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BENEFÍCIOS PODEM AJUDAR A COMPENSAR AUMENTOS MAGROS | O JORNAL ECONÓMICO

Jornal Económico Online (O)

2023-03-26 17:55:42

Um plano de benefícios que agrade ao trabalhador pode ser usado pela empresa para tentar compensar um aumento do salário que não cubra a inflação. O dstgroup aposta forte no desenvolvimento e bem-estar dos colaboradores e vai investir nesta área 1,5 milhões, este ano. Grito, instalação do jovem João Campolargo Teixeira, e Border House, do atelier Rael San Fratello, são as últimas criações a chegar a estas paredes em Palmeira, Braga. Na sede do dstgroup, a arte vai muito além de regalo para a vista, pretende-se que contribua para o desenvolvimento do indivíduo e do trabalhador. Cultura, abertura ao diálogo, cuidado com o bem-estar fazem aqui parte do dia-a-dia. "Em 2023 queremos continuar a investir no bem-estar e desenvolvimento dos nossos trabalhadores. Prevemos que esta aposta se traduza num investimento superior a 1,5 milhões de euros", adianta José Machado, diretor de Recursos Humanos do dstgroup, ao Jornal Económico. Este grupo empresarial opera nos sectores de engenharia e construção, ambiente, energias renováveis, telecomunicações, real estate e ventures e emprega 2277 pessoas. Os benefícios extrassalariais são um eixo da sua política de recursos humanos, desempenhando um papel relevante na captação e retenção de talento. "O pacote salarial empresarial do século XXI tem que (necessariamente) atrelar uma componente de salário emocional que pesará quase tanto quanto o salário monetário em si", afirma José Machado. Explica que "a capacidade do dstgroup identificar e interpretar a proposta de valor a oferecer aos seus trabalhadores impactará na capacidade de retenção e atração de talento e na própria forma de fazer negócios". Nas suas palavras, ser top of mind como entidade empregadora passa "por gerir estas expectativas e necessidades de forma quase "camaleónica" por meio de processos e canais de escuta ativa com os nossos trabalhadores". O universo extrassalarial do dstgroup é um mundo onde sobressai o centro de saúde Vânia Xisto, com consultas gratuitas nas áreas da psicologia, medicina geral, medicina curativa, dentária e enfermagem. Mais recentemente também oferece consultas de nutrição. O complexo da dst em Braga está dotado de dois campos de futebol, um campo de ténis e um espaço de máquinas de manutenção física aeróbica. Para breve estão previstos dois campos de padel e o segundo restaurante, o T5, com assinatura do chefe Mário Costa. No leque das realizações que visam melhorar o bem-estar dos trabalhadores faz parte a instalação de uma sala de amamentação com privacidade para as mães e a criação do Spot hair lab António Variações, um espaço de cabeleireiro associado à marca Pedro Remy. O impulso fazedor compreende ainda a criação de uma sala de pintura com cursos de formação contínua lecionados pelos artistas Evgenia Antonova, Ana Monteiro e Alberto Rodrigues Marques para quem deles quiser desfrutar. A resposta às necessidades de todos os trabalhadores contempla ainda a criação da segunda biblioteca no complexo da empresa localizada no novo Edifício Maria do Alívio Gonçalves Teixeira, bem como um espaço de jogos de arcade dos anos 90. "Quando existe o match entre os valores da empresa e os valores dos trabalhadores tornamo-nos mais capazes de conciliar a vida pessoal e profissional de cada um, sendo este um dos atributos mais ponderados e valorizados pelas novas gerações", salienta José Machado. Os benefícios e a inflação Nos últimos anos, para fazer frente à escassez de profissionais qualificados, muitas empresas em todos os sectores de atividade começaram a apostar em força em factores de atratividade extra salarial. "Têm-se mostrado cruciais no pacote de compensação total das empresas, que conseguem através destes tornar a sua proposta de valor mais atrativa e competitiva", diz Miguel Ros Galego, Business Leader da Mercer Marsh Benefits Portugal, ao Jornal Económico. O Total Compensation é o estudo anual da Mercer sobre tendências das políticas de remuneração e benefícios das empresas portuguesas. A última edição lançada há meia dúzia de meses antecipava uma "maior incerteza face à contratação de novo talento/ aumento de headcount, mais dificuldade em reter talento e salários, em geral, mais elevados". Daí para cá, só a inflação ficou mais agressiva, sobretudo nos produtos alimentares, o que poderá aumentar o protagonismo da compensação. "Com a previsão de que as empresas não irão alinhar os aumentos nos salários com o aumento da inflação, os benefícios ganham uma expressão ainda maior para fazer face a este desequilíbrio", adianta Miguel Ros Galego. Para o Business Leader da Mercer Marsh Benefits Portugal, é "muito importante" perceber quais são "as reais expetativas dos colaboradores" e "mitigar o impacto da inflação" através da integração de benefícios específicos que respondam às necessidades dos colaboradores. Como seria? Simples. "Um plano de benefícios robusto valorizado pelos colaboradores poderá ser uma resposta das organizações a ultrapassar este período menos favorável e manter os níveis de engagement elevados". Na mesma linha, Rui Teixeira, country manager para Portugal do ManpowerGroup, afirmava há duas semanas ao JE:"Ainda assim, o salário não é tudo", acrescentando: "Há outros benefícios que são valorizados, como os fringe benefits ou outros benefícios". O que as empresas oferecem Na última edição do Total Compensation foram analisados 160.076 postos de trabalho de 527 empresas estabelecidas no mercado português. Conclusões? O Plano Médico é o principal benefício, sendo oferecido por 90% das empresas participantes e em 70% dos casos abrange a cobertura do cônjuge e filhos dos colaboradores. A Política Automóvel é praticada por 88% das empresas. De referir que a opção de "escolha entre automóvel da empresa e subsídio automóvel" tem vindo a ganhar relevância, uma vez que se traduz num contexto onde existe maior flexibilidade dada pelas empresas face às escolhas dos colaboradores. O Seguro de Vida é concedido por cerca de 70% das empresas; Descontos em Produtos da Empresa por 59%; e a cobertura de despesas associadas à Educação é feita por 57% das empresas, assegurando entre 52% e 78%, em média, do custo total. Ceca de metade oferecem dias de férias adicionais aos previstos por lei. Ao nível dos benefícios, o estudo da Mercer revela ainda que o apoio à formação, traduzindo uma aposta em upskill & reskill, tem vindo a ganhar relevância entre as empresas, com cerca de 57% das participantes, a assumir a comparticipação das despesas associadas à educação dos seus colaboradores. Almerinda Romeira