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EDITORIAL - EDITORIAL - MUITA GASOLINA AINDA VAI CORRER...

Turbo

2024-04-24 21:15:42

DIRETOR juliosantos(ã)turbo.pt D “sim” da Comissão Europeia à proposta alemã que visa permitir os motores a combustão para lá de 2035 é o sinal mais claro de que muita gasolina (e gasóleo) ainda vai correr até 2026 quando 0 Parlamento Europeu, resultante das eleições de junho próximo, fizer, como está previsto, a reavaliação das metas de descarbonização da mobilidade. À nova posição da CE, que ainda há menos de um ano mostrava intransigência relativamente à pretensão encabeçada pela Alemanha, não foi estranho um conjunto de fatores cirurgicamente elencados por Luca de Meo em carta-aberta aos cidadão europeus, que reproduzimos nesta edição e cuja leitura atenta recomendamos. Mais do que os custos excessivos inerentes à opção elétrica (252 mil milhões investidos pelos construtores até 2025 e mais de 240 mil milhões necessários para uma rede de postos de carregamento “aceitável”), que segundo estimativas recentes absorverá cerca de 1,6% do PIB europeu, parece haver uma tomada de consciência crescente para o grande dilema que se coloca à Europa e que se tornará ainda mais evidente com o previsível regresso de Donald Trump à Casa Branca: prosseguir na rota “capitaneada” pela China, que lidera com larga margem toda a cadeia de valor inerente ao automóvel elétrico, ou arrepiar caminho e devolver à Europa um lugar próprio, provavelmente equidistante da China e dos Estados Unidos da América que desde há dois anos estão, tal como os chineses, a financiar em larga escala os construtores locais tendo como objetivo a construção de uma alternativa à eletrificação dependente das matérias-primas que não possuem (cujas reservas são detidas em 80% pela China), em que o Hidrogénio tem um papel central? novo É cada vez mais claro que aquilo que está em causa é o futuro e a independência da Europa, desde logo tendo em conta dados importantes como o facto de a indústria automóvel garantir, de forma direta, mais de 13 milhões de postos de trabalho (7% de todo 0 emprego na Europa), representar 8% do PIB e garantir para os diferentes governos 20% das receitas fiscais (392 mil milhões de euros). Prosseguir no caminho atual que já levou a que o défice comercial entre a China e a Europa tenha duplicado entre 2020 e 2022 (e quintuplicado desde 2017) terá, já não restam dúvidas, efeitos devastadores. Não há um só elemento relevante da equação em que a Europa seja no mínimo competitiva: a China possui 50% das minas de materiais necessários à produção de baterias e controla 75% da produção das mesmas, os custos salariais são inferiores em 40% face à Europa onde a fatura energética é duas vezes superior e, por tudo isto, um automóvel chinês semelhante a um Volkswagen ID.3 ou Renault Megane tem um custo de produção que é 25% inferior. Em menos de meia década o diagnóstico tornou-se claro e poucos duvidarão das consequências se nada for feito. A permissão da venda de motores a combustão, desde que utilizem combustíveis não fósseis, é um sinal positivo dessa tomada de consciência, mesmo tendo em conta os elevados custos dos combustíveis sintéticos. As duas grandes questões que se colocam doravante são claras: estará a indústria em condições de aceitar o repto lançado e que se traduz numa alteração de paradigma (o importante é alcançar um resultado e não a forma/tecnologia como se atinge o mesmo) e que capacidade tem para “reutilizar” a experiência e o gigantesco investimento j á feito (em plataformas dedicadas, por exemplo)? Será, ainda assim, mais barato do que hipotecar o futuro? FASTCHARGE Oe acordo com o barómetro de mobilidade da Europ Assistance, realizado pela Ipsos em oitos mercados, Portugal ocupa agora o quinto lugar entre os países onde o custo mensal com a mobilidade é maior. Ds portugueses gastam, em média, 132 euros mensais, sendo a lista encabeçada pela Bélgica [EUR194], seguida da Áustria [EUR192], Alemanha [EUR153], Itália [EUR138], 0 mesmo estudo revela ainda que o custo de aquisição é para os portugueses a maior barreira à compra de uma viatura elétrica, enquanto as preocupações relacionadas com os pontos de carregamento diminuíram. A poupança em combustível [58%] e as preocupações ambientais (50%) são as principais razões apontadas para a opção pela mobilidade elétrica. SIGA-NOS © WWW.TURB0.pt | TAMBÉM EM IPAD/IPHONE/ANORDID E NO FACEBOOK JÚLIO SANTOS