista perdeu dois pontos percentuais nas intenções de voto desde que o encontro de Potsdam foi noticiado, para 20%. segundo o agregador de sondagens do Politico. Está dez pontos percentuais atrás da CDU/CSU, que também perdeu dois pontos desde dezembro. Em terceiro lugar surge o Partido Social-Democrata (SPD). de Olaf Scholz, com 15%. que. juntamente com os Verdes e o Partido Democrático Liberal (FDP), seus parceiros de coligação, chega aos 32%, muito longe dos 52% que permitiram a eleição de 416 deputados em 2021, uma confortável maioria que sustenta o governo. Nas últimas eleições, a AfD averbou 10.3% dos votos, que se traduziram em 82 mandatos. Temos, efetivamente. sinais contraditórios relativamente às manifestações e às sondagens na Ale "No caso das manifestações na Alemanha, o fraco desempenho por parte da maior economia da União Europeia é apontado como o principal fator, pois está a pôr em causa direitos que os cidadãos julgavam adquiridos", diz José Filipe Pinto As manifesfoi tações contra a extremaúltimo,-direita t êm reunido centenas de milhares de pessoas em diferentes cidades alemãs "Vamos continuar a assistir ao crescimento dos partidos extremistas, tal como saem vencedores, também voltarão a perder eleições; no poder, muitos deles se aperceberão de que as soluções que preconizaram não são viáveis", diz Paulo Sande José Filipe Pinto Professor catedrático da Universidade Lusófona André Matos Professor e coordenador da licenciat u r a em Relações Internacionai s da Universidade Portucalense Paulo Sande Professor Universidade Católica Ricardo Santos Ferreira