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LUÍS DA SILVA PEREIRA HOMENAGEADO HOJE NA CATÓLICA DE BRAGA

Diário do Minho

2024-02-28 09:07:04

Hoje, às 14h30, Luís da Silva Pereira é convidado para uma Jornada de Educação Literária no Auditório Isidro Alves da Universidade Católica, na rua de Camões. Numa primeira parte do programa, será apresentada a sua mais recente obra, Histórias de Nonô, em diálogo com o autor, atuação da Academia Allegro e a presença de turmas de crianças de escolas da cidade. Num segundo momento, tem lugar uma mesa-redonda de reflexão sobre Literatura infantil, descoberta do mundo e formação de leitores. O evento é de entrada livre. Esta é uma iniciativa de docentes que integram o Plano Local de Leitura (PLL) de Braga, dinamizado pelo Município de Braga, em colaboração com investigadores das Universidades Católica e do Minho. Ao mesmo tempo que se reflete sobre o lugar do livro e da leitura na formação dos leitores mais jovens, presta-se homenagem a este docente (Luís da Silva Pereira) da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP, depois de uma vida inteiramente dedicada ao ensino e à investigação nesta universidade. Como surgiu a inclinação, o gosto ou vocação da escrita infanto-juvenil no professor e investigador de Literatura Portuguesa, especializado em Camões? Surgiu quase por acaso. Para ocupar o tempo em que esperava, no café A Brasileira, por minhas filhas que frequentavam o curso de inglês no Instituto Britânico, fui escrevendo aquelas histórias que vieram a ganhar o Prémio Adolfo Simões Muller para Literatura Infantil, a que dei o nome de Histórias de Davidim. O Davidim era uma criança que andava há muito tempo a brincar dentro de mim e como que a chamar-me para lhe dar voz. Senti um gosto muito especial ao escrevê-las até porque me afastavam da escrita mais árida dos trabalhos académicos. Como encontra inspiração para as suas narrativas, desde as Histórias de Davidim até às mais recentes Histórias de Nonô? A inspiração para as histórias infantis vem, normalmente, de situações concretas que me despertam a atenção e me encantam pela espontaneidade e inocência das crianças. Depois amplio-as, deixando vogar livremente a imaginação, sem esquecer, contudo, que os enredos exigem verosimilhança, isto é, coerência e lógica nas situações. Julgo que é assim que nasce a grande maioria das narrativas literárias infantis e não infantis. Quais os maiores desafios da escrita para a infância e juventude, desde logo no plano da expressão, da língua e do estilo? O maior desafio é ser capaz de conciliar uma linguagem acessível às crianças e aos jovens com a necessidade de enriquecer essa mesma linguagem, de modo a potenciar a sua expressividade e desenvolver na criança a capacidade de pensar e de exprimir as suas emoções. A literatura infantil, como qualquer outra, aliás, deve levar o leitor a ler não apenas o livro, mas a ler-se a si próprio no livro. A criança deverá sentir que o que está a ler revela, de algum modo, o que ela sente e pensa acerca de si e dos outros. Nestas histórias, o leitor depara-se com sequências que exploram o mundo da fantasia e do maravilhoso. Por que razão essa dimensão é importante? Sim, é verdade. Todas as histórias apresentam, a partir de certo momento, acontecimentos que se passam no mundo maravilhoso. O maravilhoso é a suspensão das leis da natureza. Na natureza, nem os animais falam, nem os tapetes voam… Essa dimensão onírica responde à imaginação infantil e humana, em geral, e à necessidade de sonhar. Sem o sonho, o mundo não pula nem avança, parafraseando Sebastião da Gama. Toda a literatura infantil é um convite ao prazer do sonho. A literatura infanto-juvenil transmite sempre um conjunto de valores e uma visão do mundo. Neste seu último livro, parte da relação entre uma neta e o seu avô, além de valorizar a família. Porquê? Essa relação corresponde à realidade. É uma relação que se verifica diariamente, com os seus altos e baixos, evidentemente. Mas é uma relação em que cabem, naturalmente, os pais, os avós, os amigos, os companheiros da escola. É nesse conjunto de relações, principalmente nas relações familiares, que se vai formando a personalidade da criança e a sua visão do mundo. Sem elas, a personalidade infantil corre o sério risco de ficar mutilada. Já alguém me disse que apreciou muito a forte presença dos avós nas histórias. Aconteceu naturalmente. Não fiz de propósito. Mas fiquei feliz por contribuir para a revalorização dos avós de que tanto hoje se fala. No mundo em que vivemos, é importante sublinhar o lugar dos afetos nas relações familiares? Sim, a educação dos afetos é fundamental. Os afetos, mais do que qualquer outra dimensão da personalidade, constituem a base imprescindível da formação humana integral. Sem eles, a personalidade humana fica truncada. O ser humano move-se muito mais pelos afetos do que pela razão. Daí a importância da sua correta educação. As várias histórias unem-se no processo de descoberta do mundo e da própria linguagem. Por que razão essa dupla descoberta é importante? Sem linguagem não há humanidade, não há afetos nem pensamento. O mundo aprende-se através da palavra. Nós próprios tomamos consciência de quem somos através da palavra. Daí a importância fundamental da aprendizagem da linguagem verbal. Uma das funções mais importantes, senão mesmo a mais importante, da literatura infantil é precisamente a aprendizagem da língua materna. Daí a necessidade imperiosa de ela ser o mais correta possível. Como acompanha o rumo da literatura infanto-juvenil em Portugal? Acompanho com muito interesse. Praticamente todos os nossos mais importantes escritores gostam de dar um saltinho, digamos assim, a esse universo especial da literatura, produzindo obras de inegável valor literário. A literatura infantil em Portugal não fica atrás de nenhuma outra no mundo. É muito abundante e de muitíssima qualidade. Também por isso devia haver especial preocupação com levar as crianças e os jovens a lerem. Quanto sei, as escolas têm-se preocupado muito com desenvolverem nos alunos o gosto pela leitura. É altamente louvável. Entrevista de Cândido Oliveira Martins e Luísa Magalhães – UCP / CEFH Na próxima sexta-feira dstgroup celebra 25 de Abril com personalidades ilustres O dstgroup vai apresentar, já na próxima sexta-feira, dia 1 de março, pelas 16h00, o livro “25 de Abril de 1974, Quinta-Feira”, de Alfredo Cunha, e inaugurar o painel evocativo, com fotografias, também de Alfredo Cunha, em colaboração com Vhils, foi ontem anunciado. Segundo uma nota de imprensa, para comemorar os 50 anos do 25 de Abril, o dstgroup criou a iniciativa “libertar a liberdade”, que vai dinamizar um conjunto de atividades ao longo deste ano. Esta primeira vai decorrer no campus do grupo empresarial, em Braga, mais concretamente no Edifício Maria do Alívio Gonçalves Teixeira. No mesmo evento, vai ser exibido um filme, com fotografias do livro de Alfredo Cunha, e com banda sonora original de Rodrigo Leão. Posteriormente, numa mesa-redonda, sentar-se-ão os convidados: Alfredo Cunha, fotojornalista; Adelino Gomes, jornalista; Coronel Carlos Matos Gomes, oficial do Exército; e Maria Inácia Rezola, comissária Executiva da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril. A cerimónia termina com um momento de confraternização no Restaurante T5, no mesmo edifício onde decorre a iniciativa. «Esta iniciativa tem em vista um tributo a Abril por um grupo empresarial que é produto de Abril. Interessa-nos que a causa de Abril não saia da memória de todos os que viveram esse tempo “inicial”, mas, sobretudo, que se ensine às gerações que não viveram sem democracia o valor da liberdade e o significado da libertação da liberdade. A democracia e a liberdade andam juntas e é preciso cuidar de ambas todos os dias. Continuemos a democratização do acesso ao conhecimento, à cultura e ao trabalho digno. A presença da memória viva e vivida de Abril que os nossos convidados transportam até nós, será uma oportunidade mágica para os nossos trabalhadores mais jovens», refere José Teixeira, presidente do Conselho de Administração do dstgroup, citado no comunicado. O dstgroup sublinha «o cuidado» em «ter consigo convidados que viveram, na primeira pessoa, três momentos históricos da construção da democracia portuguesa, da guerra colonial, do 25 de Abril e do processo revolucionário até à assembleia constituinte». Programa incluIR Inscrições abertas para férias inclusivas O Município de Braga abriu as pré-inscrições para o plano de férias inclusivo, para o período de pausa letiva na Páscoa. O programa incluIR foi criado a pensar numa resposta educativa e social que satisfaça as necessidades das crianças e jovens que abranja o período de férias letivas de Natal, Páscoa e verão. O programa para a pausa letiva da Páscoa vai ter lugar na Escola Básica Dr. Francisco Sanches, sendo as atividades asseguradas pela entidade executora CEA – Cooperativa de Ensino Artístico e apoiadas pelo pessoal não docente. As pré-inscrições podem ser efetuadas, preferencialmente, através da plataforma digital do Balcão Único Online – http://balcaounico.cm-braga. pt, até 8 de março, ou, presencialmente, no Balcão Único, por ordem de chegada. O programa de férias inclusivas vai decorrer entre 25 de março a 5 de abril. 1.ª semana – 25 a 28 de março; 2.ª semana – 2 a 5 de abril. Nota biográfica Luís Alexandre Cabral da Silva Pereira nasceu no Peso da Régua, em 1947. Doutorou-se em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica Portuguesa (UCP) com a tese “Imagens da Lírica Camoniana. Reportório e Interpretação”. Aí lecionou “Literatura Portuguesa”, “Introdução aos Estudos Literários”, “Teoria da Literatura”, entre outras disciplinas. De 2010 a 2012 foi diretor do jornal Diário do Minho, dirigindo atualmente a revista Bracara Augusta, editada pela Câmara Municipal de Braga. Para além de artigos de história e crítica literária em revistas da especialidade, de numerosas palestras e conferências sobre temas literários, publicou: – Quase Silêncio (poemas). Braga, 1980. – Histórias de Davidim (narrativa). Lisboa, Verbo, 1993 (livro distinguido com o Prémio Adolfo Simões Muller para Literatura Infantil). – De Natal em Natal. Braga, APPACDM, 1994. – Tomás de Figueiredo ou a poética da casa. Braga, Lyons de Braga, 2002. – “Jerónimo Baía, Vida e Obra”, em Vertigens do Barroco, Mosteiro de São Martinho de Tibães, 2007. – “A Cadeirinha de Rodas”, em 50 Histórias de Quem Foi Criança, Sintra, Girassol, 2008. – Fixou o texto, prefaciou e escreveu as notas e glossários de Rimas Várias, Flores do Lima, de Diogo Bernardes, Porto, Edições Caixotim em 2009. – Histórias de Boca Aberta, Braga, Calígrafo, 2014. – Semanalmente, Braga, Diário do Minho, 2021.