LIGHT + BUILDING 2024 - UM MUNDO ILUMINADO
2024-05-16 21:16:05

Entre os dias 3 e 8de Março, Frankfurtfoi o epicentro das soluções de iluminação e ainda de engenharia eléctrica e automação aplicada a edifícios. Mais de 151 mil visitantes e de dois mil expositores marcaram presença na feira Light + Building 2024. aça-se luz. A expressão é religiosa, mas podia muito bem ter sido o mote da feira Light + Building 2024, que levou à cidade alemã de Frankfurt um largo espectro de cores, formas, materiais e tecnologias ligado ao mundo da iluminação, bem como ao do ambiente construído. Sob o lema BE ELECTRIFIED, vários pavilhões encheram-se de luminárias técnicas para escritórios, escolas, indústria, comércio, de luminárias de emergência e decorativas e ainda de diferentes configurações modernas de iluminação urbana. Assente na ideia de que "a iluminação é um componente elementar no mundo construído", a Messe Frankfurt, entidade organizadora, quis mostrar nesta edição de uma das maiores feiras no sector da tecnologia de iluminação e construção aquilo que se tem feito nosváriossegmentosde produto, lançando luzes também sobre as tendências e oportunidades de melhoria no que diz respeito a aspectos estéticos e funcionais. Das primeiras lâmpadas incandescentes comercializáveis, construídas porThomas Edison em 1879, entretanto banidas, em 2012, do mercado europeu, até às luminárias que utilizam tecnologia LED, o percurso nesta área tem sido marcado pela procura de soluções mais eficientes, menos poluentes e mais acessíveis. Este caminho tem dado frutos, com o relatório Tracking Clean Energy Progress 2023, publicado em 2023 pela Agência Internacional de Energia, a reconhecera iluminação como um dos únicos três segmentos críticos para a transição energética a estarem alinhados com a trajectória para o cenário netzero até 2050. O mesmo documento mostra, ainda assim, que há espaço para melhorar. Em 2022, num contexto em que a aplicação de tecnologia LED e a eficiência energética aumentaram, o consumo de electricidade para fins de iluminação também subiu, tal como, ainda que de modo mais ligeiro, as emissões de CO, associadas a este segmento. Melhorar neste contexto é, segundo a Climate Group Organisation, apostar na disseminação de tecnologia LED para alcançar poupa nçasde energia na ordem dos 50 a 70 °/o em comparação com as tecnologiasantigas,e ainda gerarpoupançasfinanceiras aos agentes municipais, que podem atribuir cerca de 20 a40°/o da sua factura de electricidadeà iluminação pública. Mas há mais ainda que pode ser feito e isso também foi discutido nos dias da Light+ Building2024. CIRCULARIDADE, NOVOS MATERIAIS E MULTIFUNCIONALIDADE Enquanto uma das estratégias para ofutu ro, a economia circulartambém desempenha um papel crucial na iluminação. Numa sessão dedicada ao tema, Heinrich Thye, secretário geral do consórcio internacional Zhaga, frisou que "é importante criar soluções de iluminação que durem mais tempo, sejam reparáveis e que possam ser upcycled [(re)valorizadas] e substituíveis". Por isso, este consórcio, que une mais de 500 membros, dedica-sea desenvolverespecificações industriais de interfaces para componentes usados em luminárias LED, certificações e projectos para cidades inteligentes, tendo na base da sua existência a ideia de que "os componentes das luminárias têm diferentes ciclos de vida" e que substituir uns não deve pôr em causa o produto como um todo - uma substituiçãoque, sublinhou, além de poderacontecer por questões de durabilidade e/ou de necessidade de reparação, também pode ser motivada pela emergência de novas soluções. "Separar componentes-chave é facilitar soluções à prova de futuro", diminuindo também custos e garantindo "soluções modernas", concluiu Heinrich Thye. Modularidade e padronização são mais-valias, mas outros participantes quiseram partilhar também as vantagens do desenvolvimento de processos mais circulares, porexemplo, reciclandoa 100%as luminárias com defeitos de fabrico, da aplicação de Declarações Ambientais de Produto, ou da produção de luminárias feitas exclusivamentea partir de plásticos recuperados do oceano. A pensartambém na redução deplástico, a Lightenjin, uma das empresas portuguesas presentes na feira, abraçou o desafio de desenvolver uma nova versão de uma das suas luminárias mais vendidas integrando biomateriais. "Introduzimos, no corpo do produto, fibras naturais decocô ou de cânhamo, o que permitiu poupar cerca de 30% do material plástico", explicou Marinela Fernandes, coordenadora da empresa, à Edifícios e Energia. Fundada em Águeda, a Lightenjin foi ainda uma das empresas a exemplificar como a introdução de novos materiais pode acrescentar valoràs luminárias. A cortiça, "matéria-prima de excelência na economia nacional", e o feltro conferem uma função acústica às luminárias, ilustrou a coordenadora. "O objectivo é que estas superfícies de revesti mento das luminárias sirvam também para a finalidade de redução de ruídos, porexemplo, num open spaceou numa escola." Multifuncionalidade foi, aliás, uma das palavrasde ordem na feira alemã. Na esferada iluminação pública, várias empresas mostraram como a integração, no poste, de painéis fotovoltaicos ou de carregadores para veículos eléctricos confere uma maiorautonomia à luminária e à cidade e como a integração de colunas de som, de painéis informativos ou de câmaras de videovigilância adiciona uma nova camada aos serviços que podem ser acoplados. Outra combinação de tecnologias frequente foi a aplicação de sensores a luminárias interiores e exteriores, permitindo aceder a uma panóplia de dados. Conhecer indicadores como humidade, temperatura ou concentração de CO, ajudam a monitorizara qualidade do ar e do ambiente. Já reconhecer movimentos abre caminho a que surjam soluções automatizadas que permitam utilizarenergiaapenasquandoé necessária e/ou de forma personalizada. Aproveitar o movimento da digitalização e da automação para melhorar sistemas e fornecer mais serviços é, talvez, o factor que mais pesa na balança da sustentabilidade, já que, no mundo da iluminação, 90 % do consumo energético está associado à operação. E, por isso, a feira acolheu várias soluções de gestão e controlo de energia, associadas à iluminação e não só. Dividida em iluminaçãoe ambiente construído, a Light+ Building 2024 explorou, na esfera dos edifícios, tópicos como serviços cloud, softwares de engenharia, BIM, Hardware para a automação, gémeos digitais, sistemas de controlo de estores ou de detecção de incêndios, soluções de eficiência hídrica, e armazenamento energético e edifícios inteligentes. MANIPULAR AS CARACTERÍSTICAS DA LUZ Num mundo iluminado, os saberes da engenharia, da arquitectura e do light design complementam-se para que os edifíciose as cidades sejam harmoniosos e aproveitem a luz natural e a artificial da melhorforma possível. Assim, manipulara luzeassuas características pode ser uma ferramenta útil para criar determinados efeitos e expressar emoções que personalizem a vivência dos espaços. Se, num espaço comercial, se quiser realçar uma colecção de Primavera, pode brincar-se com a temperatura decor da luz, esesequiserconduziraspessoas para uma determinada secção podem criar-se contrastesluminososque indiquem ocaminho. Emcontexto hospitalar, a iluminação para cabeceiros de cama, para além de poderincluirmúltiplasfuncionalidades, pode permitir a regulação da intensidade da luz e a alteração da temperatura da cor, de forma adaptada ao ritmo circadiano. "A influência que a luz tem no nosso bem-estar é tremenda e estamos cada vez mais aaproximara iluminação artificial àiluminação natural. Podemos programara iluminação de modo a termos de manhã temperaturas mais quentes, à hora do almoço temperaturas mais friase nofinaldo dia temperaturas novamente mais quentes, preparando o nosso corpo para o descanso", explicou Ma ri nela Fernandes.com soluções nestas áreas, a coordenadora da Lightenjin aponta ainda para a iluminação hortícola como uma iluminação muito particular, mais técnica - com cada planta a ter necessidades específicas conforme a espécie e a fase devida -, que pode potenciar a produção de hortícolas em espaços interiores. A feira recebeu mais de 151 mil visitantes e contou com 2 169 expositores de mais de 70 países. Estiveram presentes I2empresasportuguesas, nomeadamente as fabricantes de produtosde iluminação Lightenjin, Aronlight, LeukSolutions, Serip, Castro Lighting, Climare Indelague, as empresas Metalogalva e Aluthea Group, que produzem, respectivamente, estruturas metálicas para iluminação e peças de alumínio, bem como, mais ligadas à componente eléctrica, as empresas Advance e Quitérios, e ainda a Atouch Winwel, que desenvolve painéis multifunções para controlo do edifício. “É importante criar soluções de iluminação que durem mais tempo, sejam reparáveise que possam ser upcycled [[ relva lo ri za d as] e substituíveis". Heinrich Thye, secretário geral do consórcio Zhaga. “A influência que a Luz tem no nosso bem-estar é tremenda e estamos cada vez mais a aproximar a iluminação artificial à iluminação natural.” Marinela Fernandes, coordenadora da Lightenjin porSÓNIASUL*