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OBRAS EM CASA - SAIBA QUE CUIDADOS DEVE TER ANTES DE AVANÇAR PARA A REMODELAÇÃO DO SEU IMÓVEL

Expresso

2024-02-16 06:31:05

IMOBILIÁRIO Habitação A escassez de mão de obra para a realização de obras de remodelação de casas está a levar a um aumento de burlas. Os profissionais alertam para os cuidados a ter no momento da contratação Vai fazer obras em casa? Saiba quais os cuidados a ter Se está a pensar em fazer obras em casa, pense duas vezes antes de contratar uma empresa para lhe prestar esse tipo de serviço. É que estão a aumentar as queixas junto das associações do sector vindas de proprietários vítimas de burlas por parte de empresas de construção e profissionais ligados a este ramo. António Frias Marques, presidente da ANP Associação Nacional de Proprietários, adverte que nos últimos meses são raros os dias em que “não há uma queixa de burla” contra pessoas que se “dizem empreiteiros”, mas que na realidade não o são. As queixas mais frequentes referem-se ao pagamento dos sinais pedidos para a execução da obra, que em muitos casos atingem os 50% do preço combinado para o serviço, sem contratos ou recibos que os comprovem. O combate à ilegalidade e à concorrência desleal é uma situação que a AICCOPN Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas sempre identificou como um dos problemas desta área. A associação, que é presidida por Manuel Reis Campos, destaca ao Expresso que “tem sido desenvolvido um intenso trabalho em articulação com as autoridades competentes, em particular com o Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção (IMPIC) (que supervisiona o sector) e a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), com o objetivo de promover um sector da construção e do imobiliário cada vez mais seguro, competitivo e devidamente capacitado”. O Expresso falou com vários profissionais, que alertam para algumas regras que devem ser respeitadas, sobretudo por parte dos proprietários, quando equacionam avançar com obras de remodelação das suas habitações. PRIMEIRA FASE Planeamento da obra Segundo Sérgio Cardoso, administrador da Academia Doutor Finanças, para quem quer avançar com uma obra há várias fases determinantes, como o planeamento (definir o que pretendemos, o orçamento disponível e os prazos), a escolha do fornecedor (empresa que irá efetuar o trabalho) e o acompanhamento da obra no local. Na primeira fase, o planeamento que vai permitir definir até onde podemos ir , deve-se garantir que não são criados desafios financeiros para o final e que são antecipados eventuais constrangimentos. Na opinião do responsável da Doutor Finanças é determinante que sejam pedidos vários orçamentos e consultadas várias empresas. “Devemos pedir referências das empresas, nomeadamente pesquisando online ou consultando páginas de avaliações e reclamações, fatores que podem ajudar a perceber qual a reputação de determinada empresa”. Outro aspeto importante, na sua opinião, é pedir às empresas comprovativos de qualificações e certificações para desenvolver o tipo de obra que está a ser pedido e o portefólio de obras realizadas. “O ideal é mesmo tentar ver e experienciar espaços construídos ou renovados pelas firmas, com o intuito de percebermos a qualidade do trabalho entregue.” Ainda antes de escolher qual contratar, deve-se assegurar que os orçamentos são detalhados, com os tipos de materiais e valores discriminados, assim como avaliar a capacidade de resposta da mesma: quando consegue entregar a obra, por exemplo, e, sendo possível, negociar penalizações por atrasos que surjam, aconselha Sérgio Cardoso. De salientar que a escolha certa não passa necessariamente pelo orçamento mais baixo. A capacidade de resposta de uma empresa, o tipo de materiais usados e a segurança oferecida são questões a considerar. Este é um trabalho preparatório que é muito relevante e que pode prevenir muitas situações que poderão vir a acarretar problemas futuros. SEGUNDA FASE Contratar profissional acreditado “A contratação de uma empresa de construção não profissional poderá trazer vários riscos e desafios, que podem afetar negativamente a qualidade e a segurança do projeto que queremos realizar na nossa casa”, considera Carlos Sanz, diretor-geral do Habitissimo, uma das plataformas de oferta de serviços na área da construção a atuar no nosso país e cuja inscrição dos profissionais passa por um processo de acreditação. Refere que a verificação de um profissional garante que este possui as competências, a experiência e os conhecimentos necessários para efetuar o trabalho de forma eficiente e de acordo com as normas exigidas. Além disso, “contratar alguém não verificado pode aumentar o risco de burla ou fraude, uma vez que não há garantias de que a pessoa ou empresa seja genuína”. E acrescenta que contratar alguém que não é profissional pode ainda resultar no incumprimento dos códigos e normas de construção, o que pode levar a problemas legais e até estruturais. No mesmo sentido vai a opinião da Fixando, outra das plataformas online a atuar no mercado nacional. “Infelizmente, temos consciência de que existem algumas situações de burlas associadas a contratações informais no mercado das obras e remodelações”. Para se salvaguardarem, aconselha, “os clientes devem sempre fazer uma investigação online sobre a empresa que estão a contratar, nunca pagar adiantado e assinar sempre o contrato antes do início da obra”. A Fixando sobreavisa ainda que outro risco do recurso ao mercado de forma menos profissional é a contratação de pessoas e empresas que não estão aptas para realizar o trabalho proposto, resultando em trabalhos de pouca qualidade e/ou atrasos nas entregas. Outra plataforma a atuar neste mercado é a YourHero, que adverte para as várias vantagens para os clientes finais, nomeadamente na rapidez e confiança, quando recorrem a este serviço. “O constante acompanhamento e filtro que fazemos junto dos profissionais inscritos, com ações de formação junto dos mesmos, ajuda-nos a manter um repositório dos melhores técnicos”, diz Ricardo Borges, sócio da YourHero. TERCEIRA FASE Pagamento parcelado Depois de escolhida a empresa, é preciso determinar como vai ser paga a obra. “É aconselhável que no início apenas avance com uma parcela do valor total, que deverá dar para pagamento de parte ou da totalidade de materiais e pouco mais. À medida que a obra avança, são libertadas novas tranches, reservando uma delas para após a conclusão da obra”, destaca a informação do Doutor Finanças. Situação semelhante acontece com o pagamento do sinal. António Frias Marques vinca que é usual os proprietários entregarem verbas superiores a 10% para sinalizar as obras, o que não deveria acontecer, bem como o facto de não existirem comprovativos de pagamento de referir que o IVA na reabilitação é de apenas 6% ou contratos e cadernos de encargos onde constem todas as informações sobre a obra e os materiais a utilizar. Outro dos aspetos é o facto de estes profissionais também não terem seguros. “Por incrível que pareça, muitas vezes o proprietário a única coisa que tem é um número do telemóvel”, refere. QUARTA FASE Acompanhamento da obra Fazer uma obra exige um acompanhamento próximo. “Dá trabalho, mas pode fazer a diferença entre ter a obra concluída no tempo certo e com a qualidade desejada. Assim, será necessário visitar regularmente a obra, acompanhar a entrega dos materiais e a sua colocação”, diz Sérgio Cardoso, da Academia Doutor Finanças. Apesar do planeamento e do acompanhamento nas várias fases da obra, acontecem sempre imprevistos. Por isso é necessário estar mental e financeiramente preparado.com a aprendizagem, algumas das ideias iniciais mudam no decorrer da obra e abrem-se outras opções. “Dizem que quando terminamos uma casa estamos prontos para começar outra, e é bem verdade”, resume. economia@expresso.impresa.pt O PLANEAMENTO DE UMA REMODELAÇÃO É ESSENCIAL PARA EVITAR SURPRESAS DESAGRADÁVEIS NO FINAL O PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL DEVE AFERIR O HISTÓRICO DAS EMPRESAS QUE SE OFERECEM PARA FAZER O SERVIÇO Quem pensa fazer obras em casa deve preparar um orçamento com folga para imprevistos FOTO GETTY IMAGES ELISABETE SOARES