ESCULTURA SUSTENTÁVEL ENRIQUECE ESPAÇO PÚBLICO DE BARCELOS
2024-03-03 09:08:06

Escultura sustentável “Águas Correntes” enriquece espaço público de Barcelos A zet gallery e o dstgroup inauguraram ontem no Complexo Mereces 718, em Barcelos, a obra de arte “Águas Correntes” que venceu a terceira edição do prémio “Arte em Espaço Público & Sustentabilidade”. A peça concretizada com materiais reciclados, da autoria dos arquitetos Joana Tomas e Vincent Rault, do “Muro Atelier”, passa agora a enriquecer o espaço público da cidade de Barcelos. Os autores utilizaram para esta peça barões roscados e os restos do revestimento da fachada do prédio que a dst está a construir. Estes restos levaram uma policromia inspirada na cor da água. Aos jornalistas, Vincent Rault explicou que ele e Joana Tomas, como arquitetos, gostam de utilizar objetos arquitetónicos nas suas obras, justificando a presença da escada em “Águas Correntes”. «É um objeto extremamente identificá- vel e representa muitas coisas. E a primeira coisa que nos vem à mente é a questão da ascenção espiritual e até física. E, a verdade é que o objetivo deste elemento no início era uma ascenção para evitar a subida das águas, quase uma metáfora sobre ecologia», disse. Para Joana Tomas, a escada «é também um elemento patrimonial português» que, aqui se encontra reproduzida, «não só como uma escapatória, mas também como uma alusão ao que une a terra e o céu, e como todos nós nos podemos unir num caminho mais sustentável ». «E, nas questões climáticas há sempre um discurso duplo entre fatalismo e otimismo, e estas escadas são esse mesmo diálogo que nos convida à união», acrescentou. Para Joana Tomas, este é uma mensagem forte, em que os degraus surgem congelados entre gotas, convidando as pessoas à ascenção e que as pessoas não fiquem imóveis face às questões da sustentabilidade. A par deste núcleo, a peça artística é ainda composta por três bancos colocados em sítios estratégicos, para que as pessoas possam refletir sobre esta escultura. No momento da inauguração, a diretora do Instituto de Bio-Sustentabilidade da Universidade do Minho, em representação do júri, deu os parabéns aos autores do trabalho que reuniu as preferências pelo valor estético e pelos valores de sustentabilidade. Cláudia Pascoal felicitou também a zet gallery e o dstgroup pela iniciativa «que é, de facto, algo que pode muito valorizar os valores, não só da sustentabilidade, como de toda a vida artística, como de toda a vivência artística». «São os valores artísticos que nos fazem sonhor, que nos fazem voar e que nos fazem realmente sentir gente com alma», acrescentou. O presidente do conselho de administração da dstgroup, aos jornalistas, confessou que uma das suas preocupações é colocar a arte à disposição das pessoas. «É massificar a arte. Tirá-la de dentro dos muros das galerias, onde o acesso é para determinadas elites, e democratizá-la», disse. Em cada investimento dst quer deixar parte da riqueza O presidente da dst disse ontem no momento da inauguração do “Águas Correntes” que, em cada investimento que este grupo realizar, pretende deixar parte da riqueza nesse mesmo local. «Nos sítios onde queremos fazer investimento, onde criamos riqueza, vamos deixar parte da riqueza nos sítios», disse José Teixeira, salientando que o Complexo Mereces, onde foi colocada a obra de arte, foi construído para dar paz e tranquilidade a quem ali habita. «E a arte é uma ferramenta absolutamente central», acrescentou. José Teixeira, aproveitando a presença do presidente da Câmara de Barcelos, Mário Constantino, avançou que esta não será a última obra de arte a ser colocada à usufruição pública pela dst nesta cidade. «Nós estamos aqui com um grande investimento», acrescentou, dando assim a perceber que a cidade de Barcelos deverá beneficiar da mais de obras de arte em espaço público. REGIÃO P.12 A obra foi inaugurada junto ao complexo que a dst está a edificar em Barcelos Os arquitetos Joana Tomas e Vincent Rault, do “Muro Atelier” foram os vencedores do concurso. bancos A obra de arte contempla um conjunto de três bancos onde as pessoas se sentam para a poder apreciar. JOSÉ CARLOS FERREIRA