GOVERNO REAVALIA PLANO DE COMPRA DE COMBOIOS DA CP
2024-05-17 06:31:05

Anabela Campos Jornalista João Diogo Correia Jornalista Pedro Lima Editor-adjunto de Economia Ana Baião Fotojornalista Empresa quer ter comboios na nova linha que em 2034 permitirá ir de Lisboa a Madrid em três horas A CP está interessada em assegurar a ligação por alta velocidade entre Lisboa e Madrid que o Governo quer que em 2034 se faça em apenas três horas, afirma Miguel Pinto Luz. “A CP manifestou logo interesse, mas haverá outros operadores num mercado que queremos que seja aberto e fervilhante”, diz o ministro. Para que a CP possa assegurar essa ligação de alta velocidade, mas também as que vão avançar entre Porto e Lisboa e Porto e Vigo, tem de comprar comboios, pois não tem nenhum disponível. A empresa estava a preparar-se para avançar com um concurso público para comprar 16 comboios para esse fim - numa fase inicial tinha pensado comprar 12, mas depois reviu esse objetivo em alta -, mas o Governo quer reavaliar esse plano de investimentos. Em 2020, a companhia encomendou 22 comboios para o serviço regional - os primeiros começarão a chegar no próximo ano - e em 2023 adjudicou ao consórcio Alstom/DST o fornecimento de 117, parte para os serviços regionais e outra parte para os urbanos de Lisboa e Porto, mas o concurso foi impugnado por dois dos concorrentes derrotados. Questionado sobre se está de acordo com a política de compra de comboios da CP, Pinto Luz responde que o Governo “está a analisar esses contratos. Um deles está em litigância e não vou falar dele. Em relação à alta velocidade, não temos nada fechado, temos estado em estreito diálogo com a CP. Queremos uma política de racionalidade. Em Portugal queremos muitas vezes novos comboios, mas andamos por essa Europa fora e, por exemplo, na Suíça andamos em linhas absolutamente fantásticas em comboios com 75 anos. Temos muito boa manutenção em Portugal, os profissionais da CP fazem verdadeiros milagres, a empresa está a fazer um excelente trabalho a esse nível”. E diz também que “o objetivo do Governo é criar um mercado livre e aberto em vários segmentos. No transporte ferroviário de carga há grupos privados a operar, embora com alguns problemas de concorrência que temos de resolver. Nos passageiros queremos que isso aconteça também e a própria visão da CP de longo prazo no caso da alta velocidade não é de ser hegemónica, nem sequer tem capacidade de investimento” para poder ter uma quota de mercado elevada. “Somos um país de paixões. Agora temos a paixão da ferrovia, mas não estamos esquecidos da rodovia”, diz o ministro O grupo Barraqueiro, do empresário Humberto Pedrosa, já manifestou interesse nas ligações de alta velocidade e a Renfe é outro candidato natural a prestar esses serviços. O ministro dos Transportes de Espanha disse recentemente que a empresa espanhola congénere da CP vai operar “onde tiver oportunidade” e já houve um primeiro aviso: a Renfe fez saber há um ano que admite levar comboios até Évora na nova linha que está a ser feita até à fronteira e que vai entrar em funcionamento em 2025. Esta nova linha Évora-Elvas vai permitir que a distância entre Lisboa e a fronteira do Caia seja feita em duas horas. O Executivo espera que entre 2025 e 2027 possa já voltar a haver uma ligação direta entre as duas capitais ibéricas, interrompida em 2020 por causa da pandemia. Nesse pressuposto, o tempo da viagem Lisboa-Madrid reduzir-se-ia das cerca de nove horas atuais (em três comboios diferentes) para entre cinco horas e meia e seis horas. Depois, com as obras anunciadas esta semana - ponte sobre o Tejo entre Chelas e Barreiro e linha de alta velocidade entre Barreiro e Évora -, a distância entre Lisboa e Elvas será reduzida a uma hora e no total demorar-se-á três horas de Lisboa a Madrid desde que em Espanha sejam lançadas as obras previstas. Miguel Pinto Luz refere que já falou com o seu homólogo espanhol no sentido de coordenar as obras dos dois lados da fronteira. E essa coordenação não passa apenas pela ligação a Madrid, mas por todas as outras que implicam ligações transfronteiriças. Há um conjunto de obras pensadas para Portugal mais a longo prazo incluídas no Plano Ferroviário Nacional, um documento que foi deixado pelo anterior Governo para aprovação e que precisa do aval de Espanha. “Estamos a finalizar essa análise, temos que celebrar um protocolo entre Portugal e Espanha para fechar esse dossiê.” O governante vinca que a aposta na ferrovia não pode, no entanto, levar a que se esqueça a necessidade de investir na rodovia. “Nós somos um país de paixões, durante 40 anos tivemos a paixão da rodovia e a ferrovia foi esquecida, agora estamos na paixão da ferrovia e parece que nos esquecemos da rodovia. No Governo não estamos esquecidos da rodovia.”