PRÉMIO DSTANGOLA/CAMÕES - JOÃO MELO PROPÕE “REPARAÇÃO HISTÓRICA”
2024-05-13 21:15:45

Vencedor do Prémio dstangola/Camões propõe reparação histórica pela Cultura JOÃO MELO recebeu ontem o Prémio de Literatura dstangola/Camões. O autor do livro Diário do Medo abordou a questão da reparação histórica , argumentando que as ex-colónias não estão a “pedir dinheiro”. CULTURA | José Paulo Silva | João Melo, escritor angolano, defendeu ontem que a necessidade de as antigas potências coloniais, responsáveis pelo comércio de escravos, repararem os países ex-colonizados não deve passa por compensações financeiras. Vencedor do Prémio de Literatura dstangola/Camões, o também jornalista, publicitário, professor universitário, fundador da União de Escritores Angolanos, que já foi deputado e ministro, garantiu, na cerimónia de atribuição do galardão, na sede do grupo empresarial dst, que “a maioria de nós não está a pedir dinheiro” quando se fala da reparação histórica por parte dos ex-colonizadores. “Estamos a falar desta iniciativa e de outras acções que visem reforçar os laços entre os povos”, declarou João Melo, argumentando que a “reparação histórica”, tema lançado recentemente para o debate político pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visa “ajudar as ex-colónias a capacitarem-se para construir sociedades boas”, sugerindo que eventuais compensações por injustiças do passado não devem “ser entregues de bandeja a alguns dos nossos líderes”. Acrescentou que “temos de olhar nos olhos uns dos outros, conversar e encontrar maneiras de resolver essas feridas”. Segundo o vencedor do Prémio de Literatura dstangola/Camões de 2023, o trabalho desenvolvido pelo grupo empresarial bracarense em Angola ao nível cultural enquadra-se no conceito de “reparação histórica” que defende entre ex-colonizadores e excolonizados. “A ligação fortíssima entre o trabalho empresarial e a cultura deve ser realçado num tempo em que, cada vez mais, se confunde economia com contabilidade”, disse João Melo a propósito da visão do grupo dst, que elogiou “vivamente”. Sobre a sua obra premiada na 5.ª edição do Prémio de Literatura dstangola/Camões, o livro de poemas Diário do Medo , João Melo relevou a circunstância de o mesmo ter sido escrito em plena pandemia, em 2020. “Vi-me a escrever deseperadamente em clima de medo”, confessou o autor, que reconheceu ser ainda “pouco conhecido dos leitores portugueses”. Está prevista para Junho a edição portuguesa de Diário do Medo , um livro que João Melo, mais do gozo, teve “necessidade de escrever”. Pág. 6 lll Na sessão de entrega do Prémio dstangola/Camões, João Melo declamou dois poemas inéditos e recentes, Um dia e Amanhã é outro dia , reveladores de um “estado de espírito pouco optimista em relação ao nosso mundo”. José Teixeira, CEO do grupo dst, com João Melo, vencedor do Prémio dstangola/Camões José Paulo Silva