pressmedia logo

QUEIMÓDROMO FESTA DOS ESTUDANTES GERA TRÊS TONELADAS DE LIXO POR DIA

Jornal de Notícias

2024-05-09 14:17:37

O queimódromo que nunea dorme Não é segredo: para que milhares de pessoas se divirtam nas intermináveis noites de folia da semana da Queima das Fitas do Porto, muitos outros têm de trabalhar para garantir que tudo corre bem durante o evento e há quem madrugue para assegurar que, na manhã do dia seguinte, o recinto volta ao normal e desperta livre da sujidade e dos despojos que sempre ficam para trás. Ainda assim, neste ano parece haver menos lixo espalhado pelo queimódromo. ---------- ENCHENTE NOTURNA ---------- Aos 70 anos, Fátima foi ver as noites da Queima Diversão no queimódromo atrai pessoas de várias faixas etárias. Dia dedicado à música popular registou 32 mil entradas Ana Correia Costa ana.correu0jn.pt As câmaras captam-lhe o rosto já envelhecido, e o mar de juventude que a rodeia mergulha-a num sonoro aplauso. Tem 70 anos, Fátima Lopes, e a felicidade ampliada num dos ecrãs gigantes do palco do queimódromo do Porto. As rugas perdem-se no olhar vibrante, e ela sorri, canta e dança na primeira fila, contagiada pela energia do incontornável-e também septuagenário - Quim Barreiros. Aguenta firme as duas horas de concerto, que entram madrugada dentro, ao lado da filha, Vera, e da neta de 16 anos, íris, com quem ali chegara às 21, numa antecedência de duas horas e meia para as três gerações da família poderem assegurar um lugar “à frente”. “Viemos hoje [ontem] por ser ele [Quim Barreiros] e para a minha mãe conhecer a noite da Queima”, adianta-se Vera Teixeira, de 38 anos, que ao longo da atuação viu dis parar as notificações no te-lemóvel. “Recebi imensas mensagens, a dizer: a tua mãe está aí e sempre a aparecer ”. “É por ser velhotinha”, dispara logo a septuagenária, a rir enquanto conta que adora dançar. “Se tiver saúde, no próximo ano venho de certeza. Até mais do que uma vez”, sorri Fátima, fã confessa do cantor de Vila Praia de Âncora e estreante nas andanças das noitadas dos estudantes. “Trabalhava num café em Custoias [Matosinhos], e nunca tinha tempo para vir”, desculpa-se, animada com a diversão. RECINTO CHEIO Quim Barreiros não desilude e, ao 35.° ano a atuar na Queima das Fitas do Porto, ainda aquece o ambiente morno que paira antes do concerto da eterna terça-feira “pimba” - pelas 00.30 horas, já os aglomerados dispersos dão lugar a uma onda dançante que se estende até às barraquinhas, e a Federação Académica do Porto soma 32 mil entradas. O cantor fez-se ícone das noites da Queima e fenómeno intergeracional: na primeira fila, contra o gradeamento, eles e elas, ainda numa juventude pré-20, vibram de olhos - e telemóveis - postos no palco. Sabem de cor as letras de músicas lançadas quando ainda nem tinham vindo ao Mundo. “Ele é a cultura de Portugal”, atira Mariana Meireles, enquanto a amiga, Joana Nascimento, também de 19 anos, diz que o artista “consegue pôr toda a gente a mexer e trazer para aqui pessoas mais velhas”. “TRANQUILO” Rendida ao “ambiente” do queimódromo, Francisca Freitas fica encantada ao “ver toda a gente com as camisolas dos cursos”. Tem 18 anos e, tal como a colega, Beatriz Oliveira, vive a estreia na festa da Academia do Porto. “Estou a achar tranquilo; pensei que houvesse mais confusão”, confessa. Às gargalhadas, uma rapariga tenta dançar num rodopio e é o cimento do chão que lhe ampara o desequilíbrio. Vale-lhe estar perto do acesso à zona de apoio clinico, onde o comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, Luís Silva, regista, “nas três primeiras noites, uma média de 80 a 90 intervenções, das quais 30 a 40 foram atendidas no posto médico avançado e as restantes resolvidas pelas equipas que andam no terreno”.» ---------- MANHÃS DE LIMPEZA ---------- Recinto acorda ao som das varredoras Limpeza do espaço é feita a partir das seis da manhã. Recolhidas quase três toneladas de lixo do chão por dia Adriana Castro adriana.castro@jn.pt Nenhum espaço é bonito na manhã do dia a seguir a uma festa de arromba. O queimódromo, no Porto, não é exceção. Desde a entrada até ao palco principal estão espalhados copos de plástico, papéis, beatas e até brincos ou mochilas. Sente-se, entre o asfalto pegajoso, o cheiro a álcool já seco pelo sol. Passa meia hora das sete da manhã e três varredoras da Porto Ambiente já circulam pelo recinto a recolher esse lixo. Desde a madrugada do passado domingo, todos os dias 20 homens entram no espaço às seis da manhã para, na noite a seguir, milhares de estudantes terem a “casa” limpa e darem continuidade à semana de folia. Com sopradores debaixo do braço, alguns dos homens tentam reunir o máximo de resíduos possível em cada um dos corredores de barraquinhas em articulação com o trabalho i. Da entrada principal até ao palco há muito lixo espalhado no chão z. Equipa entra ao serviço às seis da manhã 3. Sopradores servem para reunir os resíduos das varredoras. Outros, com um jato de água, retiram os copos debaixo dos bares improvisados pelos estudantes. Cada uma das três varredoras tem capacidade para entre 300 e 400 quilos de lixo. E, mesmo assim, todas têm de ir, cerca de três vezes, despejar os resíduos a um ecocentro de uso exclusivo do município. Fica a cerca de 600 metros dali, junto à Avenida da Boavista. Segue-se a entrada de máquinas de limpeza do chão. Fazendo as contas, por dia, são recolhidas, só do chão do queimódromo, quase três toneladas de lixo, adianta Sílvio Tavares, encanegado de operações. A estes resíduos, somam-se os da reciclagem e os indiferenciados. “MENOS RESÍDUOS” Apesar disso, diz o coordenador de limpeza urbana da Porto Ambiente, Tiago Silva, a sensação é a de que este ano “há menos resíduos no chão, principalmente copos descartáveis”. Aproveita para elogiar o trabalho feito pela Federação Académica do Porto nesse sentido, refletindo-se numa ajuda às equipas de limpeza. Quando a primeira varredora sai em direção ao ecocentro, cerca das 8.30 horas, ainda há três estudantes j unto a uma das grades, na Circunvalação. Um deles ainda tenta vencer as indisposições provocadas pelos excessos da noite anterior. ATÉ ÀS QUATRO DA MANHÃ A “purga” mais profunda do espaço dura cerca de seis horas. Termina por volta do meio-dia, mas a operação regista mais dois momentos durante o dia, além desse. O coordenador explica que “à tarde, há reforço de duas equipas de lavagem e mais um piquete de apoio para situações pontuais que possam surgir”. Também durante a noite, o queimódromo conta com “quatro operacionais da empresa municipal a fazer a gestão dos equipamentos”, incluindo descarregar caixotes do lixo e colocar sacos novos até por volta das três ou quatro da manhã. Como forma de garantir o reforço de pessoal necessário durante esta semana, a empresa tenta evitar a coincidência de férias entre os membros da equipa, evitando também “descurar o serviço” noutros pontos da cidade. “O nosso principal objetivo é mesmo o de manter a cidade limpa diariamente”, referiu o responsável. Universitários do Porto exigem corte de todos os laços com Israel p. a, 9 e 24 i. Concerto de Quim Barreiros juntou milhares de pessoas no recinto 2. Fátima Lopes, com a filha, Vera, e a neta, íris 3. Barraquinhas das associações de estudantes tiveram muita afluência 4. Muitos alunos foram pela primeira vez 5. Ambiente do queimódromo elogiado pelos jovens e pelos mais velhos Ana Correia Costa